'Ninguém se salvou nessa crise', diz empresário que demitiu 15% dos funcionários

Dono de uma rede de postos de gasolina no interior de São Paulo e piloto de avião, Claudio Eduardo Schmidt, 48, é a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Ele afirma ter sido forçado a demitir funcionários devido à crise vivida no país nos últimos anos. "O país retrocedeu e, nos meus negócios, eu perdi cerca de 20% nas vendas. Diminuí o meu quadro de funcionários em 15% apenas de 2014 para cá. Ninguém se salvou nessa crise. O preço da gasolina, enquanto cai no mundo inteiro, aqui aumenta direto para a gente pagar a conta do rombo da Petrobras", disse.

Para ele, as pedaladas fiscais são motivos suficientes para a presidente deixar o poder. "A Dilma pedalou e enganou os eleitores que votaram nela. Isso é crime e justifica o impeachment. Eles (PT) aumentaram muito os custos do governo, criaram ministérios para vender mais cargos e se perpetuar no poder. Ninguém aguenta mais isso", afirmou.

Para ele, a presidente mentiu durante sua campanha eleitoral ao dizer que o país estava com as contas em dia e que a economia se ajustaria nos meses seguintes. "A Dilma enganou 54 milhões de pessoas. O PT agora ainda diz que impeachment é golpe, mas costumava pedir impeachment por muito menos quando era oposição."

  • VOZES DO IMPEACHMENT: Esta reportagem é parte de uma série da BBC Brasil, ouvindo cidadãos de diferentes pensamentos políticos e classes sociais a respeito do impeachment. Veja as demais:
  • 'Paguei um preço alto por apoiar governo', diz socialite contrária ao impeachment

Novas eleições

Schmidt defende que a melhor solução seria o país fazer novas eleições. Mas, por opinar que as chances de isso ocorrer são pequenas, ele torce por uma sequência de cassações.

"A Dilma tem que sair logo e entrar o (vice) Michel Temer. Cunha vai para a cadeia, Lula vai para a cadeia. Se o (senador do PSDB) Aécio Neves estiver envolvido, pau para a cabeça do Aécio também. Nós temos que acabar com essa organização criminosa que comanda o país há muito tempo", defende.

"A saída da Dilma será apenas um começo para a gente acabar com esse negócio de usar um erro para justificar o outro. Não é porque todos roubam que isso vai ser aceito. Isso não cola mais."

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