Estado Islâmico reivindica autoria de ataque em Berlim: entenda o que se sabe até agora

O único suspeito preso pelo ataque com um caminhão a um mercado natalino em Berlim foi solto nesta terça-feira, de acordo com promotores. Eles afirmam não ter provas suficientes contra o homem, que foi identificado pela mídia local como um paquistanês de 23 anos chamado Naved B., que havia solicitado refúgio no país.

O grupo extremista autodenominado Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria do atentado, que deixou 12 mortos e 50 feridas na noite da segunda-feira (19).

O suspeito foi capturado em um parque após ter deixado o local do incidente, segundo relatos. Ele negou qualquer envolvimento com o crime.

O ministro do Interior, Thomas de Maizière, disse "não haver dúvida" de que trata-se de um ataque terrorista.

Outro homem, um polonês, foi encontrado morto dentro do caminhão, de acordo com a polícia. A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que seria "especialmente repugnante" se fosse confirmado que o autor do crime tivesse sido alguém "que pediu proteção à Alemanha".

Em reação ao recente ataque e outros quatro ocorridos neste ano, foram reforçadas as críticas à política de Merkel que abriu as portas do país para centenas de milhares de pessoas em busca de asilo.

Abaixo, algumas respostas às perguntas sobre o ataque:

O que aconteceu?

Por volta das 20h14 (horário local), o motorista jogou um caminhão contra o público em um dos momentos mais movimentados mercados de Natal em Breitscheidplatz, perto do Kurfürstendamm, a principal rua comercial do centro de Berlim, repleta de moradores locais e turistas.

O local fica ao lado da ruína da igreja Kaiser Wilhelm, que foi bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial e preservada como um símbolo dos horrores do conflito.

O caminhão de 25 toneladas carregava vigas de aço e teria arrastado tudo o que cruzou pela frente por cerca de 50 a 80 metros.

Quem é o motorista?

Ainda não se sabe ao certo. Um suspeito foi detido, mas ele foi solto na tarde desta terça-feira. O chefe da polícia de Berlim, Klaus Kandt, declarou não ser possível confirmar se ele era de fato o motorista.

O suspeito foi preso a cerca de 2 km do local do ataque, mas negou envolvimento. Os primeiros relatos davam conta que o homem teria deixado o caminhão a pé e fugido em direção ao Tiergarten, parque que abriga o zoológico da cidade, quando foi seguido por uma testemunha, que avisou à polícia, disse o porta-voz da corporação, Winfried Wenzel.

Citando fontes das forças de segurança, a mídia alemã disse que o suspeito seria um paquistanês de 23 anos identificado como Naved B. Ele teria chegado ao país pedindo asilo em dezembro de 2015 e viajado para Berlim em fevereiro deste ano, informou o governo alemão, mas sua solicitação ainda não foi analisada.

O jornal Tagesspiegel disse que ele era conhecido pela polícia por crimes menores, e não por vínculos com terrorismo.

Segundo relatos, forças especiais invadiram nesta terça-feira um hangar no antigo aeroporto de Tempelhof, onde há um abrigo no qual o suspeito estaria vivendo antes do ataque.

Entretanto, o jornal alemão Die Welt citou "uma fonte do alto escalão de segurança" do país, segundo a qual o verdadeiro autor do ataque ainda estaria à solta e armado.

A polícia mantém a cidade em estado de alerta e continua a pedir que a população informe qualquer atitude que considere suspeita.

Foi um ato terrorista?

O ministro Maizière disse "não haver dúvidas" de que se tratou de um ataque terrorista.]

Uma testemunha, o britânico Mike Fox, disse à agência AP que o caminhão havia passado a cerca de três metros de onde ele estava parado no mercado e que, em sua opinião, "definitivamente foi uma ação deliberada".

A polícia afirmou que serviços de segurança não tinham pistas de que os famosos mercados de Natal do país poderiam ser alvo de agressões por grupos islâmicos.

O promotor-chefe Frank informou que um grupo divulgou um vídeo assumindo sua autoria, mas não deu mais detalhes sobre qual seria a organização e esclareceu ainda não poder afirmar que o ato como motivação o extremismo islâmico.

O motorista agia sozinho?

O chefe do Ministério Público alemão, Peter Frank, disse uma coletiva nesta terça-feira que ainda não dá para determinar se o ataque teve um ou mais autores.

A polícia também informou que um passageiro foi encontrado morto na cabine do caminhão. Mais tarde, soube-se que este era polonês. Suspeita-se que ele tenha sido vítima de um sequestro - uma pistola que teria sido usada para matá-lo ainda não foi achada.

O caminhão está registrado na Polônia. O dono da companhia de transporte polonesa que usava o veículo disse que não havia conseguido contato com o motorista original da unidade, também polonês, desde às 16h (horário local) de segunda-feira.

