Apesar de 'incertezas', FMI prevê retomada do crescimento no Brasil em 2017

Joao Fellet - BBC Brasil

Após encolher por dois anos seguidos, a economia brasileira deve voltar a crescer em 2017, segundo um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado nesta terça-feira.

Em estudo sobre o estado da economia global, o órgão elevou em 0,5 ponto percentual as projeções para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tanto em 2016 quanto em 2017.

Segundo o fundo, a economia do país encolherá 3,3% em 2016 e crescerá 0,5% em 2017.

O último ano em que o PIB brasileiro (soma de todos os bens produzidos e serviços prestados no país) cresceu foi 2014, quando aumentou 0,1%. Em 2015, encolheu 3,8%.

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O órgão diz que a confiança dos consumidores e empresários brasileiros parece já ter atingido seu ponto mais baixo e que a contração econômica no primeiro trimestre de 2016 foi menor que a esperada, num possível sinal de atenuação da piora nos índices do país.

"Consequentemente a recessão em 2016 está agora projetada para ser levemente menos severa, com um retorno ao crescimento positivo em 2017", afirma o texto.

O fundo diz, no entanto, que as incertezas políticas no Brasil se mantêm e nublam o cenário futuro do país.

Melhor só que o Japão

Apesar da melhora, a economia brasileira ainda terá resultados piores que os da maioria dos países em 2016 e 2017.

Na média das nações da América Latina e Caribe, o PIB encolherá 0,4% em 2016 e crescerá 1,6% em 2017.

Segunda maior economia latino-americana, o México crescerá 2,5% em 2016 e 2,6% em 2017.

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Entre as 16 principais economias do mundo, o Brasil terá o pior resultado em 2016 e só crescerá mais em 2017 que o Japão, onde o PIB deve ter alta de 0,1%.

A melhora nas projeções do FMI para alguns países emergentes, principalmente Brasil e Rússia, amenizaram o impacto do "Brexit" (anúncio de que o Reino Unido deixará a União Europeia) na economia global.

O órgão baixou em 0,2 ponto porcentual a projeção de crescimento do Reino Unido (quinta maior economia do mundo) neste ano e em 0,9 no próximo. Ainda assim, o PIB britânico deve crescer 1,7% em 2016 e 1,3% em 2017.

O FMI afirma que o "voto pelo 'Brexit' implica um substancial aumento na incerteza econômica, política e institucional, o que deve ter consequências macroeconômicas negativas especialmente em economias avançadas europeias".

Embora avalie que ainda é muito difícil quantificar as repercussões do voto, o fundo diminuiu as projeções de crescimento em 2017 para Alemanha, França, Itália e Espanha.

Já no resto do mundo, diz o FMI, o impacto do "Brexit" até agora foi relativamente pequeno.

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Segundo o órgão, as projeções atuais sobre os efeitos da saída britânica supõem que a União Europeia e o Reino Unido evitarão um grande aumento nas barreiras econômicas ou uma grave ruptura no mercado financeiro.

O relatório do fundo aponta ainda resultados econômicos melhores que os esperados na China, num reflexo de sua política de estímulos financeiros.

O órgão diz que, embora a indústria e o comércio globais venham sofrendo com a transição da economia chinesa (que passa a enfocar mais seu mercado interno e a crescer a taxas menores), houve nos últimos meses uma retomada das atividades por causa de investimentos em infraestrutura na China e dos maiores preços de petróleo.

Refugiados, clima e zika

O FMI diz ainda que muitos exportadores de matérias-primas - caso do Brasil - enfrentam a "necessidade de ajustes fiscais consideráveis" e precisam estar alertas para riscos de instabilidade financeira.

Quanto às economias mais avançadas, afirma que divisões políticas podem prejudicar esforços para lidar com a questão dos refugiados.

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"Tensões geopolíticas, revoltas armadas domésticas e terrorismo também estão tendo um forte impacto no cenário de várias economias, especialmente no Oriente Médio, com ramificações além das fronteiras."

Outras preocupações citadas pelo FMI são fatores climáticos - como a seca no leste e sul da África - e doenças como a zika, que tem afetado principalmente países latino-americanos e caribenhos.

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