O que muda na próxima Olimpíada, agora que terá mais manobras radicais

Fernando Duarte - BBC Brasil

Depois que uma assembleia de quarta-feira do Comitê Olímpico Internacional (COI) aprovou a inclusão de cinco novos esportes ao programa dos Jogos de Tóquio 2020, as modalidades de surfe, skate, escalada artificial, caratê e beisebol ganharam vaga na competição.

A decisão, que antes mesmo de ser anunciada provocou um debate na comunidade olímpica, ainda precisará ser discutida com mais profundidade, apesar de a entidade prometer que ela não terá impacto imediato no número de atletas e modalidades atualmente participando dos Jogos. Mas reforça a tendência do comitê de buscar o aumento do apelo da Olimpíada para o público mais jovem.

Entenda os principais pontos envolvendo essa "radicalização" da maior festa do esporte mundial, que o comitê olímpico classificou como a "maior evolução do programa olímpico na história moderna".

Por que esse quinteto foi escolhido?

Nada menos que 26 esportes manifestaram o desejo de participar do programa olímpico em Tóquio e fizeram parte de um processo seletivo que levou em conta não apenas a missão do COI de rejuvenescer a audiência da Olimpíada, mas também os interesses comerciais dos anfitriões japoneses.

O skate, o surfe e a escalada artificial são modalidades ligadas ao público mais jovem, e os dois primeiros são a ponta de lança da indústria dos esportes radicais. O caratê é uma arte marcial inventada no Japão e o beisebol, apesar de um esporte tipicamente americano, tem popularidade absurda no país asiático.

O comitê organizador de Tóquio 2020 aproveitou-se de uma nova regra que permite às cidades-sedes proporem a inclusão de esportes em sua própria competição. Com a exceção do beisebol, que esteve no programa olímpico até 2008, os esportes serão estreantes.

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Quem sai?

Por enquanto, ninguém. Ao anunciar a inclusão do quinteto, o COI afirmou que não haverá cortes nem de modalidades nem de pessoal, o que é boa notícia para os 28 esportes e 10.500 atletas que atualmente participam dos Jogos.

O pentatlo moderno, que estava ameaçado nos próximos Jogos, não foi excluído de Tóquio 2020 na reunião do COI.

Mas dirigentes de algumas modalidades poderão ficar com a pulga atrás da orelha, ainda mais se a participação supostamente provisória das novas modalidades agradar ao COI. Nos últimos anos, não só o pentatlo moderno, como também a luta olímpica e o taekwondo, se viram ameaçados de perder a vaga no programa - a luta chegou a ser excluída em 2013, mas conseguiu uma sobrevida diante de reformas.

A principio, 33 esportes e 11 atletas agora deverão participar da próxima Olimpíada.

Custa mais caro?

A inclusão de novos esportes poderá aumentar as críticas da corrente que se opõe ao gigantismo dos Jogos Olímpicos. O Comitê Organizador da Tóquio 2020 já admitiu que a entrada das modalidades vai colocar pressão sobre o orçamento da competição, ainda que a proposta de inclusão tenha deixado claro o uso de instalações temporárias ou já existentes.

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Quem vai?

Ao aprovar a entrada desses esportes, o COI está se fiando na presença de suas maiores estrelas.

Se isso não parece ser o maior dos problemas no caso das modalidades mais radicais e o caratê, a negociação no beisebol pode ser mais difícil: ainda não há garantias de que os clubes da Liga Profissional Americana - a MLB, onde estão os grandes ídolos desse esporte - autorizará a presença de seus jogadores em suas respectivas seleções nacionais. E isso seria crucial para atrair o interesse de público e mídia.

O que dizem surfistas e skatistas?

Essa é uma das questões mais interessantes. No início de julho, a revista americana Surfer ouviu um painel de nove pessoas, incluindo atletas, para discutir a possível inclusão do esporte na Olimpíada. Quatro votaram a favor, quatro contra e houve uma abstenção.

Milhares de fãs de skate assinaram uma petição enviada ao presidente do COI, o alemão Thomas Bach, pedindo que o esporte não fosse aceito nos Jogos Olímpicos.

Tanto surfe quanto skate têm uma tradição rebelde e antiestablishment, e alguns especialistas no esporte afirmam que seu apelo televisivo para o público em geral não é grande. Mas as federações dos esportes apoiam a entrada na Olimpíada, de olho em uma oportunidade espetacular de exposição.

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