Como é o sistema antimísseis que os EUA estão instalando na Coreia do Sul - e por que é tão polêmico

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Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira o início da operação de instalação de um controverso sistema antimísseis na Coreia do Sul.

Batizado de Terminal de Defesa Aérea para Grandes Altitudes (Thaad, na sigla em inglês), o sistema foi desenhado para proteger o país asiático de seu vizinho mais próximo, a Coreia do Norte.

Por sinal, a operação teve início justamente um dia após a Coreia do Norte lançar quatro mísseis, em desafio a sanções internacionais.

De acordo com a agência de notícias sul-coreana Yonhap, citando fontes militares, o sistema poderá ter condições de operar já no mês que vem.

O Thaad causou polêmica na Ásia - principalmente a China -, incluindo até mesmo a "beneficiada" Coreia do Sul.

Geng Shuang, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, disse na terça-feira que Pequim é contra o sistema e que "tomará de forma resoluta as medidas necessárias para defender seus interesses na área de defesa".

O que é o Thaad?

- É um sistema capaz de interceptar mísseis de curto e médio-alcance na fase terminal de seu voo;

- Usa uma tecnologia conhecida como hit to kill, em que o míssil destrói o projétil inimigo com impacto;

- Tem alcance de 200 km e pode atingir uma altitude de 150 km;

- Já foi posicionado pelos EUA no território de Guam (Oceania) e no Havaí como defesa para possíveis ataques da Coreia do Norte;

- O veículo lançador carrega até oito mísseis interceptadores.

O funcionamento passo a passo

1. O inimigo lança um míssil;

2. O radar do sistema Thaad detecta o lançamento e alerta o centro de comando;

3. O centro de comando aciona o lançamento de um míssil interceptador;

4. O míssil interceptador destrói o projétil inimigo na fase terminal de voo.

Por que o Thaad é tão controverso?

Há oposição na Coreia do Sul aos planos. Para muitos sul-coreanos, o Thaad pode se tornar um alvo e colocar em perigo a vida das pessoas que vivem perto de locações militares.

Opositores fizeram diversas manifestações de protesto.

Internacionalmente, China e Rússia expressaram preocupação, afirmando que o sistema pode afetar o equilíbrio de segurança regional.

No ano passado, Pequim disse que o sistema tinha potencial "bem mais amplo" que as necessidades de defesa na Península Coreana. Representantes diplomáticos de Moscou em Seul classificaram o sistema como uma "ameaça direta" à segurança nacional.

Segundo o especialista em defesa da BBC, Jonathan Marcus, o sistema Thaad não tem poder de fogo contra os mísseis intercontinentais chineses.

No entanto, os radares são potentes o suficiente para "bisbilhotar" território do país, e Pequim acredita que o Thaad pode ser usado para detectar lançamentos chineses e alertar sistemas balísticos americanos mais sofisticados.

"Os EUA já contam com uma poderosa rede de radares baseada no Japão e um sistema Thaad em Guam. Não é fácil quantificar qual o benefício adicional que os radares da Coreia do Sul trariam", diz Marcus.

'Estripulias' norte-coreanas

A Coreia do Norte ameaçou na semana passada lançar mísseis em represália a exercícios militares conjuntos entre os EUA e Seul, que ocorrem anualmente e sempre provocam irritação em Pyongyang.

Para o regime de Kim Jong-un, esses exercícios são uma preparação para uma invasão pelo sul.

Na segunda-feira, acabou disparando quatro mísseis na região de Tongchang-ri, próxima à fronteira com a China.

Três dos projéteis percorreram cerca de 1 mil km e caíram em águas japonesas. Segundo as autoridades sul-coreanas, o tipo de míssil usado parecia ser uma versão mais nova do Scud, de fabricação russa.

Reação internacional

Líderes americanos e japoneses reuniram-se depois do lançamento norte-coreano, e o Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência para essa quarta-feira para discutir o incidente.

O almirante Harry Harris, comandante das tropas americanas no Pacífico Sul, disse que a atitude de Pyongyang confirmou a "prudência" de instalar o Thaad na Coreia do Sul.

Mas a operação aumentará as tensões entre Seul e Pequim.

Na semana passada, a Coreia do Sul acusou a China de fazer o que chamou de "retaliação econômica". Filiais da loja de departamentos sul-coreana Lotte na China foram fechadas e o governo anunciou ainda uma proibição da compra de pacotes turísticos para o vizinho.

Pequim é o destino de 40% das exportações coreanas - um total estimado em cerca de US$ 124 bilhões por ano, quatro vezes mais que o exportado pelo Brasil para a China em 2016.

No ano passado, 8 milhões de chineses visitaram Seul e adjacências.

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