Em dia de Estádio Olímpico cheio, transporte deixa turistas e torcedores na mão

Jefferson Puff - @_jeffersonpuff - Da BBC Brasil no Rio de Janeiro

No dia em que o Estádio Olímpico (Engenhão) teve arquibancadas cheias por conta de Usain Bolt na final dos 100 metros rasos, a saída da arena foi de longas filas e tumulto na noite de domingo.

Apesar de não estar 100% lotado, o Engenhão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, registrou público muito maior do que o de sexta-feira e sábado. Em clima esfuziante, a multidão aplaudia e vibrava com o velocista jamaicano, agora tricampeão olímpico nos 100m, cada vez que ele aparecia no telão.

Do lado de fora, no entanto, ao término da prova, o clima de festa deu lugar à frustração de encontrar as rampas da estação de trem Engenho de Dentro totalmente lotadas. Diante da confusão gerada pela multidão que se espremia, voluntários e agentes com megafones tentavam acalmar torcedores e direcionar o acesso às plataformas.

O trem é o modal recomendado pelo Comitê Rio-2016 para fazer a conexão dos milhares de torcedores entre o Estádio Olímpico e a Central do Brasil, estação no centro da cidade que permite conexão com metrô, linhas de ônibus e táxis para outras partes do Rio.

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Se de um lado a confusão ficava por conta das rampas lotadas, com alguns torcedores desistindo e aguardando sentados no chão, de outro havia filas quilométricas enfrentadas pela imprensa nacional e internacional que, após encerrar a cobertura das provas de atletismo, procurava o transporte para a volta à Copacabana ou à Barra da Tijuca. Havia poucos ônibus e a movimentação da fila era lenta logo após o término das competições.

Táxis, queixas e 'comitê de crise'

Com a interdição de ruas do entorno do estádio, quem não quis enfrentar a espera andou por mais de 2 km até a avenida Dom Hélder Câmara, na altura próxima ao Norte Shopping e ao acesso à Linha Amarela, para disputar táxis.

Estrangeiros, brasileiros, torcedores e quem havia trabalhado no evento se juntaram ao longo da avenida na disputa em aplicativos e tentando chamar a atenção de taxistas no meio da rua.

No dia 6 de agosto, o secretário-executivo de governo da Prefeitura do Rio, Rafael Picciani, disse a jornalistas que recomendava três horas de antecedência aos torcedores que desejassem chegar no horário às competições para as quais tinham ingresso.

"Eu mesmo fiquei meia hora aguardando a passagem. Mas são poucos dias. A gente pede que a população continue colaborando como colaborou nos últimos sete anos", disse à imprensa local.

Desde a cerimônia de abertura dos Jogos, no dia 5 de agosto, torcedores têm relatado problemas nos transportes, incluindo longas filas para a compra de passagens, trens e metrô lotados, horário de funcionamento do metrô insuficiente (muitos encontraram estações fechadas ao término de competições no Parque Olímpico), além de falta de informação por parte de agentes e voluntários.

Para chegar ao Parque Radical, no Complexo de Deodoro, a recomendação oficial é a caminhada de até 2 km (cerca de meia hora) entre a estação ferroviária e os locais de competição.

Entre os cariocas as principais queixas são os congestionamentos e as alterações em linhas municipais de ônibus por conta das interdições e das faixas exclusivas destinadas à família olímpica.

Ainda no primeiro fim de semana de competições, os organizadores admitiram falhas no transporte, pediram desculpas pelos atrasos e criaram um "comitê de crise" para lidar com as queixas de mobilidade urbana.

Metrô fechado e pedradas

Considerado o trajeto mais problemático dos Jogos, a chegada até o Complexo de Deodoro pelo BRT Transolímpica (vindo do Parque Olímpico, na Barra) ou pelos trens da Supervia, vindo da Central do Brasil, tem sido alvo de queixas devido aos vagões lotados e a demora no acesso.

De acordo com a Supervia, 70% do público que vai até Deodoro chega de trem, e a concessionária estima que os torcedores representem 810 mil passageiros a mais na linha do que o normal. Para atender à demanda, os trens teriam intervalo reduzido de 16 para 8 minutos.

Torcedores também enfrentam dificuldade para deixar locais de competições que acabam tarde da noite. Na quinta-feira, para quem acompanhou as últimas partidas de vôlei no Maracanãzinho, a orientação era andar até a estação São Cristóvão, mas quem chegou depois da meia-noite encontrou a linha 2 do metrô já sem serviço.

A mesma reclamação ocorreu nos primeiros dias dos Jogos para quem deixava o Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, em direção à Zona Sul.

O metrô, que funcionou 24 horas durante o Carnaval, tem tido horários diferentes durante os Jogos Olímpicos. A Linha 1 opera até 1h30; a Linha 2, até meia-noite; e a Linha 4 até 1h.

Apesar da confusão para torcedores, que encontram ônibus lotados, estações fechadas e voluntários confusos nas orientações, a Secretaria Estadual de Transportes disse que não é possível estender o horário do metrô.

"As linhas 1, 2 e 4 do metrô tiveram seus horários de funcionamento combinados com o Comitê Olímpico Internacional e com a Prefeitura do Rio para atender o maior volume possível de passageiros. Mas de forma a também permitir a manutenção diuturna que garante a qualidade, a confiabilidade e a regularidade do serviço", explicou o secretário Rodrigo Vieira.

Além disso, dois ônibus do BRT Transolímpica, entre Deodoro e a Barra da Tijuca, já foram alvejados. Um na noite do dia 9 de agosto e outro, na tarde do último domingo, na altura da favela Asa Branca. Apesar de relatos de que o ataque da semana passada pudesse ter sido causado por tiros, os organizadores e a polícia disseram se tratar de pedradas.

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