Seis letras que mostram a poesia das canções de Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura

Bob Dylan, o rebelde, o poeta - aquele que expressou por metáforas o que ninguém se atrevia a dizer em meio à tensão da Guerra Fria.

Bob Dylan, o maior - e, para alguns, como a revista especializada Rolling Stone, o melhor - representante das canções de protesto de todos os tempos e, hoje, o novo Prêmio Nobel de Literatura.

Para compreender melhor a arte e a genialidade de Dylan, atributos que o transformaram no primeiro músico a ser laureado com um Nobel, selecionamos trechos de seis de suas letras mais icônicas.

1. Masters of War (Mestres da Guerra), 1963

You that build the big guns / Vocês que fabricam as grandes armas

You that build the death planes / Vocês que fabricam os aviões da morte

You that build all the bombs / Vocês que fabricam todas as bombas

You that hide behind walls / Vocês que se escondem atrás de muros

You that hide behind desks / Vocês que se escondem atrás de mesas

I just want you to know / Só quero que saibam

I can see through your masks / Que posso ver através de suas máscaras

Raiva, angústia, ira. Tudo junto e misturado em plena Guerra Fria, quando os Estados Unidos começavam a intervir no Vietnã e no ano em que o presidente John F. Kennedy foi morto a tiros.

"Nunca havia escrito algo assim antes", contou Dylan em uma entrevista. "Não canto canções para desejar a morte das pessoas, mas não pude evitar isso com esta."

2. A hard rain's a-gonna fall (Uma chuva forte irá cair), 1963

I saw a newborn baby with wild wolves all around it / Eu vi um recém-nascido rodeado por lobos

I saw a highway of diamonds with nobody on it / Eu vi uma estrada de diamantes com ninguém nela

I saw a black branch with blood that kept drippin' / Eu vi um galho negro que pingava sangue

I saw a room full of men with their hammers a-bleedin' / Eu vi uma sala cheia de homens com seus martelos sangrando

I saw a white ladder all covered with water / Eu vi uma escada branca toda coberta por água

I saw ten thousand talkers whose tongues were all broken / Eu vi dez mil oradores cujas línguas estavam todas quebradas

I saw guns and sharp swords in the hands of young children / Eu vi armas e espadas afiadas nas mãos de crianças

And it's a hard, it's a hard, it's a hard, and it's a hard / E é forte, é forte, é forte e é forte

It's a hard rain's a-gonna fall. / É forte a chuva que irá cair

Considerada a "melhor canção de protesto escrita pelo melhor autor de protesto de todos os tempos" pela Rolling Stone, esta música de sete minutos fala de um pai que pergunta a seus filhos o que eles veem, e eles descrevem cenas apocalípticas.

"Cada linha é o começo de uma canção por si só", explicou Dylan na época do lançamento. Mas, ao escrevê-la, ele não achou que teria tempo suficiente para escrever cada uma destas músicas, e "por isso reuniu todas elas em uma só".

3. Like a Rolling Stone (Como uma pedra que rola), 1965

Ah you never turned around to see the frowns / Ah você nunca se virou para ver os rostos franzidos

On the jugglers and the clowns when they all did tricks for you / Dos malabaristas e palhaços quando todos faziam truques para você

You never understood that it ain't no good / Você nunca entendeu que isso não é bom

You shouldn't let other people get your kicks for you / Você não deveria deixar que outras pessoas recebam os chutes que são para você

(...)

How does it feel, ah how does it feel? / Como se sente, ah como se sente?

To be on your own, with no direction home / Estar sozinho, sem saber o caminho de casa

Like a complete unknown, like a rolling stone / Como um completo desconhecido, como uma pedra que rola

Trata-se, provavelmente, da canção mais conhecida de Dylan - e considerada a melhor de todos os tempos pela Rolling Stone.

A música catapultou o artista para o estrelato do rock, e, segundo os críticos, a combinação de diferentes elementos musicais foi "revolucionária".

4. It's alright Ma (Está tudo bem, mamãe), 1965

That he not busy being born is busy dying / Aquele que não está ocupado nascendo está ocupado morrendo

Dylan escreveu essa música em Woodstock e, 40 anos depois, fazendo uma retrospectiva, ele disse que não poderia mais escrever canções como esta.

"Não sei como escrevi essas canções. Tento sentar e escrever algo assim. Já o fiz uma vez e posso fazer outras coisas agora, mas isso eu já não consigo mais."

5. Chimes of Freedom (Sinos da Liberdade), 1964

Far between sundown's finish and midnight's broken toll / Bem depois do pôr do sol, antes do badalar pungente da meia-noite

We ducked inside the doorways, thunder went crashing / Nos atiramos pelo umbral da porta em meio a trovões que desabavam

As majestic bells of bolts struck shadows in the sounds / Enquanto os sinos majestosos dos raios lançavam sombras nos sons

Seeming to be the chimes of freedom flashing. / Como se fossem os sinos da liberdade cintilando

Um casal preso em meio a uma tempestade, entre o entardecer e a meia-noite, parece ser o tema da música. Mas, como tudo de Dylan, a canção não está isenta de um subtexto.

Segundo Mike Marqusee (1953-2015), autor de Chimes of Freedom: la política en el arte de Bob Dylan (Sinos da Liberdade: a política na arte de Bob Dylan), o tema marca uma transição entre o primeiro estilo de protesto do músico, "uma ladainha dos oprimidos, na segunda metade de cada verso", e seu estilo posterior, mais livre e caracterizado pela fusão de imagens.

6. Absolutely Sweet Mary (Maria absolutamente doce), 1966

To live outside the law you must be hones t / Para viver fora da lei, você precisa ser honesto

Uma frase que deu a volta ao mundo desde o lançamento desta música e continua a fazê-lo desde então. Faz parte do disco Blonde on Blonde (1966), recomendado pela secretaria do comitê do Nobel de Literatura para entender a poesia do autor.

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