Turquia divulga imagens de suspeito de ataque que matou 39 em boate; o que se sabe até agora

A polícia da Turquia divulgou novas imagens do suspeito de ser o responsável pelo ataque na noite de Ano Novo na boate Reina, em Istambul, que deixou 39 mortos e 69 feridos.

A imprensa do país citou fontes dentro da polícia informando que o homem pode ser do Uzbequistão ou Quirguistão.

Está sendo investigado se ele pertence a uma célula do grupo extremista autodenominado Estado Islâmico (EI) que foi apontada como responsável pelo ataque contra o aeroporto Ataturk, em junho de 2016, também em Istambul.

Segundo informações, ele teria viajado para a Turquia com a esposa e dois filhos em novembro. Agora, sua família foi detida em meio a uma série de operações da polícia em Istambul em que foram presas 12 pessoas até o momento.

Digitais e descrição

O vice-primeiro-ministro da Turquia, Numan Kurtulmus, afirmou que as autoridades conseguiram impressões digitais e uma descrição básica do suspeito.

Kurtulmus prometeu uma identificação rápida do homem e afirmou que o ataque foi uma "mensagem" contra as operações da Turquia na Síria, mas insistiu que estas ações militares não serão afetadas.

O país atua desde agosto em território sírio com o objetivo de fazer com que o EI e forças curdas recuem. As batalhas mais violentas contra o EI ocorreram recentemente na cidade de Al-Bab, no norte.

O grupo disse estar por trás do atentado na Reina ao afirmar em um comunicado que ele foi realizado por um "soldado heróico" e acusar a Turquia de derramar o sangue de muçulmanos com seus "ataques aéreos e com morteiros" na Síria.

Apesar de o EI estar ligado a outros ataques na Turquia, o grupo não havia assumido responsabilidade por nenhum deles antes.

Disparos

Ao menos 600 pessoas celebravam a virada do ano nas primeiras horas de domingo na Reina quando um homem abriu fogo indiscriminadamente contra o público.

No domingo, o atirador chegou de táxi ao local às 1h30 do horário local (21h30 de Brasília) e pegou uma arma de cano longo que estava no porta-malas.

Ele matou primeiro um segurança e um agente de viagens ainda do lado de fora e, em seguida, entrou na boate. Segundo a mídia local, disparou 180 balas ao longo de sete minutos antes de fugir, deixando sua arma para trás.

Cerca de dois terços das vítimas que morreram na boate eram de outros países, segundo a imprensa local, um reflexo da popularidade da boate entre estrangeiros que visitam a cidade.

A Reina fica à margem do Bósforo, estreito que marca o limite dos continentes asiático e europeu na Turquia, e é uma das casas noturnas mais chiques de Istambul, famosa por seu glamour e clientes famosos.

A cidade já estava em alerta, com 17 mil policiais atuando, após uma sequência de ataques recentes na Turquia. Pelo menos 69 pessoas ainda estão internadas, três delas em estado grave.

Estado de alerta

Em um comunicado, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que "lutaria até o fim contra o terrorismo". "Estão tentando instalar o caos, desmoralizar nosso povo e desestabilizar o país com ataques abomináveis contra civis", disse ele.

"Vamos manter calma, nos unir ainda mais e nunca ceder a essas artimanhas sujas. Faremos o que for necessário para garantir a segurança dos cidadãos e a paz na região."

A Turquia também vem travando há décadas um conflito com militantes curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PPK), organização que deseja a criação de um Estado independente em uma região que hoje faz parte do território turco.

Mas o grupo negou ter ligação com o ataque de domingo. Um de seus cofundadores, Murat Karayilan, disse à Firat, uma agência de notícias pró-PKK, que o grupo "nunca atacaria civis inocentes".

O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, classificou o ataque como um "massacre, uma verdadeira selvageria".

'Corpos sobre mim'

Sobreviventes do ataque a uma boate em Istambul, na Turquia, descreveram como uma noite de comemoração se transformou em um massacre.

O barman Mehmet Yilan, de 36 anos, disse que o atirador "invadiu o local e foi imediatamente em direção às pessoas no lado esquerdo, que é sempre o mais lotado... Ele parecia saber aonde ir".

"Ele estava atirando de forma aleatória, mas mirava na parte superior do corpo. Ele não queria apenas ferir as pessoas."

O jogador de futebol Sefa Boydas disse à agência de notícias AFP que teve de caminhar sobre corpos para sair da boate, à qual havia chegado dez minutos antes.

"Ainda estávamos nos acomodando quando surgiu muita fumaça e poeira na porta. Ouvimos tiros. Muitas garotas desmaiaram na hora", disse ele.

Presente na boate no momento do ataque, Sinem Uyanik também contou ter vistos muitos mortos e que seu marido, Lutfu Uyanik, ficou ferido, mas não corre risco de morte.

"Antes que pudesse entender o que estava acontecendo, meu marido caiu sobre mim", afirmou ela do lado de fora do hospital Sisli Hospital na manhã do domingo.

"Tive de erguer muitos corpos que estavam sobre mim para sair de lá."

Outros clientes da boate também relataram seu choque diante do desenrolar do ataque. "Estávamos aqui para nos divertir, mas, de repente, tudo virou caos e uma noite de horror", disse Maximilien, um turista italiano, à AFP.

Mehmet Dag estava do lado de fora da boate no momento em que o atirador começou a agir e disse ter ficado frente à frente com o criminoso.

"Ele atirou contra seguranças e, em seguida, entrou. Ouvi sons de tiros e, após dois minutos, uma explosão. Fiz contato visual com ele, que olhava para nós e sorria."

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