As cidades-fantasma da Polônia que esperam reviver graças ao Brexit

Joe Miller - BBC News

Podlaskie, uma região pobre no nordeste da Polônia, é famosa pelas dezenas de milhares a cegonhas que cada verão enchem as planícies de ninhos para depois voar em direção a áreas mais quentes.

No entanto, nos últimos anos, Podlaskie ganhou fama por outro fenômeno migratório: o êxodo da população em idade de trabalho.

Mais do que em qualquer outra região da Polônia, os habitantes de Podlaskie aproveitaram a liberdade dada pela União Europeia (UE) para viver e trabalhar em outros países, especialmente no Reino Unido - há cerca de um milhão de poloneses que vivem lá.

Por isso, muitos na Polônia tinham a esperança de que no referendo para decidir seu futuro, a maioria dos britânicos votasse para permanecer na UE.

Mas agora que o divórcio está em andamento, alguns vêem na Brexit uma oportunidade.

"Neste momento, a Polônia tem um problema demográfico", diz Przemyslaw Biskup, especialista em integração europeia na Universidade de Varsóvia.

"Não seria tão ruim que os compatriotas voltassem: nosso mercado de trabalho está se tornando mais e mais faminto de funcionários. Essas pessoas trariam para Polônia novas experiências, novas habilidades e novas qualificações".

Eles voltarão?

Até agora, a tendência indicava que os poloneses que se mudaram para o Reino Unido estavam mais propensos a levar o resto de suas famílias do que voltar para a Europa Central.

Após o Brexit, começa a haver indicídios de poloneses que voltam para casa para viver mesmo em locais com poucas oportunidades econômicas, como Podlaskie.

Na praça principal da remota cidade histórica de Tykocin, no nordeste da Polônia, Kamil Swietorzecki dirige um café que atende turistas que vão visitar a sinagoga do século XVII ou um castelo de 600 anos de idade nas proximidades.

"Eu me mudei para o Liverpool quando tinha 21 anos e trabalhei nas cozinhas de vários lugares", diz . "O objetivo era ganhar dinheiro para voltar e empreender aqui."

No entanto, histórias de retorno como a de Swietorzecki ainda são uma raridade na Polônia.

"A tragédia de pequenas cidades"

Kasia é uma mulher de 60 anos que vive na "cidade fantasma" de Monki, no nordeste do país.

Tal é a desconfiança gerada pela influência estrangeira que não aceita dar seu nome completo à BBC, mas se mostra eloquente ao opinar sobre a imigração.

"A tragédia de pequenas cidades é que os idosos não podem seguir a tendência da globalização e tirar pleno proveito das novas tecnologias. E os jovens decidem ir para as grandes cidades e trabalhar em grandes corporações", diz.

Apesar de ser um dia de trabalho normal, as únicas pessoas no centro de Monki são poucas mulheres idosas sentados nas portas de suas casas, fumando.

Kasia pensa que a culpa por esta desolação é a adesão da Polônia à UE em 2004.

"As coisas mudaram muito. É como um deserto. Você dirige ao longo das cidades e não vê ninguém. As pessoas vão para outros países para ganhar dinheiro e deixam esses lugares vazios".

Da URSS à União Europeia

Apesar das dificuldades econômicas locais, a Polônia em geral foi favorecida com a entrada na UE.

O país passou de uma sociedade pós-soviética para um economia forte, moderna, tão resistente que se tornou o único país da UE a não mergulhar em recessão após a crise financeira de 2008.

Isso, combinado com o fato de que seu produto interno bruto ter dobrado em pouco mais de duas décadas, levaram a Polônia a ser conhecida como o "milagre econômico".

Só os poloneses que moram no Reino Unido, por exemplo, enviam ao país mais de um bilhão de euros por ano.

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