Nas redes sociais, chapecoenses pedem que Temer não seja vaiado

Com a notícia de que o presidente Michel Temer virá a Chapecó para receber os corpos dos atletas e dirigentes da Chapecoense que chegarão da Colômbia no sábado, moradores começaram a compartilhar pedidos para que não haja manifestações políticas.

"Não pensem no mau momento da política brasileira (...) Não vamos para a Arena criticar o Temer... ao contrário, gente, vamos lá nos despedir dos guerreiros", diz uma mensagem escrita no Facebook na última quinta-feira e compartilhada dezenas de vezes em grupos de WhatsApp na cidade.

A mensagem é uma resposta à possibilidade que o presidente não compareça ao estádio para evitar ser vaiado durante o funeral.

Até o início da noite desta sexta, Planalto confirmou que Temer irá apenas ao aeroporto da cidade no início da manhã, quando chegarão os caixões dos 51 chapecoenses vitimados no acidente. Os 20 corpos restantes seguirão para São Paulo em outro voo.

Em nota, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República disse que Temer entregará às famílias a Medalha da Ordem do Mérito Desportivo "como reconhecimento do governo federal e do povo brasileiro pelos serviços prestados ao país por todos os que estavam naquele voo".

Osmar Machado, pai do zagueiro Filipe, disse à imprensa na manhã desta sexta-feira na Arena Condá que foi informado de que familiares deveriam ir ao aeroporto "receber" o presidente. Ele afirmou considerar isso "um desrespeito".

"O importante aqui hoje somos nós", afirmou ele na entrevista, que também passou a ser compartilhada nos grupos de WhatsApp.

À imprensa, a assessoria do presidente disse que seu porta-voz, Alexandre Parola, ligou para Machado e "esclareceu o mal-entendido".

"Não houve qualquer exigência da Presidência para que as famílias estivessem no aeroporto. O presidente da República é um convidado da cerimônia de homenagem às vítimas."

A assessoria do Palácio do Planalto não informou as razões pelas quais ele não compareceria ao velório público, mas, segundo o noticiário político, o motivo é o receio de vaias.

"Não pode ser verdade (que famílias ouviram que iriam ao aeroporto para receber Temer). Vamos colocar isso como uma observação que alguém faz num momento de muita tristeza, de excesso de informações e contrainformações", disse à BBC Brasil o senador Paulo Bauer (PSDB-SC).

"Eu conheço Temer, ele não iria pedir ou determinar uma coisa absurda dessas, isso não faz o menor sentido. Mas se ele ficar no evento público vão dizer que ele está fazendo política."

Questionado pela BBC Brasil, o Planalto não quis se pronunciar sobre a declaração de Machado.

Do aeroporto, os caixões seguirão em cortejo até a Arena Condá, no centro da cidade. Os familiares das vítimas terão acesso exclusivo ao local na primeira hora após a chegada dos corpos.

Os organizadores da Chapecoense esperam cerca de 19 mil pessoas nas arquibancadas do estádio na manhã de sábado. No gramado, onde estarão os caixões, duas mil pessoas poderão ficar, incluindo 900 jornalistas credenciados.

Insistência

O senador Dario Berger (PMDB-SC), que foi à Arena Condá na manhã desta sexta-feira, disse que ainda tem expectativa de que o presidente "dê um pulinho" no velório.

"Eu defendo e sempre defendi que ele viesse ao estádio. Esse é um momento de comoção mundial que transcende a política partidária e Santa Catarina sabe diferenciar a crise política e econômica que estamos vivendo de um momento especialíssimo como esse, onde a dor toma conta de todos nós."

Questionado pela BBC Brasil sobre a decisão de não vir poder ter uma repercussão negativa, Berger afirmou que "tudo o que a gente disser pode soar como um rastilho de pólvora para ânimos mais exaltados".

"Eu penso que o presidente deveria vir, mas ele deve ter as razões dele. Da minha parte, eu irei ao aeroporto e insistirei para ele vir, direi que será muito bem recebido", disse.

Assim como as autoridades, moradores de Chapecó também se dividem a respeito da decisão do Planalto.

A professora Thais Pilate, de 37 anos, diz não ser "torcedora assídua" do time, mas quis prestar homenagem às vítimas.

Ela recebeu as mensagens sobre o presidente no WhatsApp, viu a declaração de Osmar Machado, pai do jogador Filipe, e diz que "não há motivo" para o presidente não ir à Arena Condá.

"Se ele veio até Chapecó, não tem porquê ele não se deslocar até aqui. Ouvi na rádio que a questão é que para ele vir até o estádio seria preciso ter organização de segurança da Presidência. Mas não sei se a organização da Chapecoense seria diferente", disse.

Seu marido, Paulo Cesar Pasin, de 43 anos, é sócio-torcedor do clube e acha que a vinda de Temer ao aeroporto já "está de bom tamanho".

"Já é uma homenagem, né. É bom. Mas se ele vier até aqui seria melhor", diz.

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