Protestos, obras olímpicas e "microentrevista": a 1ª viagem oficial de Temer

Jefferson Puff

No Rio

  • Rudy Trindade/Frame Photo/Estadão Conteúdo

    O presidente interino respondeu a poucas perguntas de jornalistas

    O presidente interino respondeu a poucas perguntas de jornalistas

Em seu primeiro compromisso oficial fora de Brasília desde que assumiu o poder, o presidente interino Michel Temer se reuniu no Rio de Janeiro nesta terça-feira (14) com o presidente do  COI (Comitê Olímpico Internacional), Thomas Bach, visitou obras olímpicas, foi alvo de protestos e deu uma curta entrevista a jornalistas --na qual respondeu a pouquíssimas perguntas.

Dentro do Parque Olímpico, Temer encontrou-se com o chefe do COI acompanhado de diversos ministros, entre eles os chefes das pastas do Esporte, Saúde e Justiça. A comitiva incluiu também o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), e do governador em exercício, Francisco Dornelles (PP).

Após o primeiro contato com o presidente interino, que deve abrir a Olimpíada daqui a 52 dias, o chefe do COI se disse "ainda mais confiante" de que o Rio sediará "grandes Jogos Olímpicos".

Em meio a uma grande aglomeração --que incluiu ministros quase tropeçando uns nos outros-- , Temer concedeu uma pequena entrevista coletiva, cuja curta duração frustrou a imprensa nacional e internacional.

O presidente interino falou por menos de cinco minutos, nos quais respondeu a meia dúzia de perguntas. E encerrou a fala de forma abrupta quando questionado sobre os protestos que ocorriam do lado de fora do Parque Olímpico. "Tenho a convicção de que estamos produzindo algo extraordinário para o Brasil e o mundo", disse Temer ao abrir sua fala.

Questionado sobre a possibilidade de o julgamento do impeachment acontecer em meio aos Jogos e se achava que a presidente afastada Dilma Rousseff seria convidada para a cerimônia olímpica, respondeu com um "tanto faz". "A Olimpíada será uma oportunidade de reconciliação do país", disse, sem dar mais detalhes.

Sobre o orçamento e os repasses do governo federal, Temer disse que "o sucesso da Olimpíada é o sucesso do Brasil", e afirmou aos jornalistas que há um "comprometimento financeiro" com os Jogos.

Ao falar da obra mais importante para a logística e mobilidade urbana dos Jogos, a linha 4 do metrô carioca, o presidente interino disse que nos próximos dias deve "equacionar os detalhes finais" do repasse de R$ 1 bilhão necessário para finalizar a ligação Zona Sul-Barra do metrô, projeto mais caro da Olimpíada.

BBC Brasil
Protestos do lado de fora do Parque Olímpico

Tumulto e "Fora Temer"

Nos portões de acesso ao Parque Olímpico, houve tumulto quando cerca de 50 manifestantes invadiram a arena HSBC e foram contidos por agentes de segurança e pela Polícia Militar - Temer e a comitiva estavam em outra arena, a cerca de 700 metros.

Os manifestantes, que entoavam gritos de "Fora Temer", vieram de ônibus da ocupação do Palácio Gustavo Capanema, representação do Ministério da Cultura no Rio. Eles julgam o governo interino ilegítimo e tecem críticas à Olimpíada.

Luciana, de 30 anos, batia um tambor diante dos cerca de 20 soldados do Exército chamados para conter o protesto. "Não vamos parar. Vai haver muito protesto durante a Olimpíada", disse.

Não longe dali, o vendedor Cléber José, de 48 anos, comemorava com um colega a movimentação causada pela visita do presidente interino. Cléber, que era dono de uma relojoaria que faliu, agora vende "quentinhas" aos trabalhadores do Parque Olímpico --R$ 10 cada uma.

"Num dia de sorte, ninguém vem confiscar ou nos tirar daqui, e vendemos cerca de 50 quentinhas. São R$ 500, mas ainda tem gasolina, despesas. Moramos em Nova Iguaçu, na Baixada", contou.

Cléber disse que pediria ao presidente interino, caso tivesse a oportunidade de se reunir com ele, que se dedicasse a resolver a crise econômica. "Diria pra ele que o mais importante nesse momento é a crise, é a vida do trabalhador, de quem está aqui do lado de fora tentando pagar as contas", afirma. "Isso é mais importante que a Olimpíada."

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