Atirador de Dallas 'agiu sozinho', dizem autoridades

Micah Johnson, o homem acusado de matar cinco policiais em um ataque durante um protesto na cidade americana de Dallas, teria agido 'sozinho', informaram autoridades.

"Acreditamos que a cidade está a salvo agora", disse o prefeito de Dallas, Mike Rawlings.

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Material para a confecção de bombas e rifles foram encontrados na casa de Johnson, que morreu em confronto com a polícia na sexta-feira.

O ataque aconteceu durante um protesto em Dallas contra a morte de dois homens negros pela polícia. A manifestação atraiu milhares de pessoas. Protestos semelhantes também ocorreram em outras cidades americanas.

'Fim de semana de fúria'

O chefe da polícia de Dallas, David Brown, e o secretário de segurança doméstica dos Estados Unidos, Jeh Johnson, confirmaram a versão do prefeito da cidade. Segundo ele, Johnson teria agido sozinho.

Mas o governador do Estado americano do Texas, Greg Abbott, disse que a polícia "continuaria a apurar qualquer novo indício...de forma a assegurar que não houve nenhum outro possível suspeito ou co-conspirador".

Na sexta-feira, autoridades falaram de um ataque coordenado envolvendo pelo menos dois atiradores.

Outros três suspeitos foram presos após o ataque, mas a polícia não divulgou informações mais detalhadas sobre eles.

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Ataques a tiros envolvendo policiais e civis também ocorreram em outras partes dos Estados Unidos após a morte de dois homens negros em Minnesota e Louisiana.

  • No Tennesse, um veterano negro do Exército matou uma mulher e feriu outras três pessoas, incluindo um policial, ao abrir fogo em uma rodovia na manhã de quinta-feira, antes dos ataques em Dallas. Depois de sua prisão, Lakeem Keon Scott disse a investigadores que foi motivado pela violência policial contra afro-americanos.
  • No Missouri na sexta-feira, um policial foi baleado nas costas. O ataque aconteceu quando ele retornava ao carro depois de parar um homem negro e pedir sua carteira de habilitação. Antonio Taylor, de 31 anos, acabou preso, mas sua motivação ainda é desconhecida.
  • Também no mesmo dia, na Geórgia, outro policial foi baleado quando respondia a um chamado de um homem que alegou que seu carro havia sido arrombado. O motivo tampouco foi revelado.
  • Na manhã deste sábado, em Houston, no Texas, um policial matou a tiros um homem que teria apontado uma arma para a polícia em uma rua. No Twitter, usuários compartilharam a hashtag #Alvabraziel dizendo que o suspeito era negro e teria sido baleado 10 vezes. Alguns questionaram se ele realmente estava armado.

Na capital do Estado da Geórgia, Atlanta, na sexta-feira à noite, milhares de pessoas protestaram contra as mortes de negros pela polícia. Ruas foram bloqueadas, mas a manifestação permaneceu pacífica.

Outros protestos com motivações semelhantes foram realizados em outras cidades americanas, como Houston, Nova Orleans e San Francisco.

A polícia informou que efetuou prisões, mas as manifestações foram, no geral, pacíficas.

Líderes da organização Black Lives Matter ("Vidas dos negros importam", em tradução livre) condenaram as mortes em Dallas, mas disseram que os protestos planejados, incluindo o chamado "Fim de Semana de Fúria" na Filadélfia, vão ser realizados.

Em Dallas, o prefeito Mike Rawlings pediu que os americanos "se esforcem" para "curar as feridas raciais" dos Estados Unidos. As declarações foram feitas durante uma vigília em homenagem aos policiais mortos.

'Morte aos brancos'

A polícia de Dallas disse que material para confecção de explosivos foi encontrado na casa onde Micah Johnson Morava com a mãe, no subúrbio de Mesquite.

Johnson foi morto por explosivos detonados remotamente pela polícia enquanto trocava tiros com policiais em um edifício-garagem. Ele havia se refugiado no local após os ataques.

Rawlings disse que as autoridades deram ao suspeito a chance de "se render ou permanecer no local", acrescentando que Johnson escolheu "a segunda opção".

Johnson era um veterano do Exército americano e serviu no Afeganistão. Ele não tinha antecendentes criminais.

No entanto, ele teria sido enviado de volta para os Estados Unidos após ter sido acusado de assédio sexual por uma colega.

O chefe da polícia de Dallas, David Brown, afirmou a negociadores que queria matar brancos, especialmente policiais, porque estava irritado pelas recentes mortes de homens negros pela polícia.

Dois civis também foram feridos durante os ataques.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que está participando de uma cúpula da Otan na Polônia, descreveu os ataques em Dallas como "perversos, calculados e desprezíveis".

Ele determinou que todas as bandeiras fossem hasteadas a meio-mastro nos prédios do governo.

Obama deve ir a Dallas no início da semana que vem, reduzindo sua passagem pela Espanha como parte de sua viagem pela Europa, informou a Casa Branca.

O ataque em Dallas foi o dia mais letal para a polícia americana desde os atentados de 11 de setembro de 2001.

Os protestos foram motivados pela morte de Philando Castile e Alton Sterling pela polícia. Castile foi morto depois de ter o seu carro parado pela polícia em St Paul, em Minnesota, na quarta-feira. Já Sterling foi morto um dia antes em Baton Rouge, na Louisiana.

Ambos os incidentes foram gravados em vídeo, reacendendo um debate nacional sobre a violência policial contra negros.

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