A autoproclamada deusa indiana acusada de matar convidada em casamento com tiro para o ar

Sadhvi Deva Thakur, uma autoproclamada deusa indiana, ficou três dias foragida depois de disparar tiros comemorativos em um casamento.

A tia do noivo morreu e três parentes ficaram gravemente feridos depois de serem atingidos pelas balas disparadas por ela e por seus seguranças na terça-feira.

Thakur se entregou nesta sexta num tribunal. Ela foi colocada sob custódia policial por cinco dias. Seus seguranças, contudo, ainda estão foragidos.

"Eu sou inocente, não fiz nada de errado, é uma conspiração contra mim", disse ela a jornalistas depois de sua rendição. "Estou muito triste que alguém tenha morrido nesse evento", acrescentou.

Imagens do casamento, que aconteceu na terça-feira em Haryana, Estado ao norte da Índia, mostram Thakur atirando para cima primeiro com um revólver e, em seguida, com uma arma de cano duplo.

Um vídeo publicado no Facebook mostra que alguns dos seguranças a acompanharam fazendo disparos para o alto.

De acordo com relatos publicados pela imprensa indiana, os convidados ficaram atordoados ao ver Sadhvi, palavra hindi para mulher sagrada ou deusa, atirando na celebração.

Segundo pessoas que estavam na festa, ela pediu ao DJ para que tocasse uma música - foi então que seu grupo começou a dançar e a fazer os disparos.

Familiares da noiva e do noivo teriam implorado para que ela parasse, mas a "deusa" parecia ignorar os apelos.

Os tiros só cessaram quando uma tia do noivo, que tinha 50 anos, caiu no chão após ser atingida por uma bala perdida. Outras três pessoas ficaram gravemente feridas com os disparos.

Na confusão que se seguiu, o Sadhvi e seus seis seguranças foram embora da festa. A polícia registrou uma acusação de homicídio contra a "deusa" e seus guarda-costas.

Declarações polêmicas

Não é a primeira vez que Sadhvi Thakur, vice-presidente do partido nacionalista indiano Hindu Mahasabha, vira notícia por enfrentar uma acusação policial.

No ano passado, Thakur declarou publicamente que muçulmanos e cristãos devem ser submetidos à esterilização. O objetivo seria fazer o número de seguidores dessas religiões parar de crescer.

"A população de muçulmanos e cristãos está crescendo a cada dia e, para controlar isso, o governo deve fazer uma lei para impedir os muçulmanos e cristãos de produzirem tantas crianças. Eles devem ser obrigados a sofrer esterilização para que não se proliferem", disse a "deusa" indiana num encontro.

As afirmações foram suficientes para que a polícia abrisse um procedimento contra ela.

Thakur endossa a sugestão de alguns líderes hinduístas extremistas de que mulheres hindus devem ter mais filhos para combater a ameaça de se tornarem minoria religiosa em seu próprio país.

"Como você compete com uma fila que fica cada vez mais longa? Fazendo uma outra fila ao lado ainda mais comprida", explica a indiana, detalhando estratégia de combater religiões diferentes do hinduísmo.

Em outro comentário controverso, publicado pelo jornal indiano DNA, ela teria defendido colocar ídolos de deuses e deusas hindus em mesquitas e igrejas. Também queria, de acordo com a publicação, uma estátua de Nathuram Godse, o assassino de Mahatma Gandhi, em Haryana.

Extravagância

Thakur, de 27 anos, nasceu e cresceu em Bras, uma pequena aldeia no distrito de Karnal, capital do Estado de Haryana.

Há alguns anos, montou um ashram (retiro espiritual) em sua aldeia e conquistou um pequeno grupo de seguidores, quase todos moradores de vilarejos locais.

Um jornalista local diz que ela é uma "caçadora de holofotes", dona de um estilo de vida extravagante.

A "deusa" aparece quase sempre vestida, da cabeça aos pés, com roupas cor açafrão. Usa jóias de ouro e tem um peculiar gosto por armas de fogo.

Tem uma página no Facebook, administrada pelo irmão Rajeev Thakur, que a identifica como a diretora da Fundação Deva Índia e a proclama como "nacionalista". Ela tem pouco mais de 12 mil seguidores na rede social.

Thakur se juntou ao partido político Hindu Mahasabha há dois anos. Dharampal Siwach, um dos filiados no Estado de Haryana, disse à BBC que viajou com a "deusa" até a sede do partido em Delhi há dois anos.

"Ela foi nomeada vice-presidente nacional do partido depois que eu fiz lobby em seu nome", disse ele.

"Mas logo paramos de convidá-la para nossas reuniões e eventos porque ela estava sendo fotografada com armas e isso nos deixou muito desconfortáveis", completa o militante.

Agora, a vice-presidente do partido nacionalista hindu pode ser condenada por homicídio.

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