"Não sabemos o que aconteceu, é meu primo, o conheço desde que era criança, posso jurar por ele", disse o empresário Ariel Zurawski à agência de notícias AFP.

O Ministério Público alemão informou não ser incomum que uma companhia perca contato com seu motorista. A partir de dados de GPS do veículo, foi determinado que ele ficou parado por algumas horas em Berlim, algo que não seria de se estranhar já que a entrega que o caminhão deveria fazer tinha sido adiada.

Quem são as vítimas?

Os nomes do homem encontrado no caminhão e das outras 11 vítimas fatais ainda não foram divulgadas. A polícia ainda não concluiu sua identificação e apenas informou que há seis alemães entre os mortos. Dos 50 feridos, 18 estão em estado grave.

O porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, disse em sua conta no Twitter: "Estamos de luto pelos mortos e com esperança de que os vários feridos possam receber ajuda".

Enquanto os veículos dos serviços de emergência se apressavam para chegar ao local do ataque, a polícia de Berlim pediu ao público para evitar a região e ficar em casa.

O britânico Mike Fox testemunhou o ataque e disse à agência AP que várias pessoas atingidas pelo veículo pareciam ter fraturas nos membros, enquanto outras ficaram presas embaixo dos destroços do mercado.

Outra testemunha, a australiana Trisha O'Neill, disse à Australian Broadcasting Corporation: "Apenas vi um grande caminhão preto cruzando o mercado em alta velocidade e esmagando muitas pessoas. Foi quando as luzes de apagaram e tudo foi destruído. Ouvi gritos, e todos ficamos paralisados. Então, as pessoas voltaram a se mover e a tirar as pessoas dos destroços, tentando ajudado quem estivesse sob eles".

Foi o primeiro ataque do tipo?

Esse é o quinto ataque no país neste ano. Os quatro primeiros ocorreram ao longo de apenas uma semana em julho passado.

No dia 18 daquele mês, um adolescente afegão refugiado no país atacou um trem, deixando cinco feridos antes de ser morto. Quatro dias depois, um adolescente alemão descendente de iranianos matou nove pessoas a tiros em Munique antes de se suicidar.

No dia 24, um refugiado sírio de 21 anos matou uma mulher com uma machadinha e deixou cinco feridos antes de fugir e ser preso. Algumas horas depois, um sírio de 27 anos - que teve de pedido de asilo negado - explodiu a si mesmo do lado de um bar. Quinze pessoas se feriram.

Serviços de segurança afirmaram que os ataques não tinham ligação entre si e que não é possível dizer que o ataque do dia 22 de julho foi um ato terrorista, já que motivações políticas foram descartadas.

O incidente de segunda-feira em Berlim lembrou o ataque com um caminhão no Dia da Bastilha em Nice, na França, em 14 de julho, quando 86 pessoas foram mortas. Na época, o grupo extremista autodenominado Estado Islâmico também assumiu a autoria.

Tanto o EI quanto a al-Qaeda disseram a seus seguidores para usarem caminhões em ataques contra multidões.

Como tem sido a reação na Alemanha até agora?

A tensão vem aumentando desde os ataques cometidos em julho. Existe a preocupação que ao alto influxo de refugiados pode permitir a entrada de combatentes extremistas.

A chanceler Merkel disse estar "em choque e muito triste", mas acrescentou: "Não queremos viver com medo do mal, senão os inimigos da liberdade já terão vencido".

O governo informou que os mercados natalinos de Berlim permanecerão fechados nesta terça-feira, mas que outros fora da capital funcionariam normalmente.

Autoridades disseram que o ataque a um mercado de Natal é "simbólico", mas afirmou ser impossível transformar esses locais em "fortalezas" para protegê-los de novas ações do gênero.

O Ministério Público afirmou ainda que não é possível prevenir todo e qualquer tipo de ataque, mas que deve-se esperar por ações semelhantes a esta no futuro.
Merkel afirmou que seria "especialmente repugnante" se o autor do ataque fosse um refugiado e prometeu aplicar "as penas mais duras permitidas pela lei" para punir os responsáveis.

A chanceler instituiu no país uma política de abertura para imigrantes. No ano passado, 890 mil refugiados em busca de asilo chegaram ao país. Críticos à medida disseram que ela era um risco à segurança.

Marcus Pretzell, membro do partido AfD, que defende políticas anti-imigração, culpou Merkel e sua política pelo ataque.

Por sua vez, Horst Seehofer, líder do CSU, partido-irmão da legenda de Merkel na Baviera, pediu que a chanceler "repense e mude sua política de imigração e segurança" após o ocorrido nesta segunda-feira.

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