Nadador americano muda versão sobre suposto assalto, diz rede americana

Pivô do caso do suposto assalto a nadadores olímpicos americanos no Rio de Janeiro, Ryan Lochte "amenizou" ou "recuou" em pontos de sua versão da história, segundo a rede americana de TV NBC.

Lochte concedeu entrevista ao apresentador da NBC Matt Lauer, que detalhou a conversa no horário nobre da emissora.

De acordo com Lauter, Lochte em geral sustentou a mesma versão, mas com algumas mudanças. Ele inicialmente havia dito à própria NBC que os ladrões, passando-se por policiais em uma falsa blitz, pararam o táxi em que ele e outros três atletas estavam.

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Agora, ele afirmou que a abordagem ocorreu quando o táxi parou em um posto de gasolina para que os nadadores fossem ao banheiro. Nessa ocasião, conforme a NBC descreveu o relato do atleta, dois homens com armas e distintivos se aproximaram do carro e ordenaram que os nadadores descessem e se deitassem no chão.

"Quando eles voltaram ao táxi e pediram ao motorista para ir, disse Lochte, o motorista não respondeu, e os nadadores foram abordados na sequência", afirmou a NBC em texto sobre o caso.

Lochte também disse ao apresentador que a arma foi "apontada na minha direção", o que não bate com sua descrição inicial sobre um revólver ter sido colocado contra sua cabeça.

Questionado sobre essas divergências, o nadador de 32 anos, 12 vezes medalhista olímpico, disse que foi uma "descaracterização traumática" (traumatic mischaracterization, no original em inglês) motivada pelo estresse do momento.

O apresentador também questionou o nadador se os atletas estavam tentando encobrir algum comportamento constrangedor. "(Mas ele) interrompeu-me rapidamente, negando enfaticamente aquilo", afirmou o jornalista.

Lochte reafirmou que é vítima na história, e que ninguém na polícia disse que ele deveria ter permanecido no Brasil. Ele afirmou ter dito às autoridades que estava localizável e iria cooperar.

"Ele (Lochte) disse que (o contato com policiais) foi casual, amigável e vago, e que eles não fizeram muitas perguntas a ele", relatou o apresentador.

Versão inicial

De acordo com a versão original de Lochte, endossada pelo Comitê Olímpico Americano, os nadadores voltavam de uma festa na Casa da França, na Lagoa Rodrigo de Freitas, quando ladrões armados pararam o táxi em que estavam, exigindo dinheiro e bens.

O caso só veio à tona porque a mãe de Lochte falou a respeito ao jornal USA Today e à rede Fox Sports Australia - os atletas não prestaram queixa.

Lochte disse ao jornal USA Today que ele e os outros nadadores não relataram o caso imediatamente ao Comitê Olímpico Americano porque "estavam com medo de entrar em apuros", porque não sabiam se tinham infringido regras do comitê. E que só fizeram o relato após se certificarem de que não haviam infringido nenhuma norma.

"Nós fomos parados, no táxi, e esses caras vieram com um distintivo de polícia, sem luzes, sem nada, apenas um distintivo, e nos pararam", afirmou Lochte em uma primeira entrevista à NBC.

"Eles sacaram as armas, disseram aos outros nadadores para deitar no chão - eles se deitaram. Eu me recusei, estava dizendo que não tínhamos feito nada errado - não vou me deitar no chão."

"E daí o cara sacou a arma, engatilhou, colocou na minha cabeça e disse: 'deite-se', e eu levantei as mãos e estava (agindo como se dissesse) 'paciência'. Ele pegou nosso dinheiro, minha carteira - deixou meu celular e minhas credenciais."

Ofensiva policial e judicial

A pedido da Polícia Civil, que apontou divergências nos depoimentos de Lochte e de James Feigen, a Justiça proibiu nesta quarta-feira ambos de deixarem o país. Lochte deixou o país na segunda-feira, e Feigen ainda estaria no país, mas seu paradeiro é incerto.

Segundo a ordem da juíza Keyla Blanc, do Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos, há possíveis divergências nos relatos de Lochte e Feigen à Polícia Civil.

Lochte, por exemplo, disse à polícia ter sido abordado por um assaltante, que exigiu a entrega de todo o dinheiro (US$ 400). Feigen contou que os atletas foram surpreendidos por alguns assaltantes, mas que apenas um deles estava armado.

Em entrevista à NBC, o advogado Jeff Ostrow, que representa Lochte, disse que essa questão é "bobagem". "Ryan (Lochte) sempre afirmou que eram vários ladrões. Não sei se três ou quatro, mas vários. Se apenas um cara tivesse feito a abordagem, ele (Lochte) provavelmente teria batido nele", afirmou o defensor, segundo a rede americana.

Ostrow disse ainda à NBC que os policiais que ouviram os nadadores não falavam inglês bem.

Ao jornal The New York Times, Ostrow sugeriu que autoridades brasileiras possam estar usando o caso para desviar a atenção de outros problemas: "O país tem uma nuvem negra sobre si por um milhão de razões, da economia e crime ao gerenciamento da Olimpíada."

O comportamento dos atletas na chegada à Vila Olímpica, registrado por câmeras de segurança, também chamou a atenção da polícia e da juíza.

"Percebe-se que as supostas vítimas chegaram com suas integridades físicas e psicológicas inabaladas, fazendo, inclusive, brincadeiras uns com os outros", afirmou a magistrada na decisão.

Outro ponto que levantou suspeitas foi o horário do suposto assalto. Nas primeiras versões à polícia, eles disseram que o assalto ocorreu no trajeto entre a Casa França e a Vila dos Atletas, e que deixaram a festa por volta das 4h. Mas câmeras de segurança teriam mostrado que eles deixaram a Casa França quase às 6h, chegando à Vila dos Atletas, na região da Barra da Tijuca, às 6h56.

O caso alcançou ainda maior repercussão após os outros dois nadadores envolvidos no caso terem sido retirados de um avião por autoridades brasileiras na noite de quarta-feira.

Gunnar Bentz e Jack Conger foram retirados da aeronave e levados para a delegacia da Polícia Federal no aeroporto do Galeão, onde foram liberados sob condição de continuarem a prestar esclarecimentos.

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