O conselho do vice-presidente dos EUA a Donald Trump: 'Cresça'

  • Pedro Ladeira/Folhapress

Em uma crítica aos ataques de Donald Trump aos serviços de inteligência dos Estados Unidos, o atual vice-presidente do país, Joe Biden, mandou o presidente eleito "crescer".

Nesta sexta-feira, Trump deve ser informado sobre o que levou os EUA a acusarem a Rússia de interferir nas eleições presidenciais americanas - suspeita da qual ele tem afirmado publicamente ter dúvidas.

Biden disse que era "absolutamente pouco inteligente" o presidente eleito não acreditar nas agências de espionagem americanas.

A Rússia nega envolvimento no escândalo do vazamento de emails da equipe da candidata democrata Hillary Clinton, o que teria ajudado Trump a derrotá-la no pleito de novembro passado.

O republicano questionou nesta quinta a certeza sobre o envolvimento da Rússia, uma vez que, segundo afirmou, "nunca foi feito um exame nos servidores dos computadores" do Comitê Nacional Democrata.

'Cresça, Donald, cresça'

"Para um presidente, não ter confiança, não estar preparado para ouvir a uma quantidade inumerável de agências de inteligência, do serviço de inteligência do Departamento de Defesa à CIA (Central de Inteligência Americana) é absolutamente pouco inteligente", disse Biden em entrevista à rede americana de TV PBS.

"A ideia de que você sabe mais do que a comunidade de inteligência é como dizer: eu sei mais Física do que meu professor. Eu não li o livro, mas simplesmente sei que sei mais."

Ao ser questionado sobre o que achava dos frequentes ataques de Trump pelo Twitter, Biden disse:

"Cresça Donald, cresça. É hora de ser adulto, você é presidente. É hora de fazer algo. Mostre do que você é capaz."

Apesar das críticas, o vice-presidente disse que Trump é "um sujeito bom".

Acusações contra os russos

Biden disse ter lido o relatório das agências de inteligência americanas que destacam o envolvimento russo, cujos detalhes começam a ser divulgados na imprensa dos EUA.

Segundo o jornal Washington Post e o telejornal NBC News, que citaram fontes dos serviços secretos, as agências interceptaram comunicações no dia seguinte à eleição em que autoridades do alto escalão do governo russo comemoram a vitória de Trump.

Também identificaram os russos apontados como envolvidos no roubo de e-mails do Partido Democrata repassados ao site especializado em vazamentos Wikileaks.

O NBC News disse que o suposto ataque russo não teve como alvo apenas o Comitê Nacional Democrata, mas também a Casa Branca, os chefes do Estado-Maior americano, o Departamento de Estado e grandes corporações dos EUA.

Uma versão pública destes relatórios será divulgada na próxima semana.

Biden disse que o relatório dos serviços secretos detalha claramente "que os russos, por uma questão política, tentaram atingir e desmoralizar o processo eleitoral dos EUA".

O vice-presidente acrescentou ainda que o vazamento dos e-mails foi parte de uma campanha sistemática para prejudicar Hillary Clinton. O chefe de campanha dela, John Podesta, foi um dos alvos do ataque aos servidores dos computadores do Partido Democrata.

Nesta quinta, o diretor de Inteligência Nacional, general James Clapper, disse ao Comitê das Forças Armadas do Senado que o presidente russo Vladimir Putin ordenou o ciberataque e que o motivo disso será revelado na próxima semana.

O presidente Barack Obama expulsou do país, na semana passada, 35 diplomatas russos acusados de espionagem.

A Rússia não retaliou a medida, dizendo que vai esperar a posse de Trump.

O que diz Trump

O republicano tem rejeitado as acusações de que o governo russo invadiu os computadores de Podesta ou os servidores do Partido Democrata.

Esta semana, ele repetiu que "um garoto de 14 anos" deve ter sido o responsável pelos ataques.

Depois de passar meses colocando em dúvida a participação russa, Trump disse que é um "grande fã" das agências de inteligência americanas, mas logo passou a questionar como o Partido Democrata respondeu a ciberataque.

"Como e por que eles têm tanta certeza da autoria do vazamento se nunca foi feito um exame dos servidores dos computadores?", perguntou em um tuíte.

Na semana passada, Trump disse que divulgaria informações sobre o ciberataque "na terça ou quarta-feira", mas nenhum anúncio foi feito até agora.

A posse dele será no dia 20 de janeiro.

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