Reino Unido pede desculpas por afogamento de adolescente iraquiano nas mãos de militares britânicos

  • BBC

    Ahmed Jabbar Kareem Ali morreu afogado em 2003

    Ahmed Jabbar Kareem Ali morreu afogado em 2003

O governo do Reino Unido pediu desculpas pela morte de um adolescente iraquiano que se afogou após ser forçado a entrar em um canal por militares britânicos em 2003.

Ahmed Jabbar Kareem Ali, de 15 anos, morreu em Basra, no sul do país, após ter sido "tratado de forma violenta e agressiva" por soldados que faziam parte da coalizão que invadiu o país naquele ano sob a liderança americana.

Os quatro soldados envolvidos, cujas identidades não foram reveladas, foram absolvidos da acusação de homicídio por uma corte marcial em 2006.

Porém, uma investigação independente concluiu que a morte de Ahmed foi causada de forma "clara e certeira" pelas ações dos militares.

"Sua morte ocorreu porque ele foi forçado pelos soldados a entrar em um canal onde, na presença dos soldados, se encontrou em dificuldades e foi para debaixo d'água", disse o chefe da investigação, o ex-juiz da Suprema Corte britânica, Sir George Newman.

"Sua morte poderia ter sido evitada porque ele poderia e deveria ter sido resgatado após ficar claro que estava afundando."

Para o magistrado, a ação de obrigar o adolescente a entrar na água foi "ilegal".

Incidente

O incidente aconteceu depois que os soldados foram chamados a um complexo industrial abandonado, onde flagraram entre 20 e 30 suspeitos de terem praticado saques.

Depois de uma perseguição, Ali foi um dos quatro suspeitos obrigados a entrar em uma piscina. Levados em seguida por um veículo armado do Exército britânico ao canal de Shatt-Al Basra, eles foram novamente forçados a entrar na água.

Segundo o depoimento de um dos detidos, Ayad Salim Hanoon, os quatro foram coagidos a entrar no canal "sob mira de revólver".

Ele também disse que os soldados atiraram pedras para forçá-los a ir para o fundo, embora o relatório do juiz não tenha sido capaz de esclarecer se essa acusação é verdadeira.

O documento destaca que as provas apresentadas por Hanoon "foram objeto de crítica extensa", incluindo "erros ou desentendimentos" ou problemas de tradução.

Segundo relatório, os quatro suspeitos "foram coagidos a entrar no veículo por soldados fortemente armados".

"Nenhum dos soldados deu uma explicação satisfatória de por que obrigaram os saqueadores a entrar no canal."

O Ministério de Defesa do Reino Unido disse que o episódio foi "um grave incidente pelo qual lamentamos profundamente".

"Estamos comprometidos a investigar as acusações de transgressões cometidas pelas forças britânicas, e usaremos as revelações para tirar lições e garantir que isso nunca aconteça novamente."

Conflito

As conclusões são resultado do trabalho de uma autarquia independente criada em 2013 para analisar as mortes de civis iraquianos envolvendo militares britânicos durante a Guerra do Iraque.

No conflito, uma coalizão liderada pelos Estados Unidos - que incluiu o Reino Unido - depôs o então presidente iraquiano, Saddam Hussein. Os combates deixaram 150 mil iraquianos mortos e mais de 1 milhão de desabrigados.

Mais de 200 militares e civis britânicos morreram durante o conflito.

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