Tarde demais? Os atletas mais velhos ainda no topo das competições olímpicas

O tempo de atuação profissional para muitas estrelas do esporte pode ser cruelmente curto. Em alguns casos, atletas de 30 anos já são considerados "veteranos". Mas, nos Jogos do Rio, há pelo menos sete nomes que provam que idade não é necessariamente uma barreira para estar entre os melhores do mundo.

Anthony Ervin, 35, EUA, natação

Dezesseis anos depois de ganhar o ouro no 50m livre em Sidney 2000, o nadador Anthony Ervin recuperou o título no Rio e se transformou no "mais velho campeão de natação" aos 35 anos.

Quando decidiu abandonar as piscinas, Ervin perseguiu o amor pelo rock fazendo parte de uma banda, combateu demônios pessoais e uma depressão severa e até mesmo leiloou sua primeira medalha de ouro numa campanha de caridade.

Em 2011, ele começou a treinar novamente. Disputou os Jogos de Londres em 2012, e já havia conquistado uma medalha de ouro no 4x100m livre no Rio antes da sexta-feira (12) a noite, quando subiu no bloco para reconquistar o título de campeão olímpico numa das provas mais disputadas da natação.

Ao ganhar a medalha nos 50m livre, ele disse: "Eu vou mantê-la por ora. Quem sabe o que o futuro nos reserva?"

Katherine Grainger, 40, Grã-Bretanha, remo

Com uma prata ao lado da parceira Victoria Thornley conquistada no Rio, Grainger se tornou a mulher britânica com mais medalhas na história das Olimpíadas. Tem um ouro e quatro pratas em cinco Jogos.

Depois de finalmente ganhar o ouro nos Jogos de Londres, depois de três pratas, Grainger parou por dois anos para estudar e fazer um doutorado em homicídios.

Ela passou por uma difícil recuperação para estar no Rio, com relatos de que ela e Thornley brigaram e insinuações de que poderia ser tarde demais para a atleta participar de mais uma olimpíada. É por isso que ela descreveu a prata conquistada no Rio como a "maior conquista" pessoal.

Não há planos, porém, para estar em Tóquio, sede dos próximos Jogos em 2020. Ela já disse aos pais que não vai fazer tudo outra vez.

Oksana Chusovitina, 41, Uzbequistão, ginástica

A ginástica é um esporte que tradicionalmente favorece a juventude - Aly Raisman, por exemplo, é capitã da equipe norte-americana que tudo ganha e tem o apelido de "avó" com apenas 22 anos.

Nos Jogos do Rio, Oksana Chusovitina contraria essa tendência. Ela, que competiu pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de 1992 em Barcelona, tem disputado todas as Olimpíadas desde então.

Continua sendo uma concorrente de peso, disputando com atletas que sequer haviam nascido quando ela estreou nos aparelhos. Ficou em quinto no salto nos Jogos do Rio.

"Quando eu era jovem, eu era mais rápida e corria e nunca me cansava", disse ela à BBC antes dos jogos .

"Hoje, é claro, as coisas são diferentes. Agora eu treino com a minha cabeça".

Hoang Xuan Vinh, 41, Vietnã, tiro

Enquanto ginastas tendem a ser mais jovens, os atletas do tiro e do hipismo têm faixas etárias mais amplas, com os concorrentes tendo a maior idade média dos participantes.

Aos 41, Vinh não apenas participou como ganhou o ouro, o primeiro da história do Vietnã na modalidade 10m com pistola de ar masculino. Ele também levou uma prata na prova de pistola 50m.

O atirador encantou seu país de origem e arrancou uma declaração oficial do ministro dos Esportes do Vietnã, que disse que Vinh "entrou para a história".

Kristin Armstrong, 43, Estados Unidos, ciclismo

Kristin Armstrong se tornou a primeira ciclista a ganhar três medalhas de ouro em três Jogos consecutivos. Sua experiência provou ser crucial num percurso difícil. Ainda assim, ela terminou a prova com o nariz sangrando e ganhou um abraço do filho Lucas, de 5 anos, quando ainda recebia atendimento médico.

Ela era a concorrente mais velha na competição, e disputa a modalidade tempo suficiente para já ter se aposentado duas vezes. Sua vitória no Rio veio um dia antes de seu 43º aniversário.

Em casa, em no estado de Idaho, ela trabalha como uma agente de saúde comunitária e treina ao mesmo tempo, além de cuidar da família.

Questionada por que ela ainda quer competir, Armstrong respondeu sem hesitar: "Porque eu posso."

Lesley Thompson-Willie, 56, Canada, remo

Ao disputar os Jogos do Rio, Lesley Thompson-Willie bateu o recorde de maior número de participações de uma mulher em Olimpíadas: oito. Ela é a timoneira da equipe de remo na modalidade Com Oito (8+), na qual oito remadores participam com apenas um remo para cada atleta.

Ela estreou em Los Angeles em 1984 e participou de mais quatro Jogos seguidos. Aposentou-se, virou treinadora mas, em 2008, voltou ao comando do barco com oito remadoras na China. Disputou Londres em 2012 e, agora, está no Rio.

A função de timoneira envolve elaborar táticas, motivação e navegação. A modalidade exige que os atletas sejam fortes o suficiente para não cair em águas agitadas e mantenham o peso num limite rigoroso.

"Eu acho que está sendo redefinido na nossa sociedade que nós podemos seguir em frente, enquanto nós estamos ativos", declarou a atleta, que tem 50 quilos.

"Espero que isso seja um sinal da importância de estar em forma e de ser capaz de continuar a participar das coisas".

Julie Brougham, 62, Nova Zelândia, hipismo

Existem vários atletas do hipismo próximos dos 60 anos. No Rio, o mais velho participante não apenas na modalidade como em todos os Jogos é a neozelandesa Julie Brougham.

Essa é sua primeira olímpiada e ela é a terceira pessoa a representar a Nova Zelândia na modalidade. Acabou não se classificando no adestramento, terminando 44º lugar.

Como o japonês Hiroshi Hoketsu disputou os Jogos de Londres aos 71 anos de idade, ela ainda poderia ter outra chance na próxima Olimpíada.

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