A difícil recuperação do casal que esteve 36 horas preso sob escombros após terremoto no Equador

Paul Mena Erazo - Especial para a BBC Mundo, no Equador

Especial para a BBC Mundo, no Equador

  • Corpo de Bombeiros de Quito

As imagens do resgate entre escombros de Vanessa Baque e Segundo Pin correram o mundo.

O casal havia passado 36 horas preso sob ruínas de um centro comercial na cidade portuária de Manta, no Equador, uma das regiões mais afetadas pelo terremoto do mês passado, que deixou mais de 650 mortos.

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Naquela noite de sábado, 16 de abril, quando um terremoto de 7,8 graus sacudiu o Equador, o casal havia visitado o centro comercial Felipe Navarrete. Buscavam uma vela para celebrar o aniversário de Vanessa no dia seguinte.

Após o forte tremor de terra, ambos acabaram presos com outros visitantes entre restos de paredes, vidro, poeira e concreto.

Nesta segunda-feira, um mês após o terremoto, o casal, resgatado pelo Corpo de Bombeiros de Quito, ainda vive uma luta intensa pela recuperação emocional.

"Não consigo assimilar que passamos um momento tão difícil e que conseguimos sair de lá. Mas ainda tenho na cabeça as pessoas chorando e gritando entre os escombros", disse Vanessa, de 36 anos, à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Sono difícil

O maior medo de Vanessa é um novo terremoto.

Mais de 1.400 tremores menores foram registrados no país desde o abalo sísmico de abril, segundo o Instituto Geofísico do país.

No entanto, a frequência e a magnitude desses abalos vem diminuindo.

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"Quando há alguma réplica forte ficamos nervosos. Minha mulher começa a chorar e gritar, não sabe o que fazer e quer sair correndo", disse Segundo Pìn.

Ele também diz ter dificuldades para dormir. A mulher toma remédios para relaxar, mas o marido evita. Prefere acalmá-la, dizendo que a levará a um local seguro em caso de novo abalo.

O casal viajou na semana passada a Quito para receber atenção médica e psicológica graças ao apoio dos mesmos bombeiros que os liberaram dos escombros em Manta.

Era a primeira vez que conheciam a capital do país, mas ficaram poucos dias porque não se acostumaram ao clima e à altura da cidade. Agradeceram, porém, a atenção recebida.

"Ambos são pessoas formidáveis", afirmou o comandante do Corpo de Bombeiros de Quito, Eber Arroyo, que atuou no resgate do casal e acompanhou a dupla nas terapias na capital. "Eles estão vivos por duas razões fundamentais: o profundo amor que têm e o controle do pânico que Segundo teve e que permitiu ajudar sua mulher no ambiente em que estavam."

Superação

Lembrar do episódio ainda é difícil para a dupla.

"É difícil tirar (o terremoto) da cabeça e do coração", afirma Vanessa, entre lágrimas, em sua casa em Manta, que ficou com paredes rachadas após o abalo.

Vanessa chora pelas famílias afetadas pelo terremoto. Fica triste ao ver boa parte de sua província de Manabí devastada. E teme ficar sozinha quando seu marido tiver que voltar ao trabalho em uma fábrica na cidade.

"Fico com muita pena e nostalgia por todas essas pessoas que ficaram presas e não conseguiram sair com vida", diz.

Vanessa e Segundo dizem que seguirão em frente "como todos os manabitas (habitantes da província) estão fazendo".

"Passei meu aniversário presa, mas foi como voltar a nascer naquele resgate. Deus nos presenteou com a vida mais uma vez e seguiremos adiante", diz Vanessa.

E o marido reforça: "Devemos começar do zero e seguir porque a vida segue. Nós que sobrevivemos damos graças a Deus por ter saído com vida desse terremoto. E seguiremos com a mesma força que tivemos para sair dos escombros."

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