'Por que votei em Trump': a visão de uma brasileira na Flórida

Luis Barrucho

Em Londres

  • Arquivo pessoal

    A mineira Evany Hirle, de 57 anos, que mora nos Estados Unidos, é a favor da proposta de Trump de construir um muro na fronteira com o México

    A mineira Evany Hirle, de 57 anos, que mora nos Estados Unidos, é a favor da proposta de Trump de construir um muro na fronteira com o México

A mineira Evany Hirle, de 57 anos, decidiu dar um voto de confiança ao republicano Donald Trump.

Moradora do Estado americano da Flórida, onde vive há dez anos desde que se mudou para os Estados Unidos, ela justifica o voto alegando acreditar que o republicano "vai arrumar a casa".

"Como a maioria dos americanos, acordei surpresa com a vitória de Trump. Foi inesperada. Mas acredito que ele vá arrumar a casa. É um voto de confiança que dei a ele", diz ela em entrevista por telefone à BBC Brasil.

Andrew Kelly/ Reuters
Donald Trump em evento da eleição, em Manhattan, Nova York, EUA
O republicano surpreendeu ao vencer em Estados-chave, inclusive na Flórida.

Evany diz acreditar que Donald Trump vai trazer uma visão "empresarial" para a política.

"Trump não parece ter os mesmos vícios dos outros. Ele parece ser diferente", avalia.

"Diferentemente de muitos eleitores republicanos, eu gosto da Hillary (a democrata Hillary Clinton, rival de Trump na disputa). Não ficaria triste se ela tivesse vencido. Mas, sem dúvida, Trump tem muito mais qualidades. Votei pensando no melhor para o país agora", opina.

Segundo Evany, também pesou em sua decisão a situação econômica dos Estados Unidos e o risco de novos atentados terroristas.

"Os Estados Unidos perderam importância mundialmente. Não somos mais uma superpotência. A época áurea ficou para trás", argumenta.

A avaliação ecoa o slogan de campanha de Trump ? Make America great again ("Tornar a América grande de novo").

"Além disso, ele é mais preparado para comandar os Estados Unidos nesse momento específico, em que sofremos com o risco de atentados terroristas, especialmente do (grupo autodeclarado) Estado Islâmico. Fiquei com medo de votar na Hillary e cometer o mesmo erro que cometi no Brasil", acrescenta.

O "erro", segundo Evany, foi ter votado em Lula (2002 e 2006) e em Dilma (2010) no Brasil.

"Me decepcionei demais com o meu voto", lamenta ela, que votou em Aécio Neves na última eleição presidencial, em 2014.

"Dessa vez, votei por convicção. Não votei aleatoriamente".

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Vergonha?

Evany, que é professora aposentada, se mudou para os Estados Unidos após a morte do primeiro marido. Ela vive legalmente nos Estados Unidos desde que se casou com um brasileiro que tem dupla cidadania.

Segundo ela, as pesquisas de intenção de voto não anteciparam a vitória de Trump porque "muita gente ficou com vergonha de dizer publicamente que votaria nele".

"Participava de uma comunidade de brasileiros no Facebook e fui alvo de ofensas ao dizer que votaria em Donald Trump. Na minha vizinhança, não tinha ninguém que falava abertamente sobre o voto em Trump", conta.

"Fui chamada de louca", acrescenta.

Alguns analistas americanos chegaram a sugerir uma reviravolta nos resultados pelo que chamaram de "maioria silenciosa", ou seja, eleitores de Trump que ficaram às margens das pesquisas por se recusarem a revelar publicamente o voto no republicano.

Evany também critica o que chamou de "parcialidade" da mídia americana.

"A imprensa, com raras exceções, só expunha o lado negativo de Trump, enquanto que Hillary só recebia elogios. Não fiquei convencida e decidi basear meu voto na minha própria pesquisa", defende.

Muro

Evany acrescenta ainda que, ao contrário de grande parte da comunidade brasileira, defende a construção do muro entre os Estados Unidos e o México, uma das promessas de campanha de Trump.

"Fui recebida neste país de braços abertos, pago meus impostos e obedeço às leis. Entrei aqui pela porta da frente. Não posso ser cúmplice de quem aproveita uma oportunidade para permanecer aqui de forma ilegal", diz.

"Eles vem aqui para ganhar dinheiro e vivem na informalidade. Isso não é certo nem justo", acrescenta.

Questionada sobre comentários polêmicos de Trump, especialmente em relação a mulheres e à comunidade de latinos, Evany diz "não prestou atenção" a eles.

"Vim de uma família de pais alemães. Às vezes, elem falam de uma forma dura. Mesmo quando querem te elogiar. Acho que esse é o caso de Trump. Já estou acostumada. Ele se parece com o meu pai nesse aspecto", conclui.

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