Conheça a importância de Dabiq, a 'cidade apocalíptica' que o EI perdeu para rebeldes

  • Nazeer al-Khatib/AFP

    Soldados do Exército de Libertação da Síria combatem nos arredores de Dabiq, na fronteira com a Turquia

    Soldados do Exército de Libertação da Síria combatem nos arredores de Dabiq, na fronteira com a Turquia

Rebeldes sírios com o apoio da Turquia conseguiram retomar a cidade de Dabiq, no norte do país, que estava sob domínio do grupo autointitulado Estado Islâmico (EI), de acordo com informações de comandantes rebeldes.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos humanos, os "membros do EI se retiraram" da pequena cidade, que era muito importante para o grupo.

O avanço em Dabiq é parte de uma ofensiva maior dos grupos rebeldes sírios.

Ahmed Osman, o comandante do grupo rebelde Sultão Murad, disse neste domingo à agência de notícias Reuters que eles também recapturaram um vilarejo vizinho, Soran.

A batalha por Dabiq já era esperada há semanas porque os rebeldes vinham recapturando uma série de vilarejos com o apoio de ataques aéreos de militares da Turquia.

A cidade parece ter sido retomada rapidamente, após o anúncio de um ataque final no sábado.

Apesar de toda a operação para retomar Dabiq, ela não tinha importância por causa de seu tamanho ou de sua população. O último levantamento do governo sírio, feito em 2004, informava que Dabiq tinha pouco mais de 3 mil habitantes.

Mas o lugar tinha um grande valor simbólico para o Estado Islâmico.

Dabiq fica a cerca de 10 quilômetros da fronteira com a Turquia e é citada nas profecias apocalípticas islâmicas como o ponto onde ocorreria uma batalha do fim dos tempos entre os muçulmanos e seus inimigos "romanos".

O profeta Maomé teria afirmado que "a última hora não chegará" até que os muçulmanos derrotem os romanos em "Dabiq ou al-Amaq" (duas cidades na região da fronteira entre a Síria e a Turquia) a caminho da conquista de Constantinopla (Istambul).

E o Estado Islâmico estava tentando atrair o confronto para a região.

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Mohammed Emwazi - que as autoridades acreditam ser o militante britânico conhecido como "Jihadi John", responsável por matar cinco reféns de países ocidentais em 2014 - apareceu em um dos vídeos do EI com a cidade de Dabiq ao fundo e, a seus pés, a cabeça de Abdul-Rahman Kassig, um ex-militar americano.

"Aqui estamos, sepultando o primeiro cruzado americano em Dabiq, esperando ansiosamente pela chegada do resto dos seus Exércitos", disse Emwazi no vídeo.

O EI desafiou várias vezes os países ocidentais a enviar uma operação terrestre para a Síria.

Ao fazer o vídeo mostrando a morte de Abdul-Rahman Kassig em Dabiq, o grupo parecia ansioso para cumprir a profecia e conquistar mais legitimidade junto a uma audiência maior.

O vídeo parece mostrar os militantes em uma colina no norte de Dabiq, perto do local onde, em outra gravação, três membros do grupo falam sobre a importância da cidade.

"Estamos esperando por vocês em Dabiq", disse um deles se dirigindo às forças lideradas pelos Estados Unidos.

Referência antiga

Apesar de o Estado Islâmico usar estas referências e imagens apocalípticas desde 2014, quando capturou territórios na Síria e no Iraque, as menções à profecia de Dabiq foram citadas antes.

Depois que o grupo anunciou sua expansão saindo do Iraque e entrando na Síria, ainda em 2013 - antes de o EI ter tomado Dabiq dos rebeldes sírios em agosto de 2014 -, os vídeos do Estado Islâmico começaram a falar da profecia, sugerindo que a cidade já estava entre seus objetivos.

Muitos dos vídeos mostravam militantes em uma paisagem árida, ao som das palavras de Abu Musab al-Zarqawi, um militante jordaniano que fundou a Al-Qaeda no Iraque.

"A chama foi acesa aqui no Iraque e seu calor vai continuar a aumentar... até queimar os Exércitos dos Cruzados em Dabiq", dizia Zarqawi. Ele foi morto por um ataque aéreo americano no Iraque em 2006.

A fala foi gravada em setembro de 2004, dias antes de o grupo de Zarqawi ter capturado três reféns, um britânico e dois americanos, que seriam executados depois.

Desde então, ela tem sido usada extensivamente na revista de Dabiq, cujo lançamento, há dois anos, sinalizou uma clara intenção do EI de usar o imaginário apocalíptico para alcançar uma audiência internacional.

Um dos aspectos da vida da cidade que não foi citado pelo grupo foi a aparente destruição da tumba de Suleiman Bin Abd al-Malik, um dos califas mais antigos do Islã, enterrado ali no século 8.

Um vídeo no YouTube, adicionado dias antes do local ser dominado pelo Estado Islâmico, parecia mostrar danos ao santuário, supostamente causados por uma explosão.

A pessoa que postou o vídeo culpou o EI ou seus apoiadores pelo incidente, já que o grupo tem um histórico de destruir locais considerados anti-islâmicos.

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