A matemática de Dilma: Os números que definirão o destino da presidente

Palavras não faltam: desde sexta-feira, parlamentares se revezaram na tribuna da Câmara dos Deputados para externar sua defesa ou oposição - muitas da vezes raivosas - à abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff. Só a votação, que deveria ser mais breve, durou mais de seis horas.

Nas últimas semanas, porém, as letras dividiram espaço nos bastidores com uma gama de números que terão papel decisivo no destino da presidente.

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Afinal, quantos votos são necessários para que ela seja afastada agora que o processo segue para o Senado? E quantos foram obtidos na Câmara?

Aos números que respondem as dúvidas acima, somam-se alguns outros. Confira a matemática:

367

É o número de deputados que disseram "sim" ao impeachment na noite de domingo e fizeram que o processo de afastamento de Dilma seguisse para o Senado. Foram 25 votos a mais que o mínimo necessário para dar continuidade ao processo.

146

Foram os votos contra o impeachment na Câmara - incluindo abstrações e ausências.

O governo havia tentado obter os votos necessários em um intenso trabalho de convencimento de deputados ao longo da última semana.

Mas o governo foi perdendo apoio e viu até mesmo a saída do PSD e do PP da base aliada.

81

Essa é a quantidade de votos que estarão em jogo para o próximo passo da tramitação do pedido de impeachment.

Trata-se do número de parlamentares que compõem o Senado Federal, Casa onde Dilma pode ser, enfim, processada e julgada.

41

Esses são os votos necessários para que o Senado abra, ou mande arquivar, o processo autorizado pela Câmara no domingo. Isso quer dizer que os senadores podem reverter a decisão da Câmara dos Deputados - fazendo com que a presidente nem chegue a ser julgada.

O número corresponde à metade + 1 dos integrantes da Casa legislativa. Segundo relatos na imprensa, a articulação é para que tal votação ocorra no dia 11 de maio.

180

É a quantidade máxima de dias nos quais Dilma poderia ficar afastada temporariamente, à espera do julgamento, caso mais da metade dos senadores optasse por iniciar o processo contra ela.

Nesse período, o vice Michel Temer (PMDB) assumiria o cargo e a petista teria o salário cortado pela metade, mas poderia continuar morando no Palácio da Alvorada. Se a Casa não concluísse o caso nesse prazo, a presidente retomaria a cadeira de presidente e esperaria pela decisão governando o país.

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54

São os votos mínimos necessários em um julgamento de impeachment para que um presidente da República perca, em definitivo, seu cargo. Esse número corresponde a dois terços dos senadores.

Eles teriam de proferir seus votos, também nominalmente, durante a sessão, na qual o Senado seria presidido especialmente pelo presidente do Supremo Tribunal Federal.

28

Esses são os votos que Dilma precisaria ter a seu favor no Senado para manter seu mandato - isso não significa, porém, que todos teriam de ser contrários ao impeachment.

A exemplo da Câmara, são computados nessa conta, além dos "nãos", as ausências e abstenções.

8

É o número de anos em que a presidente ficaria inelegível caso sofra o impeachment.

Em meses, são 96. Em dias, 2.922. Ao fim desse período, Dilma teria 76 anos de idade.

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61%

Essa é a porcentagem da população favorável ao impeachment, segundo pesquisa do Datafolha feita nos dias 7 e 8 de abril. O índice foi mais baixo que um levantamento interior, dos dias 17 e 18 de março (68%). A porcentagem dos que defendem o impeachment de Temer na mesma ocasião foi de 58%.

Este texto foi publicado originalmente em 17 de abril de 2016 e atualizado após a votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara.

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