Favorito na disputa, Rodrigo Maia é reeleito presidente da Câmara

Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi reeleito nesta quinta-feira o presidente da Câmara dos Deputados. Favorito na disputa, ele obteve 293 dos 504 votos, contra 105 votos do segundo lugar, Jovair Arantes (PTB-GO). André Figueiredo (PDT-CE) ficou em terceiro lugar, com 59 votos; seguido por Júlio Delgado (PSB-MG) com 28; Luisa Erundina (PSOL-SP) com 10 e Jair Bolsonaro (PP-RJ) com 4. Foram 5 votos em branco.

Conduzido ao posto em julho, quando Eduardo Cunha foi obrigado pela Justiça a deixar a cadeira, Maia contava com o apoio informal do Palácio do Planalto. Isso foi fundamental para que ele se destacasse perante os outros candidatos.

O governo vê nele alguém capaz de administrar o tsunami que a homologação das delações da Odebrecht pode causar ao meio político. Apesar de ele ter sido citado como destino de R$ 600 mil em propina - o que nega -, o Planalto acredita que Maia pode acalmar a situação na Casa.

Em discurso antes da votação, Maia falou da necessidade de fortalecer a Câmara perante o Judiciário e afirmou que é preciso resolver "os problemas e embates" dentro do Legislativo.

"Estamos tratando e falando sobre a independência e a força dessa Casa."

Outra questão decisiva, segundo Maia, é transformar a Câmara em uma "protagonista de reformas", "que entregue em 2018 um país crescendo, um país gerando empregos".

Ele destacou as reformas trabalhista e previdenciária, que devem entrar em pauta neste ano.

Candidatura questionada

Apesar de seu favoritismo, Maia teve a candidatura questionada por parte dos deputados, que insistiram na possibilidade de ele ser impedido de disputar ou de assumir o cargo. Isso porque a Constituição e o regimento interno da Câmara proíbem a reeleição do presidente em uma mesma legislatura. O mandato para o comando da Casa é de dois anos.

Maia argumenta que a regra não se aplica a quem se elegeu para um mandato tampão.

Seus adversários questionaram o Supremo sobre o caso.

Na quarta-feira, o ministro Celso de Mello rejeitou três pedidos para que o tribunal barrasse a candidatura.

Na decisão, ele explicou que as divergências na interpretação das regras devem ser resolvidas pela Câmara, considerando que estão detalhadas no regimento interno da Casa.

Celso de Mello também rejeitou uma ação para que Maia fosse impedido de conduzir o processo eleitoral na Câmara.

Com a decisão, o deputado pode concorrer normalmente.

As decisões proferidas por Celso de Mello, porém, têm caráter liminar (provisório) e poderão ser revertidas quando as ações forem analisadas pelo plenário do STF. Se isso ocorrer, a vitória de Maia poderia ser anulada,

Em fala antes da votação, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que também disputava o cargo, chamou Maia de "candidat sub júdice".

Apoio

Além do Planalto, Rodrigo Maia teve o apoio da maioria dos grandes partidos, como o PSDB, o DEM (sua própria sigla) e o PMDB - este último não oficializou sua preferência por ele, mas seguiu a diretriz do governo.

Maia também conseguiu atrair votos de importantes legendas que compõem o chamado "centrão", bloco que reúne 12 partidos médios e nanicos formado pelo ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para, na época, barrar propostas do então governo Dilma Rousseff. Com a cassação do peemedebista, a articulação perdeu força e agora está dividida nas eleições da Casa.

O deputado fluminense se viabilizou como o favorito ao equilibrar demandas do governo, de aliados e até de opositores. Ele prometeu a aprovação da Reforma da Previdência para o Planalto ao mesmo tempo em que garantiu a partidos como o PSB que não irá acelerar a tramitação da proposta.

Senado

Na noite de quarta-feira, o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) foi eleito para presidir o Senado nos próximos dois anos.

A vitória do peemedebista, que obteve 61 dos 81 votos, já era esperada e representa uma conquista para o presidente Michel Temer, que o apoiava e deve continuar tendo uma vida tranquila na Casa.

Desde a redemocratização, em 1985, o PMDB ganhou quase todas as eleições para comando do Senado, com exceção de duas vencidas por Antônio Carlos Magalhães (1927-2007), do PFL (atual DEM).

Assim como o agora ex-presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), Eunício está entre os citados na operação Lava Jato. O ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo, por exemplo, diz que ele recebeu pagamentos que somam R$ 2,1 milhões em troca de apoio para a aprovação de uma medida provisória.

O senador nega as acusações. Em recente entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, chegou a dizer que "as pessoas criam, inventam e até mentem para poder ter o benefício da delação".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos