"Mais um pouquinho e estaríamos dentro da cena de ataque", diz advogado de Lula, que presenciou pânico em Londres

Júlia Carneiro

Da BBC Brasil no Rio de Janeiro

  • Arquivo pessoal

    Os advogados Cristiano e Valeska Martins tiraram esta foto logo antes de se dirigir para a audiência no Parlamento ? e então correria começou

    Os advogados Cristiano e Valeska Martins tiraram esta foto logo antes de se dirigir para a audiência no Parlamento ? e então correria começou

O advogado brasileiro Cristiano Zanin Martins e sua sócia Valeska Teixeira Martins estavam prestes a entrar no Parlamento britânico quando o caos eclodiu a seu redor e policiais começaram a gritar para que todos fugissem dali, disparando a ordem "run, run, run!" ("corram, corram, corram", em inglês).

As muitas pessoas que estavam na área começaram a correr em pânico, se afastando do Parlamento, e os dois fugiram atrás.

"Num primeiro momento a gente não sabia sabia nem o que estava acontecendo, se era bomba, se era alguém atirando", relembra Zanin.

"Mas vimos que era algo muito grave. Havia um pânico das pessoas correndo, e dos próprios policiais, e nos vimos no meio daquela cena de pânico. Foram momentos de muita tensão", relata o advogado.

Os dois correram por cerca de sete quarteirões até encontrar refúgio em uma loja de suvenires que ainda estava aberta, e fechou as portas assim que os brasileiros relataram o que havia ocorrido.

Passaram meia hora trancados lá dentro, ouvindo sirenes e barulho de helicóptero - até conseguirem sair e encontrar um táxi que os levasse de volta para o hotel. Àquela altura, toda a área já havia sido isolada pela polícia. "Houve uma grande mobilização em pouco tempo. Eles foram realmente muito rápidos na reação", descreve Martins.

Os advogados e sócios, que são casados, representam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e estavam prestes a ter uma audiência com um grupo de parlamentares do Partido Trabalhista britânico, a convite do grupo Labour Friends of Progressive Latin America (Amigos Trabalhistas da América Latina Progressista).

A audiência estava marcada para as 15h locais e eles chegaram lá às 14h30 para ter tempo hábil para passar pela segurança do Parlamento. Logo antes de entrar, eles tiraram uma foto em frente ao edifício. E a correria começou. "Já estávamos caminhando em direção à entrada. Mais um pouquinho e estaríamos dentro da cena de ataque."

Martins não ouviu os tiros, mas uma terceira pessoa que estava com eles os escutou.

"É uma situação realmente assustadora", conta. "Na hora vem muita coisa na cabeça. Temos três filhos. Realmente passa um filme na sua cabeça."

Martins diz que vai ser um alívio voltar para casa nesta quinta-feira. Com as atividades no Parlamento suspensas, a audiência sobre o ex-presidente Lula será remarcada para outra ocasião.

 

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