Nos EUA, Marina diz que impeachment de Dilma é válido e não é golpe

João Fellet - Da BBC Brasil em Chicago (EUA)

A ex-senadora Marina Silva defendeu no sábado em Chicago (EUA) a validade da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Convidada a discursar no encerramento de uma conferência de estudantes brasileiros na Universidade de Chicago, Marina disse que as revelações da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras, tornaram o impedimento da petista justificável política e juridicamente.

Marina afirmou ter sugerido que seu partido, a Rede, votasse na comissão que discute o impeachment pela admissibilidade do processo contra Dilma.

"Entendo que não é golpe e que se explicitaram as bases para o impeachment", disse a ex-senadora.

Ela ressalvou, porém, que a Rede deverá liberar o voto de seus congressistas na análise do impeachment pelo plenário da Casa.

Os quatro deputados da Rede divergem sobre o tema. Segundo Marina, o partido não enquadraria posições diferentes da majoritária.

Mesmo assim, Marina voltou a defender a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como a melhor saída para a crise política no país.

Segundo a ex-senadora, se for comprovado que o "dinheiro da corrupção fraudou as eleições" de 2014, o TSE deveria cassar a chapa. Se isso ocorrer até o final deste ano, caberia ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que assumiria a presidência interinamente, convocar novas eleições num prazo máximo de 90 dias.

"O julgamento do TSE é mais legítimo pois ele não é apenas político, mas é baseado em fatos. (...) O melhor é que o TSE devolva aos 200 milhões de brasileiros a possibilidade de outra escolha", defendeu Marina.

A ex-senadora disse que, em delação premiada recente, um executivo da empresa Andrade Gutierrez afirmou que o dinheiro do "petrolão" era igualmente dividido entre PT e PMDB.

"Imaginar que dos dois partidos que reviraram tudo só um seja punido e o outro seja ungido não dá", afirmou.

Se novas eleições forem convocadas, ela defendeu que o presidente eleito comande um governo de transição e não se candidate à reeleição.

As declarações de Marina ocorreram na BrazUSC, conferência organizada pela associação de estudantes brasileiros no exterior (Brasa).

O evento também teve como convidados o juiz Sérgio Moro, o médico Drauzio Varella e o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy.

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