De adolescente rebelde a presidente dos EUA: a trajetória de Trump

Em uma noite cheia de surpresas e reviravoltas, o bilionário Donald Trump, que concorreu pela primeira vez na vida um cargo público, elegeu-se presidente dos Estados Unidos.

O republicano foi vencedor da batalha nos principais Estados pêndulo - aqueles cujo resultado era imprevisível, como Carolina do Norte, Ohio, Flórida e Pensilvânia.

Ao longo da apuração, enquanto Trump e sua família postavam fotos e mensagens eufóricas em seus perfis em redes sociais, o planeta assistia a pesquisas eleitorais que previam vitória da rival democrata Hillary Clinton caírem por terra, uma a uma.

O presidente eleito dos Estados Unidos é parte da elite, mas ainda visto como um "outsider". Ele tem bilhões de dólares, é dono de imóveis por toda Nova York e financiou a própria campanha, mas ainda assim é popular entre os trabalhadores de baixa renda. Seu apelo com essa camada da população foi fundamental para a vitória.

Muitos americanos veem Donald Trump como um sopro de ar fresco; outros, como uma perigosa ameaça à segurança global. Mas como um jovem vindo dos subúrbios de Nova York se transformou em um magnata do ramo imobiliário e depois em presidente da maior potência do planeta?

Confira alguns dos pontos marcantes da trajetória de Trump - da infância à conquista da presidência dos Estados Unidos.

14 de junho de 1946 - Mercado imobiliário na veia

Trump nasceu em uma casa no Queens, em Nova York, no pico do chamado "baby boom" do pós-guerra.

O mercado imobiliário estava 'no sangue'. Seu pai, Fred Trump, era um corretor que cresceu no negócio e chegou a ter duas limusines com motoristas.

Sua mãe, Mary, era uma imigrante escocesa cujo pai era pescador.

As regras na casa da família eram rígidas - palavrões, por exemplo, eram proibidos.

Apesar de serem ricos, os filhos do casal tinham de arrumar o próprio dinheiro, com trabalhos temporários nas férias, por exemplo.

Donald foi uma criança rebelde. Na escola, ele chegou a dar um soco em um professor "porque achava que ele não sabia nada sobre música".

1959 - Trump adolescente

Quando seu pai descobriu um canivete no quarto de seu filho de 13 anos, decidiu enviar Donald ao colégio militar para dar-lhe retidão.

A New York Military Academy era um internato rígido, com muita ênfase em disciplina e forma física.

Donald se destacou como capitão do time de beisebol e ganhou uma medalha por sua "ordem e limpeza", mas acabou não fazendo muitos amigos.

Ele se formou em 1964 e, já atraído pelos holofotes, flertou com a ideia de ir para a faculdade de cinema.

Mas, em vez disso, foi para a Universidade Fordham e, depois de dois anos, transferiu sua matrícula para a Wharton Business School, na Universidade de Pennsylvania, onde estudou economia.

1971 - Enriquecendo em Manhattan

Três anos após se formar, Donald se mudou para um apartamento em Manhattan, na região do Upper East Side.

Para um garoto do subúrbio, mais especificamente do Queens, ele era um "outsider", uma pessoa de fora da região, mas sua audácia impressionou muitos empreendedores locais.

Em um negócio complicado que envolveu um empréstimo de seu pai, ele comprou o decadente Hotel Commodore por US$ 70 milhões - e reformou o prédio.

Trump relançou o empreendimento como Grand Hyatt em 1980. Foi um sucesso arrebatador. Trump, o magnata, havia chegado.

1982 - Trump Tower

Uma das construções icônicas de Nova York, a Trump Tower foi erguida em meio a muita polêmica.

Uma delas girou em torno dos pedreiros, que seriam poloneses sem documentação legal. Na época, o jornal New York Times também acusou Trump de ter demolido peças históricas em estilo art déco que estavam no local.

Mas nada disso atrapalhou a construção do prédio de 28 andares, onde até hoje Trump mora e trabalha. O prédio, literalmente, cimentou o nome de Trump em Manhattan.

1987 - A arte da negociação

O primeiro livro de Trump, A Arte da Negociação (The Art of the Deal, do original em inglês), foi publicado em 1987, como a proposta de compartilhar com os leitores os segredos de seu sucesso.

O livro ficou 48 semanas na lista de mais vendidos do New York Times e espalhou a fama do hoje candidato para além das fronteiras de Nova York como um autêntico "self-made man" - um homem que se fez sozinho. Essa ideia é frequentemente questionada pelo fato de Trump ter seguido justamente a área de atuação do pai - o mercado imobiliário - e por ter contado com ajuda financeira em sua primeira empreitada.

