Por que Vladimir Putin está mais poderoso que na semana passada

  • Anna Sergeeva/Getty Images

    Em uma semana, Putin pode ter conseguido mais três aliados pelo mundo

    Em uma semana, Putin pode ter conseguido mais três aliados pelo mundo

Vladimir Putin é mais do que um político influente de atitude desafiadora treinado pela agência soviética de inteligência, a KGB.

O presidente da Rússia é um líder mundial ambicioso que entende muito bem o jogo da geopolítica global e tem interesses que vão além das fronteiras do seu país.

Entre os aliados de Putin podemos destacar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, o sírio Bashar al-Assad ou, mais recentemente, primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

Essa lista, entretanto, cresceu desde a semana passada.

Depois do resultado da eleição presidencial dos Estados Unidos, espera-se que Donald Trump se some à lista. O presidente eleito toma posse em 20 de janeiro.

Mas a esfera de influência de Putin também aumentou devido a duas eleições realizadas no último final de semana na Europa, mais especificamente na Bulgária e Moldávia.

Vitória socialista na Moldávia

As eleições do último domingo (13) nestes dois países foram consideradas uma vitória da Rússia de Putin.

Igor Dodon, líder do Partido dos Socialistas da Moldávia, ganhou o segundo turno e assumirá a Presidência.

Durante a campanha, Dodon não escondeu a intenção de "estreitar os laços" do país com Moscou.

O outro candidato propunha exatamente o oposto: sair da órbita russa e se aproximar da União Europeia.

O jornalista Petru Clej, em análise para a BBC, destaca que Dodon é "um admirador de Putin" que acredita que a Moldávia precisa de um líder com esse tipo de força.

Uma das declarações de Dodon que mais preocupa países europeus é de que as ações de Putin na Ucrânia são corretas, pois a Crimeia (território ucraniano anexado pelos russos) pertenceria à Rússia.

Em 2014, tensões entre o então presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, e a oposição desencadearam intensos conflitos na Ucrânia. O governo de Moscou é acusado de fornecer armas e equipamento militar aos rebeldes.

Um domingo para o Kremlin

Já na Bulgária, o general reformado Rumen Radev venceu a disputa pela Presidência do país.

Radev, ex-comandante da Força Aérea búlgara, foi o mais votado no segundo turno depois de superar 20 candidatos.

O futuro mandatário reitera frequentemente que é um exímio piloto de aviões de combate soviéticos.

Ele recebeu, entretanto, treinamento militar nos Estados Unidos nos anos 1990.

A vitória de Radev foi interpretada pela rádio pública alemã ARD como "mais Moscou, menos Bruxelas", em alusão a um provável distanciamento búlgaro da União Europeia.

Segundo o jornalista e comentarista ucraniano Vitaly Portnikov, "o domingo foi para o Kremlin".

O que dizem em Moscou

A mídia russa adotou um tom triunfante ao anunciar as vitórias de Dodon e Radev.

Boletins da televisão estatal transmitiram informes sobre os resultados preliminares de ambas eleições, destacando que ambos são favoráveis à aproximação com a Rússia.

"Dodon quer restabelecer um diálogo construtivo com Moscou", destacou a emissora de estatal Rossiya 1 TV, acrescentando que sua vitória "vem do amplo apoio de seu programa político pela maioria da população da Moldávia".

O canal de notícias estatal afirmou que "Radev é contrário ao pertencimento da Bulgária à OTAN e favorável a relações mais próximas com a Rússia".

A lista de Putin

Na última semana, Putin não apenas acrescentou Bulgária e Moldávia a sua lista de governos amigos, como confirmou que terá um confesso admirador na Casa Branca a partir de janeiro.

A Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, aplaudiu no momento em que se anunciou que a candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton, havia reconhecido sua derrota frente a Trump nos Estados Unidos.

Putin não demorou mais de dez minutos para enviar um telegrama de felicitação ao presidente eleito.

"A Rússia está pronta e deseja restabelecer completamente suas relações com os Estados Unidos", afirmou o mandatário russo sobre a vitória de Trump, com quem conversou pelo telefone nesta segunda-feira (14).

Ele, contudo, ainda não se manifestou sobre os resultados na Moldávia e Bulgária.

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