Nova crise que opôs Calero e Geddel é 'remake político' de "Aquarius", diz francês Le Monde

  • Alan Marques/Folhapress

    Temer (e), Padilha (c) e Geddel (d) foram denunciador pelo ex-ministro Marcelo Calero

    Temer (e), Padilha (c) e Geddel (d) foram denunciador pelo ex-ministro Marcelo Calero

"Remake político do filme Aquarius no Brasil". Asssim o jornal francês Le Monde definiu o episódio que abriu uma nova crise no governo de Michel Temer, no qual o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero diz ter sido pressionado para liberar um empreendimento imobiliário em Salvador (BA) de interesse do ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima, que pediu demissão nesta sexta-feira (25).

Para o Le Monde, são "enormes" as similaridades entre o filme do cineasta pernambucano Kléber Mendonça Filho, estrelado por Sônia Braga, e o motivo da demissão alegado por Calero.

"De repente, a realidade supera a ficção", escreveu o periódico francês, em editorial publicado na quarta-feira. De acordo com o texto, "a pressão implacável de um peso pesado do governo para a construção de um grande complexo de edifícios em Salvador" é "uma versão política em quase nada retrabalhada" do roteiro de Aquarius.

No filme, lembra o Le Monde, uma mulher luta contra uma construtora para não ser desalojada de seu apartamento nem deixar que o edifício onde ela guarda as principais memórias de sua própria história seja transformado em um arranha-céu de luxo.

Divulgação
Sonia Braga em cena do filme Aquarius
Ironicamente, o ex-ministro da Cultura criticou publicamente o elenco do filme por conta de um protesto feito durante sua exibição no renomando Festival de Cinema de Cannes, na França, quando diversos representantes exibiram cartazes de protesto contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff do lado de fora.

Em depoimento à Polícia Federal, Marcelo Calero narrou ter sido pressionado para convencer o Instituto do Patrimônio Histório Nacional (Iphan) a voltar atrás e derrubar um embargo ao empreendimento La Vue Ladeira da Barra - um prédio de alto luxo nos arredores de uma área tombada de Salvador onde o ministro Geddel Vieira Lima teria adquirido um apartamento.

Calero, que diz ter pedido demissão por conta do episódio, afirma que, após receber pressão de Geddel, procurou Temer para tratar do caso, mas o presidente o "enquadrou" para tentar buscar uma saída para o impasse na liberação do empreendimento. Ele diz que foi pressionado até mesmo pelo ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

O depoimento do ex-ministro da Cultura à PF foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e encaminhou para a análise da Procuradoria-Geral da República, que deve pedir a abertura de uma investigação contra Geddel.

O Palácio do Planalto nega qualquer irregularidade e afirma que o presidente Michel Temer defendeu uma "saída técnica" para o embate, ao pedir que o caso fosse levado à Advocacia-Geral da União (AGU). E que apenas buscou arbitrar conflitos entre os ministros.

A nova crise do governo Temer também ganhou espaço no jornal argentino Clarín, que definiu a história como escândalo. "Ministro de Temer é acusado de corupção", escreveu.

A rede alemã Deutsche Welle também narrou o episódio em um texto publicado em português, com o título "Ex-ministro diz que foi pressionado por Temer no caso Geddel".

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