O drama dos refugiados que pagam R$ 5,5 mil para viajar 19 horas debaixo de trem e tentar chegar à Europa

Refugiados de zonas de conflito desembolsam até 1,5 mil euros (cerca de R$ 5,5 mil) para chegar à Europa. A jornada, no entanto, não é fácil.

No caso de Hamid Wafa, que abandonou sua terra-natal, o Afeganistão, em busca do sonho europeu, foram necessárias 19 horas debaixo de um trem. Hamid saiu da Grécia em direção à Sérvia, passando pela Macedônia.

O objetivo, como o de muitos de seus companheiros, é continuar viagem rumo ao norte europeu, mais rico e próspero. Ele diz não querer mais voltar ao Afeganistão.

"Vi meu amigo sendo decapitado pelo Taleban diante dos meus olhos", alega.

Crise de fronteira

Grécia e Macedônia são alguns dos países que mais têm recebido refugiados, pela proximidade com o Oriente Médio e a Ásia Central. Em março deste ano, na fronteira entre os dois países, 14 mil refugiados permaneciam acampados.

Mas a situação hoje é diferente. A maioria foi deslocada para outros campos de refugiados espalhados pela Grécia. Algumas centenas encontram moradia em uma antiga fábrica de papel higiênico em Thessaloniki, uma hora ao sul da fronteira.

Maram e seus filhos fazem parte do grupo. Eles vieram da Síria e moram ali há seis meses. "Nada aqui é bom, a água não é boa, a comida não é boa, não há médicos", diz ela à BBC.

Atualmente, cerca de 60 mil refugiados vivem em campos na Grécia. O processo de asilo é demorado e muitos se sentem presos. Desesperados para sair dali, eles tentam a sorte e se lançam em viagens perigosas rumo ao norte europeu.

Mohammed é um deles. Natural de Yarmouk, na Síria, ele diz já ter tentado cruzar a fronteira nove meses. Em uma delas, foi agredido e mandado de volta para a Grécia pela polícia da Macedônia.

Segundo ele, a única chance é pagar um traficante de pessoas. "Mas não tenho dinheiro", afirma ele à BBC.

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