O ataque em Orlando pode beneficiar a candidatura de Donald Trump?

Anthony Zurcher

Da BBC News

  • Cathal McNaughton/Reuters

    14.jun.2016 - Ao lado de imagem de Donald Trump segurando uma arma, membros do grupo radical de direita Hindu Sena, em Nova Déli (Índia), festeja o aniversário do pré-candidato à presidência dos EUA. O republicano completa 70 anos nesta terça-feira

    14.jun.2016 - Ao lado de imagem de Donald Trump segurando uma arma, membros do grupo radical de direita Hindu Sena, em Nova Déli (Índia), festeja o aniversário do pré-candidato à presidência dos EUA. O republicano completa 70 anos nesta terça-feira

Após atentado, candidato republicano à Casa Branca redobrou retórica dura sobre imigração e segurança nacional

As análises que dão como certa a eleição de Hillary Clinton para a Casa Branca geralmente contêm um porém.

Fato: a candidata democrata leva vantagem na matemática eleitoral e organização de campanha, ao passo que as opiniões polêmicas e declarações infelizes de Donald Trump o deixam vulnerável politicamente.

Mas pode um ataque extremista islâmico poucos meses antes das eleições de novembro influenciar esse cálculo?

O candidato republicano - que defende a proibição de que muçulmanos entrem nos EUA - não perdeu tempo e emitiu suas opiniões no Twitter logo após ser revelado que o responsável pelo ataque em Orlando foi um americano filho de imigrantes afegãos e suposto seguidor do autodenominado Estado Islâmico.

"Agradeço os cumprimentos por estar certo em relação ao terrorismo radical islâmico. Não quero congratulações, quero firmeza e vigilância. Precisamos ser inteligentes!", tuitou Trump.

A exemplo de muitos de seus tuítes, a mensagem de Trump provocou reações imediatas, tanto positivias quanto negativas.

"Mais uma vez, Donald, você nos mostrou por que não pode ser nosso líder. 50 pessoas morreram e você se preocupa com cumprimentos", replicou o ativista por direitos gays e ator (o Sulu de Jornada nas Estrelas) George Takei.

O candidato republicano continuou seu ataque, criticando o presidente Barack Obama pela "recusa em sequer usar as palavras 'islamismo radical'". Obama chamou o ataque de "um ato de terror e ódio", e disse que era "mais um lembrete" de como é fácil adquirir armas de fogo nos EUA.

"Se não endurecermos rapidamente, não vamos ter um país no futuro", escreveu o bilionário.

"Como nossos líderes são fracos, eu disse que isso aconteceria - e só vai ficar pior. Quero salvar vidas e evitar o próximo ataque terrorista. Não podemos mais ser politicamente corretos."

Nesta segunda-feira, ele reiterou seu discurso de banir a imigração muçulmana, afirmando que a "única razão pela qual esse atirador estava nos EUA" era o fato de seu pai ter emigrado do Afeganistão ao país.

O que isso quer dizer, ninguém sabe. Filhos de imigrantes muçulmanos, como o suposto atirador, Omar Mateen, seriam submetidas a triagens? Os críticos de Trump imaginam o pior.

O republicano prosseguiu, desta vez criticando Hillary Clinton por apoiar a ideia de receber 65 mil refugiados sírios nos EUA. Disse que Clinton pretende "aumentar dramaticamente as entradas (de cidadãos) do Oriente Médio" e que os EUA "não têm como checar seus histórico, pagar os seus custos ou evitar que a segunda geração se radicalize".

Entrementes, a democrata soltava seu próprio comunicado de imprensa, que, em linhas gerais, seguia a declaração de Obama.

"Precisamos redobrar os esforços para defender nosso país de ameaças domésticas e externas", escreveu Clinton no Facebook.

"Isto significa derrotar grupos terroristas internacionais, trabalhar com nossos parceiros e aliados para pegá-los onde quer que estejam, resistir a suas tentativas de recrutar pessoas aqui ou em qualquer lugar e reforçar as defesas em casa. Também quer dizer nos recusarmos a ser intimidados e manter nossos valores."

A candidata disse que a comunidade LGBT é sua aliada, e pediu mais medidas de controle do porte de armas, dizendo que "armas de guerra não têm lugar nas nossas ruas".

Hillary Clinton fez do porte de armas um item de sua campanha - uma área em que ela conseguiu se posicionar à esquerda de seu oponente democrata na corrida pela indicação do partido, Bernie Sanders. Suas declarações mais recentes tentam fazer disto um problema de segurança nacional.

É uma estratégia que não deu certo com Barack Obama e parlamentares democratas, que tentaram impulsionar discussão após os ataques em San Bernardino, na Califórnia, em dezembro. Porém, a questão do controle às armas esbarra em divisões partidárias até agora incontornáveis.

Os três temas - armas de fogo, imigração e segurança de fronteiras e extremismo islâmico - estão agora no centro da corrida eleitoral.

Trump vinha se distanciando sem alarde de sua proposta de proibir temporariamente a entrada de muçulmanos nos EUA. Desde o fim de semana, ele não só voltou a falar dela explicitamente, como passou a se vangloriar de sua capacidade de enxergar adiante.

"O que aconteceu em Orlando é apenas o começo. Nossa liderança é fraca e inefetiva. Pedi e defendi a proibição (à entrada de muçulmanos nos EUA)", tuitou.

Trump havia prometido fazer nesta segunda-feira um discurso focado em sua mensagem econômica de campanha. Agora, ele diz que a fala será sobre "ataques terroristas, imigração e segurança nacional".

O cálculo do bilionário parece ser o de que, após o ataque em Orlando, a opinião pública americana considerará "insustentável" a situação do país nessas três esferas.

Antes do ataque, o prospecto de uma disputa ferrenha entre Hillary Clinton e Donald Trump era puramente retórico. Agora parece real.

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