Eunício é novo presidente do Senado; veja quem vai disputar comando da Câmara

Na véspera da eleição para a Presidência da Câmara, a ala governista já pode comemorar uma conquista. O senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) foi eleito na noite desta quarta-feira para presidir o Senado nos próximos dois anos.

A vitória do peemedebista, que obteve 61 dos 81 votos - José Medeiros, seu adversário, teve 10 votos, e houve mais 10 abstenções -, já era esperada e representa uma vitória para o presidente Michel Temer, que o apoiava e deve continuar tendo uma vida tranquila na Casa.

Desde a redemocratização, em 1985, o PMDB ganhou quase todas as eleições para comando do Senado, com exceção de duas vencidas por Antônio Carlos Magalhães (1927-2007), do PFL - atual DEM.

Assim como o agora ex-presidente da Casa, Renana Calheiros (PMDB-AL), Eunício está entre os citados na operação Lava Jato. O ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo, por exemplo, diz que ele recebeu pagamentos que totalizam R$ 2,1 milhões em troca de apoio para a aprovação de uma medida provisória.

O senador nega as acusações. Em recente entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, chegou a dizer que "as pessoas criam, inventam e até mentem para poder ter o benefício da delação".

Na Câmara, onde a eleição acontece nesta quinta-feira, o candidato favorito é o atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também apoiado pelo governo. Ele também foi citado em delações da Lava Jato - e nega irregularidades.

Temer espera contar com o deputado fluminense para a aprovação de pautas consideradas imprescindíveis, como as reformas da Previdência e trabalhista.

Para o governo, Maia e Eunício garantirão blindagem a Temer no Congresso em um período de tensão política. Aliados do presidente lembram que o impeachment de Dilma Rousseff se deu, em parte, porque ela perdeu o controle sobre os parlamentares, principalmente quando o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ascendeu à presidência da Câmara e se tornou adversário da petista.

A eleição que definirá o novo presidente da Câmara acontece nesta quinta, a partir das 9h. Vence quem obtiver os votos de no mínimo metade dos parlamentares, neste caso 257 dos 513. Caso essa maioria não seja alcançada, um segundo turno será realizado com os dois mais votados.

Veja os candidatos:

Rodrigo Maia (DEM-RJ)

Favorito, Maia conta com o apoio informal do Palácio do Planalto, o que foi fundamental para que ele conseguisse se cacifar perante outras legendas.

O governo também vê nele alguém capaz de administrar o tsunami que a homologação das delações da Odebrecht pode causar ao meio político. Apesar de ele ter sido citado como destino de R$ 600 mil em propina - o que ele nega - o governo acredita que Maia pode acalmar a situação na Casa.

O deputado também tem apoio da maioria dos grandes partidos, como o PSDB, o DEM (sua própria sigla) e o PMDB - este último ainda não oficializou sua preferência por ele, mas seguirá a diretriz do governo.

Maia também conseguiu atrair votos de importantes legendas que compõem o chamado "centrão", bloco que reúne 12 partidos médios e nanicos formado pelo ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para, na época, ter força capaz de barrar propostas do então governo Dilma Rousseff. Com a cassação do peemedebista, a articulação perdeu força e agora está dividida nas eleições da Casa.

O PP, o PSD e o PR, por exemplo, desistiram de apoiar Jovair Arantes (PTB-GO), outro candidato à presidência da Câmara e um dos principais articuladores do centrão.

Em troca de seu apoio, o PP negociou com o Planalto e com Maia a possibilidade de indicar o líder do governo na Casa, posto hoje ocupado por André Moura (PSC-SE).

Maia conta ainda com o apoio de PRB, PHS, PSB, PV e PC do B, que, apesar de ser da oposição, decidiu manter o apoio a ele.

O deputado fluminense se viabilizou como o favorito ao equilibrar demandas do governo, de aliados e até de opositores. Ele prometeu a aprovação da Reforma da Previdência para o Planalto ao mesmo tempo em que garantiu a partidos como o PSB que não irá acelerar a tramitação da proposta.

Apesar de seu favoritismo, o deputado ainda pode ser impedido de disputar ou de assumir o cargo. Isso porque a Constituição e o regimento interno da Câmara proíbem a reeleição do presidente em uma mesma legislatura. O mandato para o comando da Casa é de dois anos.

