O que as estrelas milionárias do tênis têm a ensinar aos colegas do golfe sobre espírito olímpico

Fernando Duarte - BBC Brasil no Rio de Janeiro

No final da partida contra o brasileiro Thomas Bellucci, na sexta-feira, foi impressionante ver como Rafael Nadal ainda teve forças para arremessar bolas para a arquibancada e celebrar a passagem para as semifinais de simples da Rio 2016.

Afinal, o espanhol não jogara apenas uma dura partida de três sets contra o paulista: por causa das chuvas que caíram na cidade durante a semana, atrapalhando a programação, ele fora obrigado a entrar em quadra antes para disputar a final de duplas ao lado do amigo de infância Marc Lopez.

E Nadal não ganhou prêmios em dinheiro ou pontos no ranking mundial da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) pelo heroísmo. Tampouco o sérvio Novak Djokovic teve ameaçado seu posto de número 1 do mundo com a derrota na primeira rodada para o argentino Juan Martin Del Potro, no começo da semana, um resultado que o fez deixar a quadra aos prantos.

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"Já tive outras derrotas na minha vida, mas essa é uma das piores. Estamos na Olimpíada, as coisas são diferentes", lamentou Djokovic.

Os Jogos Olímpicos não são parte do circuito profissional e tampouco distribuem os polpudos cheques de torneios como Wimbledon, por exemplo. Mas os principais nomes do milionário esporte da bolinha amarela estiveram nas quadras do Rio.

Uma atitude que não poderia mostrar mais contrastes com a do golfe, outra modalidade de elite, que na Rio 2016 voltou ao programa olímpico pela primeira vez desde 1904.

Na disputa masculina, nada menos que 21 dos principais jogadores do circuito profissional (PGA), incluindo o número um do mundo, o irlandês Rory McIlroyr, desistiram de competir. Muitos deles usaram como argumento a preocupação com o vírus Zika.

No entanto, ficou a impressão de que houve quem simplesmente não se sentisse entusiasmado pela chance de um pódio olímpico e pelo sacrifício de agenda - nem o calendário do golfe e nem o do tênis dão muita folga por causa da Olimpíada.

No tênis, apenas dois jogadores, o canadense Milos Raonic e o tcheco Thomas Berdych, números 7 e 8 do mundo, usaram o vírus como argumento para não viajar.

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O austríaco Dominic Thiem (nono) disse simplesmente que preferia se concentrar na disputa do US Open, que começa duas semanas depois dos Jogos. O lendário Roger Federer desistiu por causa de problemas físicos.

Nadal também os tinha, e até dias antes do início das partidas no Centro Olímpico de Tênis não estava claro se o punho esquerdo, lesionado em junho, lhe daria condições de jogo.

Em quadra, porém, Nadal não apenas conquistou ouro nas duplas como chegou muito perto de um inédito bicampeonato olímpico.

Caiu nas quartas de final diante de Del Potro, que neste domingo tinha uma partida cheia de rivalidade com o britânico Andy Murray, o número 2 do mundo, que também não hesitou em vir para o Rio.

"Para mim, é uma honra defender meu país na Olimpíada", afirmou o sempre lacônico escocês, campeão olímpico em 2012.

'Adotado'

Se por um lado a quadra central ficou marcada pela briga entre um torcedor brasileiro e um argentino durante uma partida de Del Potro e pelo comportamento digno de torcida de futebol que deu trabalho aos árbitros, por outro também foi uma das arenas em que a atmosfera foi mais elogiada, inclusive por jogadores.

Djokovic disse ter se sentido "adotado" pelo público carioca, por exemplo.

"Foi uma das coisas mais incríveis que já vi em torneios de tênis. Esses jogadores não tinham motivo nenhum para vir aqui além do patriotismo e do desejo por uma medalha. Parecia torcida de jogo de futebol, mas você volta e meia encontrava gente de outros esportes assistindo", afirmaa o explica o comentarista e professor de tênis Sylvio Bastos, que fez a narração em português dos Jogos.

"É uma atmosfera que você não vê em torneios do Grand Slam e mesmo na Copa Davis (uma espécie de Copa do Mundo do tênis). E olha que desde 1987 tenho acompanhado os torneios."

Também ajudou o fato de o tênis ser um esporte muito mais praticado e curtido no Brasil do que o golfe. Sem ídolos com tacos, o Brasil na Rio 2016 teve os dois mais vitoriosos tenistas de sua história, Maria Ester Bueno - que dá nome à quadra central - e Gustavo Kuerten, circulando pelo Parque Olímpico.

Guga, por sinal, provocou um frenesi no público ao assistir a um jogo da dupla entre Marcelo Melo e Bruno Soares, e só conseguiu deixar a quadra 1 com muita paciência e uma escolta da Força Nacional, depois de ser cercado pela torcida em busca de autógrafos e selfies.

Já no golfe olímpico, capivaras e jacarés próximas ao campo concorreram pela atenção com a disputa em si.

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