Abertura olímpica foi 'show inspirador em país ferido', diz jornal

Um show inspirador, em um país ferido. Assim o jornal americano The New York Times descreve neste sábado a abertura dos Jogos Olímpicos na noite desta sexta-feira.

"Jogos dourados começam em Rio cinzento", escreve o correspondente do jornal no Brasil, Simon Romero, que não poupa críticas ao espetáculo alto astral - um constraste com a tensão política e social que antecedeu a ocasião.

"Se há uma nação precisando de um show inspirador nesse momento, ainda que na forma de exercício de relações públicas, é o Brasil", escreve o repórter.

"Por isso a cerimônia de abertura dos Jogos veio como um bálsamo, encobrindo as feridas por algumas horas e permitindo aos brasileiros celebrar desde a onde de imigrantes ainda se estabelecendo aqui até Alberto Santos-Dumont, o bon vivant e aristocrata a quem os brasileiros atribuem a invenção do avião."

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'Melhor do Brasil'

Para o espanhol El País, a cerimônia conseguiu se afastar do excessivo patriotismo que pode contaminar ocasiões semelhantes.

"O espetáculo, capaz de transformar o hino do Brasil quase em uma canção de protesto interpretada pela voz íntima de Paulinho da Viola, um Deus do violão, afastou dos Jogos o tom triunfalista tradicional", descreveu o El País.

Foi, nas palavras do principal diário espanhol, "uma celebração do melhor que o Brasil deu ao mundo."

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Mensagem climática

Para o britânico Guardian, a cerimônia foi uma mistura de "patriotismo contido com preocupação climática."

Comparando a ocasião com a abertura dos Jogos de Londres, a reportagem diz que, "enquanto Danny Boyle (o diretor da cerimônia britânica) marcou o início dos Jogos de Londres 2012 com aneis de fogo, os aneis cariocas formaram árvores, para refletir o tema ambiental que marcou a cerimônia".

Ao mesmo tempo, o Guardian notou que "o clima político do país nunca esteve muito abaixo da superfície, muito menos quando o presidente interino, Michel Temer, foi ruidosamente vaiado ao declarar os Jogos abertos".

Aplausos e vaia

O francês Le Monde também notou o contraste entre os "atletas aplaudidos e um presidente vaiado".

"De repente", diz o jornal, em meio a uma atmosfera vibrande e festiva, "os males do Brasil invadiram o Maracanã".

Para o portal Quartz, a cerimônia de abertura foi "tão diversa e dividida quanto o Brasil é agora".

Já a versão online do Financial Times diz que o Rio "brindou o mundo com um espetáculo elaborado sobre a rica cultura brasileira, da bossa nova ao funk".

Porém, a intriga política nunca esteve distante, dos protestos e tensões políticas domesicas ao escândalo do doping russo.

"A animada, mas relativamente barata cerimônia de abertura permitiu aos brasileiros esquecer um pouco o duro cenário dos Jogos."

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