Dois anos depois, o que se sabe sobre o voo MH 370, desaparecido de forma misteriosa com 239 a bordo

  • Manan Vatsyayana/AFP

    Mulheres passam por mural do voo Mh370 em Shah Alam, na Malásia

    Mulheres passam por mural do voo Mh370 em Shah Alam, na Malásia

Dois anos após a queda do avião da Malaysia Airlines que fazia o voo MH370 investigadores ainda procuram destroços e pistas das 239 pessoas que estavam a bordo.

O mistério da localização dos restos do avião parecia estar perto de ser desvendado em julho do ano passado, com a descoberta de uma peça da aeronave na ilha de Reunião - a mais de 3.700 km do lugar em que estavam sendo feitas as buscas.

Investigadores franceses confirmaram que o flaperon - parte da asa - encontrado pertencia ao Boeing 777. Mas depois disso não houve mais grandes avanços nas buscas.

O voo, que ia de Kuala Lumpur para Pequim, desapareceu em 8 de março de 2014, quando o controle de tráfego aéreo perdeu contato com a aeronave.

As buscas, lideradas pela Austrália, estão varrendo uma área de 120 mil quilômetros quadrados de leito do mar a cerca de 2.000 km de distância da costa de Perth, usando drones submarinos e sonares operados por navios especializados.

Em dezembro de 2015, autoridades australianas disseram que haviam reduzido a área de buscas - e que estavam confiantes de estar no lugar certo.

O vice-premiê da Austrália, Warren Truss, disse que autoridades estavam "otimistas" de que os restos do avião seriam achados.

O escopo da busca mudou muitas vezes desde que o avião desapareceu por causa da incerteza sobre seus últimos movimentos, mas a expectativa é que a operação seja concluída - com ou sem o encontro dos destroços - em meados de 2016.

A busca

Pela rota planejada, o avião estaria viajando na direção nordeste, sobrevoando Camboja e Vietnã. Por isso, a busca inicial se concentrou no mar da China Meridional, ao sul do Vietnã.

Mas indícios captados por um radar militar sugeriram que o avião havia mudado sua direção bruscamente, indo para o oeste. As buscas, então, que envolviam dezenas de navios e aviões, se voltaram para o mar a oeste da Malásia.

Novas evidências revelaram, em 15 de março de 2014, que o avião fora desviado propositalmente cerca de uma hora após a decolagem.

Após a divulgação da última comunicação do MH370 com o satélite, uma semana após o desaparecimento, a busca foi expandida para uma área de cerca de 4,5 milhões de km quadrados, do Cazaquistão, ao norte, até o sul do oceano Índico. Isso cobria 11% do oceano Índico e 1,5% da superfície da Terra.

No entanto, a partir de 16 de março, imagens de satélites de possíveis destroços e dados de monitoramento de autoridades da Malásia pareciam confirmar que o avião havia caído no Índico, ao sudoeste da Austrália.

Em 24 de março, o primeiro-ministro da Malásia anunciou que dados de satélite mostravam que o avião definitivamente havia caído nesta parte do oceano.

Outros possíveis destroços foram vistos por satélites mas, em 28 de março, a principal área de busca foi deslocada de novo, para mais perto da Austrália, após análise da velocidade do avião e seu alcance máximo.

Entre 5 e 8 de abril, barcos australianos e chineses com equipamento sonar submarino detectaram sinais de ultrassom que acreditavam ser da "caixa preta" do avião. Os sons pareciam ser a maior pista encontrada até o momento e foram usados para redefinir, mais uma vez, as áreas de busca.

Mas de novo, em 29 de maio, houve mudança nos planos: autoridades anunciaram que não haviam encontrado nada e que aquela área poderia ser descartada.

Enquanto isso, autoridades da Malásia, com ajuda de especialistas internacionais em aviação e satélites, continuaram tentando desvendar e explicar os movimentos do avião.

Os australianos disseram acreditar que o avião estava no piloto automático quando caiu.

Em 26 de junho, eles anunciaram uma nova área de buscar perto de Perth. Essa operação começou em agosto e tentar completar uma varredura do leito do oceano. Esta busca está prevista para ser encerrada no meio do ano.

Descoberta de destroços

Em 29 de julho de 2015, um pedaço de avião de 2 metros foi encontrado por voluntários que limpavam a praia de Santo Andre, na ilha de Reunião, perto de Madagascar, no oceano Índico.

Tanto o primeiro-ministro da Malásia quanto autoridades francesas que participam da investigação confirmaram que os destroços são do avião.

Mas as autoridades não modificaram a área de buscas, já que os destroços haviam sido levados por correntes marítimas.

Em dezembro, após nova análise de dados, o governo da Austrália se disse confiante de que estaria "procurando na área certa".

Em 27 de fevereiro de 2016, outro pedaço de uma aeronave foi encontrado em um banco de areia em Moçambique.

O ministro dos Transportes da Malásia disse que havia uma "alta possibilidade" de o fragmento ser do avião da Malaysian Airlines.

A Austrália disse que a localização batia com os modelos de correntes marítimas que mostravam para onde os destroços poderiam ter sido levados, mas investigadores não confirmaram oficialmente que a peça seria do MH370.

Quem estava no voo

Os 12 tripulantes eram da Malásia, liderados pelos pilotos capitão Zaharie Ahmed Shah, de 53 anos, e o copiloto Fariq Abdul Hamid, de 27.

A polícia fez buscas nas casas deles e um simulador de voo foi levado da casa do capitão e remontado para perícia.

Havia 227 passageiros, incluindo 153 chineses e 38 cidadãos da Malásia. Sete eram crianças.

Também havia passageiros do Irã, EUA, Canadá, Indonésia, Austrália, Índia, França, Nova Zelândia, Ucrânia, Rússia, Taiwan e Holanda.

Foi descoberto que dois iranianos estavam viajando com passaporte falso. Mas investigações mostraram que Pouria Nour Mohammad Mehrdad, de 19 anos, e Delavar Seyed Mohammadreza, 29, estavam a caminho da Europa via Pequim e não tinham ligações conhecidas com grupos terroristas.

Entre os chineses no avião havia um grupo de 19 artistas proeminentes, que haviam participado de uma exposição em Kuala Lumpur.

A Malaysian Airlines diz que quatro passageiros que fizeram check-in mas não foram ao aeroporto.

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