Maia sustenta a tese de que essa regra não se aplica a quem se elegeu para um mandato tampão - ele foi conduzido ao posto quando Cunha foi obrigado pela Justiça a deixar a cadeira, em julho do ano passado.

Seus adversários já questionaram o Supremo sobre o caso. Parlamentares acreditam, porém, que não haverá tempo para que uma decisão saia antes da eleição.

Jovair Arantes (PTB-GO)

Representante do centrão, Arantes não conseguiu unir todo o bloco em torno de sua candidatura. Ele tem o apoio do seu partido, o PTB, do Pros e do Solidariedade, sigla comandada por Paulinho da Força.

Outros partidos menores que integram o centrão devem se manter fiéis a ele. Apesar de ter sido preterido por siglas aliadas, Arantes acredita que muitos deputados podem desobedecer ao encaminhamento da cúpula de seus partidos e votar nele.

Com isso, o parlamentar trabalha para levar a disputa para o segundo turno.

Mesmo tendo sido o relator do processo de impeachment de Dilma Rousseff e defendido o governo Temer, Jovair não tem a confiança total do Planalto, que teme mudanças de postura ao longo de negociações sobre a pauta da Casa de acordo com interesses próprios ou do bloco.

André Figueiredo (PDT-CE)

Também na disputa, mas com poucas chances de alavancar sua candidatura, o deputado conta com o apoio da sua própria legenda e do PT, que decidiu apoiá-lo depois de ter tentado negociar, sem sucesso, cargos na Mesa Diretora com Rodrigo Maia.

O atual presidente acabou mantendo a promessa de dar a primeira-secretaria da Casa, uma espécie de prefeitura, para o PR.

Figueiredo foi ministro das Comunicações do governo Dilma, mas tem baixa influência sobre seus colegas de oposição.

Rogério Rosso (PSD-DF)

Também representante do centrão, Rogério Rosso (PSD-DF) lançou seu nome no início do mês como mais um contraponto do bloco ao favoritismo de Maia. Ele chegou a suspender sua candidatura por uma semana sob o argumento de que aguardaria uma decisão do STF sobre a legitimidade da reeleição de Rodrigo Maia.

Na segunda, ele decidiu voltar ao páreo porque não há prazo para que a Corte analise o caso. Nenhuma das ações sobre a questão já apresentadas ao Supremo foi incluída na pauta da sessão desta quarta no tribunal.

A volta de Rosso é encarada por Jovair Arantes como fundamental para levar a eleição para o segundo turno.

No ano passado, o deputado do PSD teve o apoio de Arantes na disputa pelo comando da Câmara após a cassação de Cunha, mas acabou derrotado por Maia.

Júlio Delgado (PSB-MG)

Delgado decidiu disputar a vaga mesmo sem apoio formal do seu partido, que aderiu à candidatura de Maia. Apesar disso, ele acredita que terá votos de alguns colegas de legenda.

Esta é a terceira vez que o mineiro concorre na eleição para o comando da Câmara. Na primeira, em 2013, foi derrotado por Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e na segunda, em 2015, perdeu para Cunha (PMDB-RJ).

Ele também ingressará com um mandado de segurança no STF para impedir a candidatura de Maia. Os outros três candidatos assinaram o documento. Delgado argumenta que o presidente da Câmara assinou, em dezembro, um ato da Mesa Diretora sobre o rito da eleição desta semana. Para ele, o parlamentar não pode assinar algo que possa beneficiá-lo diretamente.

Luiza Erundina (PSOL-SP)

Última a entrar na disputa pelo comando da Câmara, a deputada Luiza Erundina decidiu se candidatar depois que o PSOL avaliou não ter opção de voto no pleito desta semana.

O partido, que tem seis representantes na Câmara, se reuniu por diversas vezes até chegar a uma decisão. Ex-prefeita de São Paulo, Erundina é a única mulher a disputar o comando da Câmara.

O PSOL cogitou apoiar André Figueiredo mas os deputados consideraram que ele não representava as ideias e os compromissos do partido.

Em seu quinto mandato na Câmara, Erundina, que tem 82 anos, se filiou ao PSOL em março do ano passado. Antes, estava no PSB, com quem rompeu alegando "divergência ideológica".

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