As polêmicas que marcaram a carreira de João Havelange

Ele presidiu a Fifa em um período de expansão do futebol no mundo, se viu cercado por escândalos de corrupção e implantou um estilo polêmico que prevaleceu durante anos no órgão.

Ex-presidente da federação e considerado um dos maiores cartolas do mundo, o brasileiro João Havelange morreu no Rio nesta terça-feira, aos 100 anos, em meio à Olimpíada - ele já havia sido membro do COI (Comitê Olímpico Internacional) e feito campanha para os Jogos virem para a cidade.

Mas, envolvido em vários escândalos, estava afastado da arena pública. As polêmicas marcaram fortemente o fim de sua vida.

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Foi sob o comando dele que o futebol atingiu áreas antes inimagináveis do planeta e, como negócio, passou a atrair cifras gigantescas em patrocínio - só para ter ideia, a Copa de 2014, realizada no Brasil, foi assistida por 3,2 bilhões de pessoas ao redor do globo e rendeu lucro recorde de R$ 16 bilhões à Fifa.

A BBC Brasil reuniu os principais pontos de sua carreira.

1) De atleta a cartola

Filho de belgas que fizeram fortuna no Rio, Havelange teve uma longa carreira nos esportes antes de se tornar cartola.

Na juventude, foi jogador de futebol. Como nadador, participou dos Jogos de 1936, em Berlim e, em 1952, integrou a equipe de polo aquático na Olimpíada de Helsinque.

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Atuou como dirigente no futebol e na natação e, em 1956, assumiu o comando da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), que congregava as federações de vários esportes.

Durante os anos em que presidiu a entidade, o Brasil conquistou seu tricampeonato mundial no futebol.

2) Eleição para a Fifa

Havelange se tornou presidente da Fifa em 1974, sucedendo o britânico Stanley Rous.

Em uma campanha agressiva, passou por cerca de cem países nos três anos que antecederam o pleito e conquistou o apoio daqueles que estavam infelizes com a predominância europeia no órgão.

Havelange usou meios agressivos para a época, como brechas para livrar seleções de punições e pagou acima do preço de mercado para que os países jogassem uma mini-Copa do Mundo que também lhe daria votos.

Tornou-se, assim, o primeiro presidente não europeu do órgão.

Cumprindo sua promessa de incluir mais países subdesenvolvidos no esporte, aumentou o número de participantes da Copa de 16 para 32, dando oportunidade a países da Ásia, África e Oceania. Camarões virou o primeiro país africano a chegar às quartas de final em 1994.

Também aumentou muito o tamanho do órgão: de 12 funcionários, a Fifa passou a ter 120 com o aumento das responsabilidades e interesses comerciais da federação.

Ele implantou ainda os Mundiais de outras categorias (sub-17 e sub-20), a Copa do Mundo feminina e a Copa das Confederações, como uma forma de incluir mais países.

Não teve concorrentes na presidência da Fifa até deixar o órgão, em 1998.

3) Corrupção

Em 2010, o programa Panorama, da BBC, acusou Havelange e seu genro, Ricardo Teixeira, então presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), de aceitar milhões de dólares de propina da agência de marketing esportivo suíça ISL (International Sport and Leisure) para que a empresa fosse a única com contrato com a Fifa.

Na esteira do escândalo, renunciou ao cargo de membro do COI, que queria analisar um relatório sobre a denúncia, o que o livrou de uma investigação sobre o caso.

Já em 2012, a Justiça da Suíça afirmou que ele e Teixeira receberam propinas de cerca de R$ 45 milhões pela venda de direitos de mídia de torneios da Fifa - acusação refutada por Havelange.

No ano seguinte, ele renunciou à presidência de honra da entidade. Após investigações, o presidente de comitê de ética disse que ele teria que devolver o dinheiro à Fifa, mas isso não aconteceu.

As denúncias de corrupção na Fifa não pararam por aí: no ano passado, foi revelado um grande escândalo que acabou com a prisão de diversos executivos do mundo do futebol, entre eles o ex-presidente da CBF José Maria Marin.

4) Homenagem contestada

No papel, ele é o Estádio Olímpico João Havelange. Para ao Botafogo, que "aluga" o local, é Estádio Nilton Santos. Na Olimpíada do Rio, é simplesmente Estádio Olímpico.

Batizado com o nome do ex-presidente da Fifa após ser construído para o Pan 2007, o Engenhão passa por um polêmica com seu nome.

Após as denúncias de corrupção contra Havelange, os botafoguenses tentaram trocar o nome do estádio para homenagear um os maiores ídolos de sua torcida.

A mudança não foi aprovada pela Câmara Municipal do Rio, mas a prefeitura aceitou a troca no ano passado.

A organização da Olimpíada, porém, preferiu usar um nome mais genérico para o local, onde no momento estão sendo disputadas as competições de atletismo.

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