Após tentativa de golpe derrotada na Turquia, governo prende 6 mil pessoas

O governo turco retomou o controle da situação no país após a tentativa fracassada de golpe por um grupo de militares na última sexta-feira e já prendeu ao menos 6 mil pessoas suspeitas de envolvimento na ação.

Entre os detidos está também Ali Yazici, um oficial do Exército que atuava como uma espécie de assessor militar do presidente Recep Tayyip Erdogan.

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"Nós vamos continuar a limpar esse vírus de todas as instituições do Estado, porque esse vírus está se espalhando. Infelizmente, como um câncer, esse vírus está envolvendo todo o Estado", afirmou Erdogan durante o enterro de uma das vítimas dos confrontos ocasionados por causa da tentativa de golpe na última sexta.

O presidente disse ainda que irá fazer o país avançar "unido".

O número de mortos entre os conflitos que tomaram conta do país por causa da ação do grupo de militares já chegou a 290. Desses, mais de 100 são de pessoas que estavam participando da tentativa de golpe.

No sábado, milhares de pessoas foram as ruas nas principais cidades do país para apoiar a democracia.

As autoridades turcas - em especial o presidente Recep Tayyip Erdogan - haviam convocado o povo para ocupar os lugares públicos e defender o país do golpe que parte dos militares tentava dar no governo.

Passados os primeiros dias do momento de mais tensão no país, o mandatário parece ter assegurado sua permanência no poder.

Ainda no sábado, Erdogan disse que seu governo havia resistido à tentativa de golpe militar que na noite de sexta-feira gerou caos no país.

O governo anunciou ainda que estuda reinstaurar a pena de morte para punir os participantes da tentativa de golpe.

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Por meio de sua conta no Twitter, o presidente pediu que "o povo continue nas ruas para defender a democracia". O uso da rede social não deixou ser der irônico, já que o presidente anteriormente tentou censurar comentários críticos a seu governo na internet.

'Golpe'

O número de feridos chega a 1.440.

"O povo foi para as ruas e declarou seu apoio à democracia. A nação jamais esquecerá essa traição. A Turquia irreversivelmente encerrou o capítulo dos golpes militares", afirmou Dundar, que assumiu o cargo depois de o titular, o general Hulusi Akar, ter sido feito prisioneiro durante a tentativa de golpe.

Foi uma alusão aos quatro golpes militares ocorridos na Turquia entre as décadas de 60 e 90, em que as forças armadas exerceram o que chama de "defesa do secularismo". Dessa vez, porém, o exército turco não pareceu estar unido em torno da bandeira do golpe.

E tampouco pareceu esperar a reação dos adeptos de Edogan e de seu partido, o AKP, de linha conservadora e religiosa, e que desde 2004 domina a política turca - de maneira controversa, sob acusações de censura da mídia e de cerceamento da liberdade de expressão. Manifestantes foram às ruas, desafiando o toque de recolher imposto pelos golpistas.

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E o governo turco acusou os militares revoltosos de estarem alinhados com o Hizmet, um movimento político-religioso liderado pelo clérigo Fethullah Gülen, radicado nos EUA, e crítico ferrenho do regime de Erdogan.

Mas porta-vozes do recluso Gülen afirmaram seu repúdio ao golpe, que classificaram como uma "irresponsabilidade" dos setores militares envolvidos.

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