O que sabemos (e queremos saber) sobre atentados na Bélgica?

Mais de 30 pessoas morreram e cerca de 250 ficaram feridas nessa terça-feira em Bruxelas vítimas de explosões no aeroporto de Bruxelas e em uma estação de metrô. Duas detonações atingiram o saguão de embarque do aeroporto e uma outra teve lugar em Maelbeek, estação próxima a uma série de prédios estratégicos da União Europeia - a capital belga é também a sede do bloco político-econômico.

O grupo extremista muçulmano autodenominado Estado Islâmico assumiu a autoria dos atentados, que ocorreram quatro dias após a prisão de Salah Abdeslam, um dos principais suspeitos dos ataques que causaram mais de 100 mortes em Paris, em novembro do ano passado.

O que sabemos até agora sobre a tragédia de Bruxelas?

Quem são os autores dos atentados?

Dois suspeitos foram identificados, de acordo com informações da mídia belga: eles são os irmãos Khalid e Ibrahim el-Bakraoui. Segundo a rede de TV RTBF, os irmãos eram conhecidos pela polícia, e Ibrahim teria sido reconhecido na análise de imagens de câmeras de segurança do aeroporto de Zaventem. Outro suspeito é Najim Laachraoui. Na quarta-feira um jornal belga chegou a divulgar informação de que Laachraoui tinha sido preso, mas a informação não chegou a ser confirmada pelas autoridades. Ele tinha sido identificado como um dos cúmplices de Salah Abdeslam.

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A polícia acredita que Ibrahim cometeu um ataque suicida no aerporto, em que também houve a explosão de uma bomba escondida em uma bolsa. Khalid teria sido o autor do ataque suicida no metrô.

Como foram os ataques?

As duas explosões no aeroporto ocorreram por volta das 8h de Bruxelas (4h de Brasília), na área de check-in. Testemunhas relataram ter ouvido tiros e gritos em árabe pouco antes das explosões, e que vítimas que escaparam da primeira explosão foram atingidas pela segunda após correr em busca de refúgio.

A explosão no metrô ocorreu pouco mais de uma hora depois: um trem do metrô estava deixando a estação quando uma bomba explodiu, aparentemente no vagão central da composição, formada por três.

Quantas pessoas morreram?

Segundo as autoridades belgas, 34 pessoas morreram nas explosões, mas o total de fatalidades ainda não foi confirmado.

O Ministério da Saúde informou que 14 pessoas morreram e 81 ficaram feridas no aeroporto. Já a Prefeitura de Bruxelas disse que 20 pessoas morreram em Maelbeek.

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Pelo menos 250 ficaram feridas, 17 delas com gravidade.

O que a polícia está fazendo?

A polícia federal belga fez uma série de operações em Bruxelas na terça-feira, concentradas no bairro de Schaerbeek e um porta-voz da Procuradoria-Geral anunciou que os agentes encontraram uma bomba de fabricação caseira, produtos químicos e uma bandeira do Estado Islâmico. No aeroporto, foram encontrados um colete explosivo e um fuzil Kalashnikov.

Por que Bruxelas?

O ministro do Interior da Bélgica, Jan Jambon, disse na segunda-feira que os serviços de segurança do país temiam ataques em represália à prisão de Abdeslam. Mas Bruxelas é o que se pode chamar de um alvo tentador para militantes islâmicos por ser o centro nervoso da União Europeia. E as autoridades belgas há anos têm lidado com o crescimento do extremismo em sua população muçulmana.

Centenas de jovens belgas, por exemplo, se juntaram às fileiras do Estado Islâmico no Iraque e na Síria. Há células islamistas em diversas partes da Bélgica. Mas o subúrbio de Molenbeek, em Bruxelas, que tem grande população de origem étnica marroquina, ficou conhecido como um celeiro de radicais. Diversos militantes que participaram dos ataques de novembro em Paris, moravam em Molenbeek. Foi lá, por sinal, que Salah Abdeslam foi preso, em 18 de março.

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Bruxelas já está em alerta há tempo: 10 dias depois dos atentados em Paris, os serviços de inteligência obtiveram informações sobre um ataque iminente e por diversos dias a cidade ficou sitiada, com o transporte público interrompido e a população obedecendo a recomendações para ficar em casa.

Revanche ou planejamento?

A prisão de Adbeslam foi um golpe para o Estado Islâmico. Ele foi descrito pelas autoridades como um articulador dos militantes, responsável pela logística dos atentados - alugou apartamentos e comprou material para a fabricação dos explosivos. Dias antes de sua captura, um cúmplice, Mohamed Belkaid, foi morto pela polícia.

"A hipótese mais provável é que os ataques estavam sendo planejados e, por causa das prisões, foram antecipados porque os terroristas sabiam que estavam sendo procurados", diz o acadêmico belga Dave Sinardet.

Houve falha da inteligência?

A Bélgica desde novembro estava em alerta e forças de segurança tinham sido mobilizadas para diversas cidades do país. Mas, além dos problemas logísticos, há uma questão institucional: apesar de ser uma cidade pequena para os padrões de uma capital europeia, Bruxelas tem seis distritos policiais. E seu sistema de vigilância com câmeras de segurança é bem menos sofisticado que Paris e Londres.

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"Temos problemas, porque durante anos não pusemos esforços suficientes na questão da segurança contra ataque islâmicos. Mas este tipo de ataque é muito difícil de ser evitado", explica Sinardet.

Haverá mais ataques?

Essa é a pergunta que preocupa os belgas. A polícia ainda procura suspeitos de planejar atentados. Segundo o especialista americano em segurança Clint Watts, existe uma "teoria do iceberg" para explicar ataques jihadistas: para cada extremista, há uma série de ajudantes trabalhando nos planos. O que vemos é a ponta de um iceberg.

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