Com mais presença política, protestos crescem e aumentam pressão sobre Dilma

O domingo foi marcado por manifestações que reuniram centenas de milhares de pessoas em todo o Brasil - e em algumas cidades no exterior - para protestar contra o governo da presidente Dilma Rousseff.

Em São Paulo, 500 mil pessoas participaram das manifestações pró-impeachment na avenida Paulista, segundo o Datafolha. Nas contas da Secretaria de Segurança Pública, o número de manifestantes era de 1,4 milhão de pessoas.

O protesto, ainda segundo o Datafolha, é o maior ato já registrado na cidade, superando as Diretas Já, em 1984.

Também foram registradas marchas anti-Dilma em Brasília (onde o público estimado foi de 100 mil pessoas), Recife (estimativa de 120 mil pessoas) e em outras dezenas de cidades no país. No exterior, houve protestos em locais como Buenos Aires, Londres, Paris e Nova York. Algumas cidades também abrigaram marchas pontuais pró-PT.

A grande adesão aos protestos agravam a situação já delicada da presidente e do PT, que sofreu mais um revés nesta semana, com um polêmico pedido, pelo Ministério Público de São Paulo, de prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O pedido pode ou não ser acatado pela Justiça. Na denúncia contra o ex-presidente, a Promotoria afirma que o petista escondeu a posse de um tríplex no Guarujá e que este teria passado por reformas feitas pela empreiteira OAS para Lula. O ex-presidente alega que não é dono do apartamento.

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Oposição

A presença de políticos nos carros de som espalhados pela avenida Paulista também deu o tom do protesto deste domingo.

O empresário e pré-candidato à Prefeitura de São Paulo João Dória (PSDB) subiu trio elétrico do MBL (Movimento Brasil Livre) para discursar contra a presidente Dilma Rousseff e defender a manifestação.

"A avenida Paulista, lotada como está, prova que o clamor pelo impeachment é tudo menos golpe", afirmou o apresentador de TV.

Ali perto, o senador Ronaldo Caiado (DEM) tirava selfies com os convidados do MBL.

À BBC Brasil, Caiado defendeu o impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas se mostrou reticente em caso de um eventual governo Michel Temer (PMDB), atual vice.

"Eu, pessoalmente, gostaria que convocassem novas eleições. Não temos certeza da autonomia do PMDB em relação ao PT. O importante é que a Dilma caia. Este é o clamor popular. Sobre Temer, não posso prever nada", afirmou o senador.

O senador mineiro Aécio Neves e o governador paulista Geraldo Alckmin, ambos do PSDB, também estiveram no protesto na Paulista e acabaram sendo hostilizados por manifestantes. Um vídeo publicado no site do jornalFolha de S. Paulo exibe um grupo xingando os tucanos de "oportunistas".

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Desempregado

O clima na manifestação na Paulista foi majoritariamente pacífico. A empresária Adriana Camini, de 35 anos, compareceu pela primeira vez em uma manifestação neste domingo. Ela conta que antes ficou em casa por ter um filho pequeno, mas, desta vez, decidiu sair às ruas.

"Estou aqui por um país melhor, com todo mundo manifestando e colocando para fora sua opinião. O Brasil precisa de menos corrupção, não importa o partido."

O engenheiro Eduardo Mota, de 26 anos, foi ao protesto carregando uma faixa em que se lia: "Dilma, você me fez perder meu emprego. Vou fazer você perder o seu".

Ele conta que trabalhava como terceirizado em uma empresa do setor automobilístico que precisou cortar custos por conta da crise econômica e foi mandado embora em uma leva de 60 demissões.

"Vim em quase todas as manifestações. Hoje não só está mais cheio, como as pessoas estão mais determinadas em gerar uma mudança."

Poucas horas após o fim dos protestos, a Presidência da República divulgou uma nota afirmando que "a liberdade de manifestação é própria das democracias e por todos deve ser respeitada".

"O caráter pacífico das manifestações ocorridas neste domingo demonstra a maturidade de um país que sabe conviver com opiniões divergentes e sabe garantir o respeito às suas leis e às instituições", afirmou o comunicado.

  • Com reportagem de Rafael Barifouse e Ricardo Senra

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