O carioca que liderará os EUA na busca pelo 1º ouro no polo aquático

Fernando Duarte - BBC Brasil

Que os torcedores brasileiros mais passionais que forem assistir às partidas de polo aquático na Rio 2016 fiquem avisados caso decidam provocar a seleção masculina dos EUA: o capitão da equipe não só entende português, como ainda é capaz de responder à altura.

"Eu entendo tudo perfeitamente e consigo me comunicar sem grandes problemas. Só preciso trabalhar um pouco as conjugações verbais, por isso é que carrego meus livros de estudo para onde quer que viaje. Difícil é achar tempo para estudar", brinca Tony Azevedo, de 34 anos, que a partir do sábado disputará a sua quinta Olimpíada.

Em conversa por email com BBC Brasil, Tony contou que a Rio 2016 será bastante especial para ele.

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Nascido no Rio de Janeiro, o atleta se mudou com os pais para a Califórnia quando tinha apenas um mês de idade. É filho de Ricardo Azevedo, ex-jogador da seleção brasileira de polo aquático que completou a educação secundária e superior nos EUA - atual treinador da seleção chinesa, ele também estará na Rio 2016. Sua mãe é a americana Libby Rawald, ex-colega de escola do pai.

Apesar da forte conexão com o Brasil, Tony passou a maior parte da infância sem contato constante com o país, em muito devido a um acontecimento trágico.

Aos quatro anos, teve a traqueia e o esôfago perfurados após um acidente enquanto brincava no jardim. Durante a cirurgia de emergência, sofreu uma parada cardíaca que durou quatro minutos - os médicos disseram a Libby que o filho passaria o resto da vida ligado a um tanque de oxigênio.

Trinta anos e alguns Jogos Olímpicos depois, ele claramente contrariou os prognósticos. Além de se tornar um dos melhores jogadores de polo aquático do mundo, correu atrás do tempo perdido no que diz respeito às raízes: em 2013, aceitou um convite para jogar na Liga Brasileira pelo Sesi, de São Paulo.

"Tive a chance me reconectar com o Brasil e de reencontrar minha família. Fiz também amigos e será muito especial vê-los na arquibancada quando disputarmos nossas partidas na Olimpíada", afirma.

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"Os Jogos do Rio serão muito especiais para mim porque representam uma oportunidade de competir em uma cidade com que me importo muito. Sempre que jogo aqui pelo Sesi eu tento tirar um dia ou dois para curtir o Rio. É uma cidade única."

Críticas e elogios

Embora tenha uma forte ligação com o país e com a cidade, Tony não adota apenas tons diplomáticos. Diz que os protestos contra a Olimpíada são válidos, apesar de elogiar o que viu até agora em termos de instalações esportivas e mesmo na Vila dos Atletas.

"O Rio fez um bom trabalho, mas entendo quando as pessoas questionam o investimento em algo tão gigantesco quanto os Jogos Olímpicos, especialmente em um país com tanta pobreza. Quando você tem problemas para comprar comida ou mandar os filhos para a escola, é difícil para alguém entender por que o governo está gastando milhões de dólares em um evento esportivo", opina.

"O Brasil precisa usar a Olimpíada para mudanças positivas e investimento social. Isso seria a grande realização desses Jogos."

O jogador, porém, vê um clima injustificado de pessimismo. "Eu sou uma pessoa otimista. Os cariocas são amigáveis demais para que tenhamos um evento ruim. Esses Jogos poderão ser um pouco bagunçados, mas terão espírito e paixão de sobra", acredita.

Quando o assunto é o esporte em si, a grande preocupação do jogador é conquistar na piscina uma rara e inédita medalha de ouro para os EUA - o mais próximo foram três medalhas de prata, em 1984, 1988 e 2008, a última com participação de Tony.

Primeiro jogador de polo aquático americano a disputar cinco Jogos (e apenas o nono na história), ele não terá apenas que correr contra o tempo para se tornar campeão olímpico: no caminho estão os fortes times da Europa Oriental, que venceram 11 dos últimos 13 torneios.

"Temos uma equipe jovem, mas temos fome de sobra. E fico imaginando como seria incrível ser campeão olímpico no Rio. Quero isso demais", diz o jogador.

Tony foi um dos atletas cotados para carregar a bandeira dos EUA na cerimônia de abertura, nesta sexta-feira. A escolha, porém, acabou sendo o nadador Michael Phelps, recordista de medalhas que também disputará sua quinta Olimpíada.

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