Morte de Teori é 'grande golpe' para o STF e para o Brasil, diz ex-ministro da corte; veja repercussão

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Cezar Peluso, que antecedeu Teori Zavascki na Corte, disse à BBC Brasil que a morte dele é "um grande golpe" para o Supremo e para todo o Brasil.

Teori tornou-se ministro do STF em 2012, após sair do STJ.

A família do relator dos processos da operação Lava Jato que correm no STF confirmou a morte no fim da tarde desta quinta-feira. Ele estava a bordo de um voo que caiu por volta das 14h30 nomar próximo a Paraty, na região sul do Estado do Rio de Janeiro.

Apesar de não falar sobre os rumos da Lava Jato daqui para frente, Peluzo disse que as expectativas do país "ficam frustradas após essa tragédia".

Segundo ele, Teori era um "dos melhores juízes que conheceu" e teve uma carreira extraordinária.

"O que a gente pode falar numa hora dessas? É uma tragédia, uma coisa surpreendente. Quando ele foi nomeado fiquei muito feliz, achei que a escolha não poderia ter sido melhor. Ele era reputado de modo unânime como um dos melhores ministros do STJ."

O ministro do STF Gilmar Mendes, que está de férias em Portugal, afirmou à BBC Brasil ainda não ter condições de comentar a morte. "Não tem a menor condição, não era só o meu colega, era o meu amigo", disse.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também se pronunciou sobre a tragédia.

"É inegável e inquestionável a grande contribuição que o ministro Teori Zavascki deu ao Estado Democrático de Direito Brasileiro a partir de sua atuação como magistrado", disse em nota.

Segundo Janot, o ministro não hesitou em adotar medidas inéditas para a Suprema Corte na relatoria da Operação Lava Jato no STF.

Mundo político

O presidente Michel Temer se pronunciou no começo da noite de quinta-feira e disse que Teori era um "homem de bem" e um "orgulho para todos os brasileiros". Temer decretou um luto oficial de três dias.

"Esta homenagem é a quem tanto serviu a classe jurídica, aos tribunais e o povo brasileiro."

Em nota, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, classificou Teori como "uma das pessoas mais lúcidas e coerentes do Judiciário", que "fará muita falta".

"Um humanista, tolerante e atencioso com as pessoas e suas diferentes formas de pensar, era modelo de sobriedade do magistrado. Tinha uma capacidade de trabalho invencível. Em seu trabalho criterioso, que há de ter continuidade, milhões e milhões de brasileiros depositavam a esperança de um país melhor e mais justo."

Também por meio de nota, o juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em Curitiba, disse que o ministro "foi um grande magistrado e um herói brasileiro", além de um "exemplo para todo os juízes".

"Sem ele, não teria havido a Operação Lava Jato. Espero que seu legado, de serenidade, seriedade e firmeza na aplicação da lei, independente dos interesses envolvidos, ainda que poderosos, não seja esquecido."

A ex-presidente Dilma Rousseff lamentou a tragédia por meio das redes sociais.

"Hoje perdemos um grande brasileiro. Como juiz e cidadão, Teori se consagrou como um intelectual do Direito, zeloso das leis e da Justiça. Tive o privilégio de indicá-lo para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)", afirmou.

"Desempenhou esta função com destemor como um homem sério e íntegro."

Pelo Facebook, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou que o Brasil perdeu um "cidadão que honrou a Magistratura em todos os postos que ocupou".

Pedido de investigação

A advogada e professora da USP Janaina Paschoal, uma das autoras do processo que culminou no impeachment da presidente Dilma Rousseff, disse à BBC que o acidente "precisa ser investigado".

"O importante é que o país exija que essa investigação criteriosa seja feita. Devem participar a Força Aérea, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal. Muitas pessoas poderosas serão beneficiadas com essa morte, nem que seja pelo atraso nas investigações e nas revelações, que seriam feitas."

Janaina ressaltou, porém, que "não está afirmando que a queda tenha sido provocada" por interessados em barrar a Lava Jato, o que seria uma "irresponsabilidade".

"Porém, dadas as circunstâncias, também constitui irresponsabilidade afirmar, de plano, que não foi."

Para a jurista, a Lava Jato vai continuar, mas deve ter um atraso significativo, porque é necessário aguardar a nomeação de um substituto.

"Isso demanda tempo, fora toda a dificuldade política (e até jurídica) para assumir um caso dessa magnitude, no meio do caminho", afirmou.

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