9 momentos que marcaram a votação do impeachment no Senado

A sessão que decidiria pela continuidade do impeachment de Dilma Rousseff no Senado começou na quarta-feira às 10h, com uma hora de atraso, e se estendeu até pouco depois das 6h30 desta quinta-feira, quando 55 senadores votaram a favor do processo contra a petista e 22 se posicionaram contra.

Ao todo, 71 senadores se inscreveram para falar sobre o processo antes da votação propriamente dita acontecer. Foram cerca de 20 horas de discursos até que os votos fossem computados.

A BBC Brasil preparou uma lista com os momentos mais marcantes da sessão.

1- Atrasos

O início da fase de discursos da sessão de votação do impeachment no Senado estava marcado para 9h desta quarta-feira. No entanto, no horário agendado, nem metade dos senadores estava no plenário. Antes de abrir a sessão, o presidente da Casa, Renan Calheiros, ainda falou aos jornalistas e só deu início aos trabalhos "sob a proteção de Deus", conforme anunciou, às 10h, com uma hora de atraso.

Renan prometeu duas pausas na sessão para almoço e jantar. A primeira aconteceu conforme previsto, pontualmente, às 12h30, quando depois de cinco discursos - dos 71 previstos -, a sessão foi interrompida. A volta deveria ter acontecido às13h30, conforme havia prometido o presidente da Casa, mas acabou acontecendo apenas às 14h30, duas horas depois do início da pausa.

Uma nova pausa foi feita por volta de 18h20 com duração prevista de 45 minutos. Desta vez, os senadores voltaram com um atraso de cerca de 15 minutos.

2 - Renan pede 'serenidade e espírito político' na votação

Ao abrir a sessão no Senado, Renan Calheiros fez um discurso dizendo que não iria votar para "manter sua independência" no cargo e pediu aos senadores "serenidade e espírito político" para tomarem sua decisão.

"Tentem deixar de lado passionalidades ou mera motivação partidária. A questão que se coloca é uma só: existem indícios de crime de responsabilidade pela presidente da República em 2015 que justifiquem a abertura do processo e seu afastamento?".

3 - Questões de ordem

A sessão começou, porém, não com o início das falas dos 71 oradores inscritos para comentarem o processo de impeachment antes do voto, mas sim com uma série de pedidos de "questão de ordem" vindas de setores governistas, numa tentativa de suspender a votação ou ao menos procrastiná-la.

A primeira a fazer o pedido foi Gleisi Hoffmann, do PT. "Peço que suspenda a votação por esse Senado do pedido de impeachment até que haja manifestação do STF no mandado de segurança", disse ela em referência ao pedido da Advocacia-Geral da União junto ao Supremo alegando que as atitudes do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, na condução do processo teriam sido motivadas por "vingança" e "retaliação" e, por isso, tornariam o processo ilegítimo.

Outro pedido de questão de ordem veio de Lindbergh Farias, também do PT, que pediu a suspensão do processo de impeachment até que as contas da presidente de 2015 fossem votadas pelo TCU.

Renan Calheiros não acatou nenhum dos pedidos, mas eles atrasaram o início efetivo da sessão em mais uma hora.

4 - Momento de descontração de Renan

Logo após negar as questões de ordem propostas pelos senadores governistas, o presidente do Senado, Renan Calheiros, foi dar prosseguimento à sessão abrindo para a lista de oradores e teve o primeiro - e talvez único - momento de descontração do Congresso.

Ele brincou com a radialista Aparecida Ferreira, da Rádio Itatiaia, dizendo que a voz "vibrante" dela estaria ecoando mais do que a voz dele próprio.

"Sua voz é tão vibrante que está ecoando mais aqui no plenário do Congresso do que a minha voz", disse.

5 - Teori Zavascki nega pedido da AGU

O ministro do STF Teori Zavascki rejeitou o pedido do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, para anular o processo de impeachment por conta do "desvio de finalidade" de Eduardo Cunha ao conduzi-lo.

A decisão de Teori aconteceu durante a sessão de votação do Senado e garantiu a continuidade do processo na Casa conforme estava programado.

6 - Discursos madrugada adentro

A sessão, que começou na manhã da quarta-feira, só foi encerrada às 6h34 da manhã de quinta-feira. Cada um dos 71 senadores inscritos discursou por 15 minutos, e o presidente do Senado, Renan Calheiros, fez duas pausas: para o almoço e para o jantar.

Muitos senadores passaram a madrugada no plenário, acompanhando os discursos dos colegas. O último a falar foi Raimundo Lira (PMDB-PB), que presidiu a Comissão do Impeachment. Durante os discursos, 50 se manifestaram pelo afastamento da presidente, 20 contra e um (Fernando Collor) não adiantou o voto.

7- Discurso de Collor

Primeiro presidente a sofrer um impeachment na redemocratização, o senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL) também usou os 15 minutos para discursar na sessão.

Ele relembrou o processo que o tirou do cargo, em 1992, e fez críticas ao sistema presidencialista, ao governo de Dilma Rousseff e à lei de do impeachment. Durante o discurso, ele não revelou o voto, mas acabou votando pela continuidade do processo contra Dilma Roussseff.

Collor chegou a afirmar que alertou a presidente sobre o que considerou "erros da economia, da excessiva intervenção estatal e da falta de diálogo com o parlamento'.

"Nas minhas poucas oportunidades com a presidente, sugeri uma reconciliação com seu governo e com a classe política. Alertei sobre a possibilidade de impeachment", disse o senador no discurso.

8 - José Eduardo Cardozo faz a defesa final

Depois de 20 horas de sessão, o último a falar, também por 15 minutos, foi o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo. Em uma fala bastante emocionada e inflamada, ele defendeu que não houve crime de responsabilidade por parte da presidente Dilma Rousseff e que o Senado estaria comentendo uma "injustiça histórica".

"Está-se neste momento condenando uma mulher honesta e inocente. Se está cometendo uma injustiça histórica", afirmou.

Cardozo citou o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha e o acusou de chantagem e vingança ao abrir o impeachment e voltou a classificar o processo como um "golpe". Ele ainda afirmou que as "pedaladas fiscais" das quais Dilma foi acusada teriam sido cometidas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

9 - Votação

Apesar da demora nos discursos, e de uma longa sessão, a votação sobre a admissibilidade do impeachment foi rápida, e realizada através de painel eletrônico.

Por volta das 0h30 o presidente da Casa, Renan Calheiros, abriu a votação e em menos de 3 minutos, o resultado foi divulgado em painel: 55 senadores votaram a favor do processo, e 22 contra. Para seguir adiante, o impeachment precisava apenas de maioria simples no Senado. Calheiros, como presidente, não votou.

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