Ônibus atacado e outros 8 casos de violência que furaram esquema de segurança da cidade olímpica

Militares armados, raio-x, checagem de segurança. Quem vai aos Jogos Olímpicos do Rio se depara com um grande esquema de segurança que tem como objetivo afastar uma das principais preocupações que havia com os Jogos do Rio: a violência.

Mas nos meses que antecederam os Jogos a violência recrudesceu no Rio, com problemas em diversas UPPs e aumento no número de assaltos, entre outros.

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E mesmo com todo esse esquema de segurança, diversos episódios mostram que não é tão fácil afastar o crime e manter a Olimpíada isolada da realidade da cidade.

A BBC Brasil reuniu os principais casos relatados até o momento:

1) Ônibus alvejado

Na noite desta terça-feira, um ônibus que levava jornalistas e voluntários de Deodoro para o Parque Olímpico, na Barra, foi atacado.

Na hora, alguns dos jornalistas presentes disseram que o veículo havia sido atingido por tiros. Na manhã desta quarta-feira, porém, a organização dos Jogos informou que, segundo a perícia, o ônibus foi atingido por pedras.

Mas um dos profissionais de imprensa que estavam no ônibus, a ex-capitã da Força Aérea americana Lee Michaelson, que trabalha para um site especializado em basquete feminino, questionou a versão oficial dos fatos durante a sessão e disse que a Rio 2016 só deveria ter se pronunciado quando de posse dos relatórios finais dos peritos.

"Parece-me estranho que pedras possam ser atiradas desse jeito em um veículo trafegando em alta velocidade. Eu sei identificar um tiro. Não quero fazer sensacionalismo. Esse incidente poderia ter acontecido em outros lugares do mundo, mas não sei os organizadores dos Jogos estão lidando da maneira mais adequada com ele", disse Michaelson ao final da entrevista coletiva.

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O veículo ficou com janelas quebradas e alguns passageiros tiveram ferimentos leves. O incidente aconteceu na via Transolímpica, na altura de Curicica, por volta das 19h45.

A organização dos Jogos afirmou que o patrulhamento será reforçado, mas não haverá escolta para os veículos que transitarem na região.

2) Tiroteio no Alemão

Uma bala perdida atingiu uma moradora do Complexo do Alemão na manhã desta quarta-feira, no segundo dia consecutivo de troca de tiros na região.

Até a conclusão desta reportagem, ainda não havia informações sobre o estado da vítima.

Desde terça-feira, moradores vêm postando nas redes sociais informações sobre trocas de tiro no complexo. "Acabou a trégua olímpica", disse um usuário do Twitter.

De acordo com a Polícia Civil, policiais da UPP foram atacados a tiros na comunidade e reagiram.

Grande vitrine da política de segurança do Rio, as UPPs passam por uma crise. O programa de pacificação tem no Complexo do Alemão um dos seus principais calcanhares de Aquiles - a comunidade é constantemente palco de tiroteios.

3) Morte na abertura

Um homem foi morto nas proximidades do Maracanã na hora da abertura dos Jogos, na última sexta-feira.

Ainda não se sabe exatamente quais foram as circunstâncias do episódio. Segundo a polícia, um policial - não foi esclarecido se ele estava a paisana ou se trabalhava nos Jogos - reagiu a uma tentativa de assalto e matou o suspeito, de 22 anos.

Voluntários e outros espectadores se assustaram com a cena. As imagens do jovem ensanguentado junto a uma bicicleta sendo atendido por uma ambulância foram divulgadas por agências de notícias internacionais.

4) Arquiteta morta

Também no dia da abertura, mas antes do início oficial dos Jogos, uma arquiteta foi morta em uma tentativa de assalto perto do Boulevard Olímpico, na zona portuária, local com show e telões que virou a grande sensação desses Jogos.

A arquiteta Denise Ribeiro Dias, de 51 anos, dirigia na Via Binário quando foi abordada por três jovens. Ela foi morta com um tiro na nuca. Dois suspeitos conseguiram fugir, mas um terceiro, de 20 anos, foi preso.

5) Bala perdida no centro de imprensa

Uma bala perdida foi encontrada dentro da sala de imprensa do centro de hipismo de Deodoro, no sábado. A bala foi localizada por jornalistas que cobriam o evento. Ninguém ficou ferido e nenhum equipamento foi danificado.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que a bala era de fuzil e que provavelmente veio das comunidades que ficam no entorno do complexo de Deodoro. Segundo ele, havia drones e balões sobrevoando a região e algum traficante pode ter se sentido ameaçado.

6) Ministro assaltado

O ministro da Educação de Portugal, Tiago Rodrigues Brandão, foi assaltado no sábado no bairro de Ipanema, na zona sul.

Segundo a imprensa portuguesa, ele havia acabado de assistir à chegada do ciclismo de estrada quando foi abordado por dois homens com uma faca; foram levados carteira, dinheiro e celular.

Um dos assaltantes foi preso.

Antes dos Jogos, o ISP (Instituto de Segurança Pública) havia divulgado dados que mostra que, no Estado, o número de assaltos a pedestres subiu 81% em comparação ao ano anterior.

7) Jornalistas em meio a tiroteio

Um ônibus que levava jornalistas chineses ficou preso em meio ao um fogo cruzado na Linha Vermelha, na saída do aeroporto internacional Galeão/Tom Jobim, antes do início oficial dos Jogos.

A primeira informação, divulgada pela mídia chinesa, foi de que os jogadores de basquete do país haviam presenciado o tiroteio. Depois, porém, soube-se que eram os jornalistas que haviam acompanhado os jogadores que estavam no ônibus.

Nenhum dos jornalistas ficou ferido na troca de tiros.

8) Tiroteio no Jacaré

Um repórter do jornal espanhol Mundo Deportivo contou que ele e outros colegas presenciaram um tiroteio quando esperavam, em frente a seu hotel, um ônibus para ir para o Parque Olímpico.

Os jornalistas - mais dois espanhóis, uma finlandesa, um russo e dois brasileiros - estavam hospedados em um hotel em frente à favela do Jacaré.

Houve uma operação policial no local e eles tiveram que se esconder até que os tiros cessassem.

"É difícil entender este entorno para os Jogos Olímpicos, a exaltação da fraternidade", escreveu Joan Justribó.

9) O caso do 'vice-cônsul' russo

Na véspera da abertura da Olimpíada, diversos jornais divulgaram que o vice-cônsul da Rússia havia reagido a um assalto e lutado com o assaltante, que acabou sendo morto com a arma que ele mesmo portava - não se sabe se o disparo foi intencional.

Depois, o consulado da Rússia afirmou que o homem era brasileiro e não tinha ligação com a diplomacia do país, apesar de ter apresentado uma carteira de vice-cônsul.

O caso aconteceu na Avenida das Américas, na Barra, mesmo bairro onde fica o Parque Olímpico.

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