Os lucros das Organizações Trump foram às alturas, com investimentos nos anos seguintes em companhias aéreas, mercado imobiliário e tanto dinheiro que lhe permitiu comprar seu próprio iate, o Trump Princess.

1990 - Divórcio e falência

A década de 90 começou com um divórcio custoso para Trump, após sua então esposa Ivana descobrir que o marido a traía.

A recessão daquela época também minou o mercado imobiliário e os negócios de Trump começaram a ruir - um deles, o cassino Taj Mahal, em Atlantic City pediu falência. O mesmo aconteceu em 1992 com o Trump Plaza, derrubando sua reputação de gênio dos negócios.

1997 - Miss Universo

Apesar dos problemas no início da década, Trump tomou medidas drásticas para voltar a equilibrar suas contas. Vendeu seu iate e sua companhia aérea e, num movimento inesperado, comprou a franquia do Miss Universo.

Ele conseguiu inclusive lucrar com seus problemas financeiros ao lançar seu segundo livro, The Art of the Comeback (A Arte do Retorno, em tradução livre).

1999 - A morte do pai de Trump e primeira tentativa para Casa Branca

Fred Trump morreu aos 93 anos, deixando uma herança de mais de US$ 250 milhões. Seu funeral foi acompanhado por 650 pessoas.

Neste mesmo ano, Trump fez sua primeira tentativa de entrar na Casa Branca. Em sua campanha para ser candidato pelo Partido Reformista, ele disse que gostaria de ter Oprah Winfrey como vice.

Suas propostas incluíam um imposto de 14,25% sobre os super ricos para reduzir o déficit federal, banir a discriminação contra homossexuais e criar um sistema de saúde universal. Mas ele desistiu da empreitada por conta disputas internas no partido, que classificou como "uma bagunça total".

2004 - O Aprendiz

No programa apresentado pelo republicano, os participantes disputavam uma série de provas com o objetivo final de trabalhar na Trump Organization.

O capítulo final da primeira temporada foi o programa mais visto na televisão americana aquele ano, depois apenas do Superbowl, a final do campeonato nacional de futebol americano.

2015 - Disputa republicana

Em uma entrevista coletiva na Trump Tower, Donald desceu as escadas rolantes ao lado da atual esposa, Melania, e anunciou que iria entrar na corrida para ser o candidato republicano à Casa Branca.

Ele também revelou que ia financiar a própria campanha e fez algumas declarações polêmicas: referiu-se a imigrantes mexicanos como estupradores e traficantes e refutou o chamado Obamacare - projeto de política pública defendido pelo atual presidente, Barack Obama. Após esse discurso, algumas empresas, como a Macy's e a Univision, se distanciaram da campanha.

Mesmo assim, Trump continuou dando declarações controversas ao longo da disputa e chegou a defender o veto total da entrada de muçulmanos nos Estados Unidos - mais uma bomba no cenário político do país.

O desafio ao chamado Politicamente Correto é outra marca de Trump e uma das bandeiras da chamada 'alt-right' nos Estados Unidos. Conhecido como 'direita alternativa' ou mesmo direita populista, esse movimento ganhou força nos últimos anos principalmente com ajuda das redes sociais, que deu voz à parte da população normalmente excluída de debates políticos e intelectuais. Trump é um prolífico usuário do Twitter.

2016 - Divisão republicana

A tentativa ousada de Trump de se tornar o candidato republicano dividiu o partido.

Sarah Palin, por exemplo, que concorreu como vice em 2008, o apoiou com empolgação - o maior rival de Trump era Ted Cruz. Mas nem todos estavam satisfeitos. Mitt Romney, o candidato republicano nas eleições de 2012, criticou Trump em um discurso.

Em julho, Trump conseguiu garantir a nomeação como candidato oficial do Partido Republicano após bater outros 16 concorrentes à vaga.

Durante seu discurso, ele foi saudado por uma multidão que gritava "Hillary na prisão" e carregava placas com dizeres favoráveis à promessa de Trump de se construir um muro na fronteira com o México.

Novembro de 2016 - Presidente eleito

Nesta terça-feira, milhões de americanos foram às runas para escolher entre Hillary Clinton e Donald Trump para presidir o país.

Ambas as campanhas foram marcadas por polêmicas. Trump ganhou inimigos no Partido Republicano, mas recebeu 13 milhões de votos nas primárias - eram muitos americanos que queriam ver o magnata no poder.

A pergunta que todos então se faziam era se o menino do Queens conseguirá fechar mais um negócio imobiliário e ganhar a Casa Branca.

Contrariando a grande maioria das previsões, ele conseguiu.

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