A empresa que fazia 'pizzas medíocres' e tem hoje ações mais rentáveis que as da Apple

Imagine que uma máquina do tempo leva você de volta para 2004 e que nesse momento alguém lhe pede para escolher entre as ações de duas famosas empresas americanas: de um lado, a cadeia de pizzarias Domino's e, do outro, a gigante da tecnologia Apple.

Na última década, a última inventou produtos revolucionários como o iPhone e o iPad. Enquanto isso, os fabricantes da Domino's chegaram a admitir em propagandas de televisão que a pizza que produzem é medíocre.

Com base nessas informações, o que seria melhor: ficar com as ações da Apple ou da Domino's? Surpreendentemente, com as da última.

Segundo relatado pelo site americano Quartz, que cita um estudo de um especialista em fundos de investimento, de 2004 até agora as ações da Apple ofereceram um retorno de 1,555%. Enquanto isso, o desempenho dos papeis da Domino's foi ainda maior: 2.401%.

Isso reflete não só os caprichos dos mercados de ações, mas uma história interessante de recuperação de uma empresa como a Domino's, que talvez não tenha o glamour da Apple, mas mostrou uma rentabilidade invejável.

'Tem gosto de papelão'

A Domino's é agora a segunda maior cadeia de pizzarias do mundo - tem 12,5 mil lojas em mais de 80 países.

A marca ganhou fama em 2010, quando seu recém-nomeado CEO Patrick Doyle apareceu em um anúncio de televisão quebrando o que parecia ser a regra fundamental da publicidade: não falar mal de seu próprio produto.

Nos célebres comerciais, um consumidor aparecia dizendo que a pizza do Domino's "tinha gosto de papelão." Enquanto isso, um empregado confessava que "nosso molho tem gosto de ketchup".

Na campanha, Doyle aceitava a culpa e dizia para a câmera que a empresa tinha que melhorar.

Ele tomou as críticas mais implacáveis como um incentivo para transformar a empresa - a receita, ingredientes e procedimentos de preparo da pizza mudaram.

A Domino's também se reinventou como uma empresa que fabrica e vende pizza, mas usando alta tecnologia.

Boyle disse em eventos públicos que, dos 800 funcionários lotados em sua sede, 400 trabalhavam em softwares.

E, como relatado pela revista da Faculdade de Administração da Universidade Harvard, a marca tem sido pioneira no desenvolvimento de mecanismos que permitem aos clientes pedir pizza usando emojis em mensagens de texto ou mesmo via Twitter.

Também está experimentando fazer entregas com drones.

Em uma demonstração de confiança, até abriu filiais no templo sagrado da pizza: a Itália.

História pitoresca

A Domino's tem uma longa e pitoresca história desde a sua fundação em 1960, no povoado de Ypslianti, no Estado de Michigan, pelos irmãos Tom e James Monaghan. Meses depois, o último saiu do negócio.

Tom, por sua vez, deixou o controle da empresa em 1998. Desde então, seu nome tem sido associado com projetos tão incomuns quanto controversos.

Sendo um católico devoto, nos últimos anos, tem financiado a construção de Ave Maria, um povoado que está sendo formado nos pântanos do sul da Flórida, e tem sido descrito como "o lugar mais católico dos Estados Unidos".

Nas lojas locais não há pornografia nem contraceptivos, o que fez algumas pessoas acusarem a comunidade de violar a liberdade religiosa dos não católicos.

Monaghan já não lida com o faturamento da Domino's, uma empresa que vale US$ 8 bilhões.

Além disso, os procedimentos de alta tecnologia empregados na pizzaria hoje são muitos diferentes dos usados pelos fundadores em sua pequena loja na década de 1970.

Mas a empresa serve como uma comprovação de que, mesmo nos setores mais mundanos da economia, existe espaço amplo para a inovação.

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