A jovem e popular apresentadora de TV acusada de ligação com cartel de drogas mexicano

Alberto Najar

Da BBC Mundo na Cidade do México

  • Facebook/ Pamela Posada

    Pamela Posada, modelo e apresentadora de TV de El Salvador, é acusada de organizar apoio logístico para traficantes de drogas

    Pamela Posada, modelo e apresentadora de TV de El Salvador, é acusada de organizar apoio logístico para traficantes de drogas

Quando estava prestes a completar 26 anos, a apresentadora de TV Pamela Posada escreveu em seu perfil no Facebook: "De que adianta ser modelo para muitos se não somos para nós mesmos? Na minha idade, já fiz de tudo, estive e deixei de estar".

A mensagem, publicada em 31 de março de 2016, foi uma das últimas aparições públicas dela, que fez fama como apresentadora de programas para o público jovem. Depois disso, só voltou aos holofotes em 7 de janeiro passado, quando foi exibida algemada pela Polícia Nacional de El Salvador.

Pamela Posada foi apresentada pelos policiais como integrante de um grupo de traficantes de drogas ligado ao Cartel de Sinaloa, organização criminosa mexicana que teve como líder Joaquín "El Chapo" Guzmán, atualmente preso nos EUA.

O Ministério Público de El Salvador a acusa de organizar apoio logístico para que lanchas carregadas com cocaína naveguem pela costa salvadorenha. Também é suspeita de acompanhar a chegada de drogas a uma praia na Guatemala.

Ela nega as acusações.

Jose Cabezas/ Reuters
Pamela foi detida em 7 de fevereiro em El Salvador, acusada organizar suporte logístico e acompanhar descarregamento de drogas

Fama e exposição

A captura da jovem mexeu com El Salvador. Claudia Pamela Martínez Posada foi a principal apresentadora do programa televisivo El Sótano (O Porão), um dos mais populares daquele país.

Também trabalhou como modelo, radialista e, há dois anos, abriu duas empresas. Quando encerrou sua participação no programa de TV, no final de 2014, a empresa responsável pela atração pediu que os fãs gravassem e enviassem mensagens de despedida.

A hashtag #GraciasPameSTN se multiplicou no Twitter. E, dois anos depois, voltou a circular na internet. A notícia de que Pamela havia sido detida pela polícia foi uma das mais acessadas nas redes sociais de El Salvador.

Em conversa com jornalistas locais, a ex-apresentadora afirmou: "Não vão destruir minha pessoa, até que se prove o contrário". Ela disse estar tranquila, que a trataram bem e que está colaborando. Afirmou ainda que está sendo processada por ser amiga da mulher de um traficante.

Sorriso e silêncio

Pamela Posada começou a carreira em 2008, quando estudava ciências jurídicas. Foi contrada pelo canal Star Channel para apresentar programas noturnos com cantores, bandas e clipes. Esteve à frente de pelo menos três programas diferentes de entretenimento.

A estudante de direito logo impôs sua marca. Alegre e sempre disposta a conversar nas redes sociais, ela rapidamente ganhou popularidade. Em 2012, foi contratada para apresentar El Sótano, inicialmente planejado para falar de música e de artistas.

A fama de Pamela Posada cresceu. Em pouco tempo, ela passou a trabalhar também como modelo de passarela e a aparecer em capas de revistas. A frase que mais repetia era: "Sorrisos para resolver os problemas e silêncio para evitá-los".

Nas redes sociais, ela publicava fotos na praia com amigos, das tramissões na televisão e no estúdio de rádio. Costumava chamar seus seguidores de "gord@s".

Em outubro de 2014, despediu-se da televisão para apresentar um programa de rádio numa popular estação de El Savador. Também abriu duas empresas, uma para importar sardinhas chinesas e outra para comercializar apliques de cabelo e produtos de beleza.

Depois de ter sido presa, durante a apresentação dela feita pela polícia a jornalistas locais, Pamela Posada pareciar estar despreocupada e, em alguns momentos, até sorria.

"Estou tranquila, não estou passando mal. Claro, sinto falta do conforto da minha casa, mas aqui estou", disse.

Wikimedia
A apresentadora Pamela Posada é suspeita de colaborar com o Cartel de Sinaloa

Sócia e amiga

A vida da apresentadora mudou em dezembro de 2015, após a prisão de Ana Lucrecia Muñoz Ramírez na Guatemala.

A mulher transportava US$ 1 milhão em dinheiro dentro de um carro com placa de El Salvador. O dinheiro seria usado para pagar um carregamento de droga na Guatemala, disse o procurador salvadorenho responsável pelo caso.

Muñoz Ramírez, condenada a 14 anos de prisão na Guatemala, é sócia de Pamela Posada nas duas empresas.

Pamela seria também, segundo as autoridades que cuidam do caso, amiga de Cynthia Jeannete Cardona Sandoval, apontada como mulher do suposto narcotraficante Marlon Francisco Monroy Meoño, "El Fantasma".

Monroy Meoño foi extraditado para os Estados Unidos, conforme informou um dos responsáveis pela investigação em El Salvador - cuja identidade está sendo mantida sob sigilo por questão de segurança. "Ele (Monroy) está vinculado ao Cartel de Sinaloa, foi detido porque há evidências relacionadas ao tráfico de drogas com carros de luxo, armamento pesado e coletes com as siglas da DEA (o departamento antidrogas dos EUA", explicou o investigador.

Pamela reconheceu que é sócia de Muñoz Ramírez e disse que "não tem nenhum problema porque as empresas estão regulares".

"Em uma, trazíamos sardinha da China para cá (El Salvador) e estava funcionando. A outra, que estava começando, era de aplique de cabelo", explicou ela. "Estou sendo processada por ser amiga de uma mulher de um narcotraficante. Tudo vai ser esclarecido, estou muito tranquila", emendou a modelo.

A rede

A operação que tinha entre os alvos a ex-apresentadora de televisão foi batizada de Caleros e prendeu 28 pessoas; outras seis estão foragidas.

Entre os detidos, estão pessoas que, segundo acusam os investigadores, simulam a atividade de pesca para traficar drogas.

Alguns deles são suspeitos de transportarem cocaína nas próprias lanchas, e recebiam, em troca, cerca de US$ 20 mil (R$ 62 mil). Outros dos detidos são acusados de alertar os traficantes sobre a movimentação da Marinha, uma atividade conhecida em El Salvador como "bandeira".

A compensação para os olheiros, segundo a investigação, variava de US$ 500 a US$ 1 mil. O mesmo valor era pago para os que descarregavam a mercadoria.

A Procuradoria de El Salvador assegura que Pamela Posada acompanhou o desembarque de alguns carregamentos.

"Ela levou pessoas para a Guatemala para fazer desembarcar drogas. Essas pessoas estavam na praia Monterrico na Guatemala", disse um dos investigadores.

"É assim? Eu acho que isso vai ser descoberto nos próximos dias", Pamela disse aos jornalistas locais.

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