Despedida olímpica de Phelps, o maior medalhista dos Jogos, começa já na Cerimônia de Abertura

Fernando Duarte - BBC Brasil

Aos 31 anos, o nadador Michael Phelps encerrará na Rio 2016 uma trajetória sem precedentes, não apenas por causa de suas 22 medalhas olímpicas - incluindo o recorde absoluto de 18 de ouros -, conquistadas ao longo de três edições dos Jogos.

O americano de 1,93m, que se prepara para o que parece ser sua aposentadoria olímpica definitiva, também moldou seu esporte também fora d'água.

Uma influência que a delegação olímpica dos Estados Unidos reconheceu ao escolher o nadador de Baltimore como porta-bandeira do país na Cerimônia de Abertura da Rio 2016, nesta sexta-feira, no Maracanã.

Nos anos de ouro da era de Phelps a natação assumiu papel de destaque nas Olimpíadas, simbolizado pelo fato de a modalidade hoje ser uma mais concorridas tanto na venda de ingressos quando no interesse da mídia - foi para ter as finais, em especial as provas de Phelps, transmitidas em horário nobre para o público americano, que a rede de TV NBC forçou a realização dos eventos de medalha às 22h de Brasília.

Essa visibilidade, por sua vez, ajudou a natação, não apenas nos Estados Unidos, a passar por uma renascença em termos de interesse público.

Tudo bem que a natação americana foi a mais beneficiada, registrando um aumento de pelo menos 25% nos últimos 10 anos em participantes, com ajuda significativa das conquistas de Phelps - isso em um país em que as principais ligas esportivas, como o basquete e o futebol americano, costumam cooptar com muito mais facilidade os jovens talentos do que a natação, um esporte cuja atração é geralmente mais limitada a anos olímpicos.

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'Inspirei a garotada a nadar'

Mas não foi apenas por felicidade com sua medalha de ouro nos 200m borboleta que o sul-africano Chad le Clos caiu em prantos nos Jogos de Londres, há quatro anos. Ele tinha acabado também de superar Phelps, a quem assistira pela TV nas piscinas de Atenas, quando o americano conquistou seis ouros.

"Pois é, inspirei essa garotada a nadar e agora ela resolveu agradecer ganhando de mim", brincou o americano, em entrevista coletiva nesta quarta-feira, no Rio.

Em sua quinta participação olímpica (foi a Sydney 2000, mas voltou sem medalha), Phelps já não é mais tão assustador quanto antes. Ele disputará apenas três provas individuais (os 100m e 200m borboleta e os 200m medley) e, de acordo com a tradicional projeção de medalhas da revista esportiva americana Sports Illustrated, deverá levar o ouro apenas nos 100m, borboleta - embora isso faria dele o mais velho nadador da história a ganhar uma medalha olímpica individual.

Phelps tampouco desembarcou no Rio sem controvérsia na bagagem: o americano não disputou o Mundial de 2015 por ter sido suspenso pela Federação Americana de Natação depois de, em setembro do ano anterior, ter sido preso por dirigir bêbado em Baltimore.

Seis anos antes, ele havia causado mais confusão depois que uma foto sua fumando maconha em uma festa de faculdade foi vazada para a imprensa - isso causou a perda de um patrocínio milionário de uma empresa de alimentação, além de outra suspensão.

Mas o incidente em Baltimore acendeu uma luz de alerta. Phelps, depois de anunciar sua aposentadoria após os Jogos de Londres, tinha decidido voltar a competir em uma Olimpíada. Mas antes teve que ir para uma clínica de tratamento para alcoolismo. Ele diz não ter tocado em álcool desde 2014.

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"Eu basicamente não prestava atenção em outra coisa que não fosse nadar e competir e isso foi muito difícil. Nas Olimpíadas, costumava andar com meus fones de ouvido ligados, sem falar com ninguém. Dessa vez eu quero me divertir um pouco mais e interagir com as pessoas", disse ele na entrevista, quando revelou ter tietado e tirado uma selfie com o tenista sérvio Novak Djokovic na Vila dos Atletas.

E essa decisão de curtir a vida um pouco mais passa também pela festa de sexta-feira no Maracanã. O fato de as provas de natação tradicionalmente ocorrerem na manhã seguinte à Cerimônia de Abertura fez com que Phelps jamais tivesse participado dos desfiles.

Desta vez, porém, o americano não nadará no sábado e sua agenda é bem mais tranquila do que em anos anteriores - além das três provas individuais, ele ainda poderá participar de um dos revezamentos, mas isso não se compara com os oito eventos de que participou em Pequim.

"Fiquei emocionado quando souber que seria o escolhido para carregar a bandeira do melhor país do mundo na Cerimônia de Abertura. Antes, era impossível participar do desfile porque temos que ficar horas de pé, até tarde da noite, e isso não é muito recomendável quando é preciso nadar de manhã no dia seguinte", brincou.

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