Como encontro com mochileiras ajudou dependente de drogas a virar empresário de sucesso

Quando estava no fundo do poço, o escocês Ryan Longmuir se drogava todos os dias, diz, "apenas para se sentir normal". Hoje, longe do vício, é um empresário de sucesso.

"Dos 15 aos 20 anos, eu usei drogas todos os dias", recorda ele, que também traficou e, em determinado momento, chegou a ser preso.

Livre das drogas, Longmuir conseguiu recuperar as rédeas de sua vida. E, aos 24 anos, lançou uma empresa de catering (especializadas em fornecer refeições coletivas) chamada Regis Banqueting.

O negócio, que já tem 13 anos, tem clientes de grande porte, incluindo a rede de telefonia móvel O2, a montadora de luxo Bentley e o banco de investimentos JP Morgan.

Mas em que momento ele conseguiu dar essa virada?

Em 2000, Longmuir embarcou para a Nova Zelândia em busca de um recomeço. Mas foi logo preso, depois que alfândega interceptou um pacote de 100 comprimidos de ecstasy que ele tinha despachado da Escócia.

Libertado sob fiança, Longmuir precisava ir à delegacia a cada dois dias, o que não diminuiu em nada a vontade de se drogar. Mas foi aí que conheceu duas mochileiras que teriam papel fundamental na sua trajetória.

Elas o levaram para almoçar e, em seguida, para a igreja. Permitiram ainda que ele se mudasse para sua casa.

"Foi quando eu pensei que haveria algum sinal em tudo isso. Por que duas estranhas fariam isso? Elas foram o catalisador para a minha mudança", revela Longmuir, lembrando da prece que havia feito dias antes na cadeia, após o conselho de uma amiga.

"Eu pensei 'você não está com a cabeça no lugar', mas decidi tentar. Desci da minha cama e disse: 'Não acredito que há um Deus, mas se você é real, então me prova e eu acreditarei em você."

As mochileiras foram a comprovação que ele precisava, diz. Longmuir conta que descobriu sua fé rapidamente, e a mudança foi imediata. De repente, as drogas perderam todo o apelo - e ele jogou todos os entorpecentes que tinha no mar. Desde então, está "limpo".

"Eu sei que a maioria das pessoas que usam drogas não têm essa experiência. A maioria fica bem por um tempo, então tem uma recaída. Cada jornada é diferente, mas essa é a minha", diz.

O regresso

Embora tenha escapado da prisão na Nova Zelândia, seu visto foi revogado e ele retornou à Escócia em maio de 2000. Passou então a frequentar uma igreja evangélica em Cumbernauld, sua cidade natal, onde conheceu sua esposa e se casou.

Para ganhar dinheiro, Longmuir conseguiu um emprego trabalhando com dependentes de drogas e álcool. E usou a própria experiência para tentar ajudá-los a parar com o vício.

Anos depois, quando o financiamento para seu trabalho acabou, ele se viu desempregado. Foi quando surgiu a oportunidade de abrir o próprio negócio.

A igreja que frequentava precisava de uma empresa de catering para comandar o café do seu centro de conferências, eo pastor sugeriu que Longmuir se candidatasse.

Apesar de ter pouca ou nenhuma experiência no setor, ele agarrou a oportunidade e fundou a Regis Banqueting. Começou a frequentar a faculdade, ao mesmo tempo que comandava o café e aprendia com a experiência.

"Eu tive que telefonar para minha sogra para perguntar como faz bolo de carne", relembra.

"Eu era jovem e ingênuo. Se soubesse o que sei hoje, provavelmente não teria começado", afirma.

Para ajudar Longmuir a expandir o negócio, a Princes Trust, instituição do Reino Unido de apoio a startups, liderada pelo príncipe Charles, concedeu a ele um empréstimo de 5 mil libras.

O empresário diz que os primeiros três anos foram difíceis, mas os clientes e os contratos foram crescendo no decorrer do tempo.

Atualmente, a Regis Banqueting tem 65 funcionários - 20 em tempo integral e 40 em horário parcial, muitos dos quais sazonais. Um negócio que movimenta 1,3 milhão de libras (R$ 6,34 milhões) ao ano.

Longmuir e a empresa já conquistaram uma série de prêmios, incluindo o de jovem empresário do ano, oferecido pelo Royal Bank of Scotland, e de diretor do ano, da organização Institute of Directors.

Para Eleanor Shaw, chefe do Centro Hunter de Empreendedorismo da Universidade de Strathclyde, em Glasgow, a motivação e o entusiasmo de Longmuir que ajudam a fazer dele um sucesso.

"Catering é um mercado realmente difícil, mas ele tem tanta energia", diz. "É muito trabalhador e motivado, o que faz varrer todos ao seu redor", acrescenta.

Olhando para sua juventude conturbada, Longmuir diz ter consciência de que sua vida poderia ter sido muito diferente.

Por isso, ele tenta ajudar outras pessoas que enfrentam o vício e a pobreza. Ele contrata, por exemplo, ex-dependentes e infratores para sua equipe.

Ele também está no processo de abrir outra empresa, que se concentrará na criação de uma marca de restaurantes casuais. O primeiro será lançado em Glasgow no ano que vem - a meta é expandir pela Escócia e o Reino Unido antes se tornar internacional.

"Às vezes eu digo à minha mulher que é incrível como estamos ganhando mais dinheiro do que um médico ou advogado - e estamos fazendo sanduíches", afirma.

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