O quilombo que resiste em uma das áreas mais valorizadas do Rio

Manter um quilombo em um dos pedaços mais valorizados do Brasil.

Essa foi a conquista da comunidade quilombola Sacopã, que reúne 28 pessoas em plena Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

A posse da terra, obtida recentemente, era uma das reivindicações dos residentes com base na Constituição de 1988, que garante aos descendentes de escravos da posse da terra para onde fugiram da escravidão.

"Fomos resistindo, ficamos, Nós ganhamos a posse da terra e foi uma luta insana. Mas conseguimos vencer a especulação imobiliária" , diz o músico Luiz Sacopã, líder da comunidade.

No meio de brancos

O Brasil foi o principal destino para os escravos nas Américas. Estima-se que tenha recebido 5 milhões vindos da África.

"Estamos na sexta geração. Nós somos da Nigéria. Fiz um exame há pouco tempo de DNA e deu 98,5% africano. Somos negros, no meio de brancos", conta Sacopã.

O músico diz que não podia deixar de fazer música com a situação de opressão a que os cidadãos de mesma raça e classe são submetidos no Brasil.

"Tinha de fazer música e cair em cima dos racistas, em cima da elite. Musica de protesto falando em respeito de quilombo, falando em respeito de negro."

No Carnaval, Sacopã comanda um bloco para 70 mil pessoas. O músico considera irônico que a maior parte dos seus fãs sejam parte "dessa mesma elite branca".

"São eles mesmo se divertindo lá, cantando, me abraçando, me cumprimentando... Isso para mim foi genial. Eu metendo pau neles, e eles lá rebolando e dizendo 'ah, Sacopã, valeu...'"

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