De Hillary 'enfermeira de hospício' a Putin 'elfo doméstico': os insultos internacionais de Boris Johnson

  • Andrew Matthews/ Reuters

    O novo chanceler já chamou a americana Hillary Clinton de "enfermeira sádica de hospício" e escreveu que o presidente sírio, Bashar al-Assad, era um "louco"

    O novo chanceler já chamou a americana Hillary Clinton de "enfermeira sádica de hospício" e escreveu que o presidente sírio, Bashar al-Assad, era um "louco"

Colecionador de gafes envolvendo líderes estrangeiros, o ex-prefeito de Londres Boris Johnson responde agora pela diplomacia britânica.

Líder da campanha pró-Brexit, que selou a saída do Reino Unido da União Europeia, ele foi indicado ao cargo de chanceler pela nova primeira-ministra Theresa May.

Johnson tem no currículo uma série de polêmicas internacionais, envolvendo pelo menos dez países diferentes. Ainda assim, foi uma das primeiras escolhas de May, que assumiu o cargo nesta quarta e ainda está montando sua equipe.

As reações no mundo diplomático à indicação do conservador foram imediatas. Nesta quinta, por exemplo, o chanceler francês Jean-Marc Ayrault chamou seu novo homólogo de mentiroso.

"Eu não estou nada preocupado com Boris Johnson, mas você conhece seu estilo, seu método durante a campanha (pró-Brexit). Ele mentiu muito para o povo britânico", disse Ayrault numa entrevista à Radio Europe 1.

O francês afirmou ainda que precisa negociar com alguém que tenha credibilidade e seja confiável.

A resposta de Johnson veio num tom que é pouco convencional ao novo chanceler.

"O ministro das Relações Exteriores francês, de fato, enviou-me uma carta encantadora apenas um par de horas atrás dizendo o quanto ele espera trabalhar em conjunto e aprofundar a cooperação anglo-francesa em todas as áreas."

Mas nem sempre Johnson consegue evitar polêmicas. Confira algumas de sua coleção:

Geoff Caddick/AFP
Johnson, que já criticou Trump, aparece o beijando num mural em Bristol, na Inglaterra

A enfermeira sádica e o ignorante

A língua afiada do novo chanceler não poupou Hillary Clinton nem Donald Trump, os principais candidatos à Presidência dos Estados Unidos - com quem, inevitavelmente, terá que negociar.

Em 2007, comparou a democrata a uma "enfermeira sádica de hospício", descrevendo-a como dona de cabelos loiros tingidos, lábios carnudos e olhar cruel.

Mais recentemente, disse estar "genuinamente preocupado" com a possibilidade de Trump vencer as eleições.

Ele já afirmou que o republicano estava "fora de si" e o classificou de ignorante. E ao ser confundido por fotógrafos com o americano numa viagem aos Estados Unidos, ironizou: "O que é Trump?".

Frases infelizes sobre a África

Johnson já precisou pedir desculpas pelo que falou sobre a África no passado.

Em 2002, ao comentar a visita do ex-premiê britânico Tony Blair ao Congo, usou um termo pejorativo em inglês para se referir a crianças negras.

Nessa ocasião, escreveu ainda que, tão logo Blair chegasse ao país africano, os fuzis AK-47 ficariam em silêncio e os líderes tribais abririam um sorriso.

O pedido de perdão pelos comentários veio anos depois, em 2008, durante a campanha dele à Prefeitura de Londres.

Sobre a colonização europeia na África, disse que, se os nativos de Uganda tivessem sido deixados à própria sorte, contariam apenas com as plantações de banana.

Nem mesmo o presidente norte-americano Barack Obama, que é neto de queniano, escapou das alfinetadas de Johnson sobre a África.

O novo chanceler falava, em março passado, da decisão de tirar o busto de Wiston Churchill do salão oval da Casa Branca, quando disparou:

"Ninguém tem certeza se foi uma decisão do próprio presidente. Alguns dizem que foi uma afronta ao Reino Unido, outros que foi um símbolo da parte queniana dos ancestrais do presidente que não gostam do império britânico, da qual Churchill teria sido um defensor fervoroso."

O elfo russo e o monstro sírio

As comparações de Johnson provocaram polêmica também na Rússia.

Em dezembro, o ex-prefeito escreveu que o presidente russo Vladimir Putin se pareceria com o elfo doméstico Dobby, da série Harry Potter.

Nina Bedacchi Photography/Divulgação
Dobby, o elfo doméstico, se parece com Putin, segundo Boris Johnson

Apesar da aparência, alertou o britânico, Putin é "um tirano cruel e manipulador".

Nesta quinta, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse esperar que a nomeação de Johnson como novo chanceler seja um sinal de um novo começo para estreitar os laços entre Reino Unido e Rússia.

Ao ser lembrado sobre os comentários do britânico, afirmou: "O peso de sua posição atual irá certamente provocar uma retórica de caráter mais diplomático".

Johnson também não poupou críticas ao presidente sírio Bashar al-Assad, a quem chamou de "monstro, um ditador" depois que as tropas do país asiático recuperaram a cidade de Palmira do Estado Islâmico.

Bombas e orgias

Em um artigo escrito em 2006, o novo chanceler elogiou o programa nuclear iraniano, dizendo que a bom era "o único meio infalível" de proteger o país e eleitores da possibilidade de um ataque vindo dos Estados Unidos.

Johnson é famoso por seus posicionamentos pouco convencionais. Em 2006, ele definiu a disputa no Partido Trabalhista, ao qual faz oposição no Reino Unido, a uma orgia ao estilo da Papua-Nova Guiné.

"Por dez anos, nós do Partido Conservador nos acostumamos com as orgias ao estilo de Papua-Nova Guiné, com canibalismo e matança de chefe. Portanto, é com um espanto feliz que a gente assiste a como a loucura engole o Partido Trabalhista."

Poema e empurrão

No início do ano, uma revista britânica realizou um concurso de poemas ofensivos sobre o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, depois que um comediante alemão foi processado na Turquia por compor versos obscenos inspirados nele.

Boris Johnson venceu a disputa ao escrever um texto sobre um... bode.

Numa viagem a negócios ao Japão, ele virou piada por ter dado uma trombada violenta num garoto de 10 anos durante um jogo de rúgbi. Nesse caso, as desculpas foram imediatas.

A equipe do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido já está preparada para conter os ímpetos do novo chanceler.

Motivos de alerta não faltam: no ano passado, ele fez questão de visitar a linha de frente da guerra contra o Estado Islâmico. E pediu um tour por Erbil, no Curdistão, o que acabou se transformando numa dor de cabeça diplomática.

Diante do cargo que assume agora, certamente os movimentos diplomáticos de Johnson precisarão ficar mais refinados.

Nova Thatcher? Theresa May está mais para Angela Merkel

  •  

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos