Palestra por US$ 400 mil: por que acordo de Obama gerou críticas

  • Jim Young/ AFP

    Obama falará sobre planos de saúde em evento organizado por banco de investimentos

    Obama falará sobre planos de saúde em evento organizado por banco de investimentos

O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama virou alvo de críticas por ter aceitado, a menos de 100 dias após deixar o cargo, dar uma palestra em evento de um banco em troca de US$ 400 mil (R$ 1,25 milhões).

O 44º presidente americano aceitou o convite para falar em uma conferência - em setembro - sobre planos de saúde organizada pelo banco de investimentos Cantor Fitzgerald, de acordo com a imprensa americana. A companhia perdeu mais de dois terços de sua equipe no ataque às Torres Gêmeas em 2001.

Em 2009, ele disse à rede de TV americana CBS que não se candidatou "para ajudar um bando de gatos gordos dos bancos de Wall Street".

O pagamento de Obama é quase o dobro do recebido pela ex-secretária de Estado e candidata democrata à Presidência Hillary Clinton, que deu três palestras ao banco de investimentos Goldman Sachs por U$ 225 mil (R$ 705 mil) em 2015.

Ela foi duramente criticada pelas palestras durante a campanha presidencial no ano passado, com exigências de ativistas dos dois lados do espectro político para que ela tornasse seus discursos em Wall Street públicos.

Um ano atrás, Obama provocou Hillary em relação às suas palestras durante um evento na Casa Branca. "Se você for bem, vou usar seu discurso na Goldman Sachs ano que vem, ganhar uma boa grana", brincou.

Histórico

Durante seus dois governos, Obama pareceu entrar em conflito com o setor financeiro. Ele criticava os enormes salários de executivos de bancos e dizia que Wall Street tinha culpa pela crise financeira de 2008.

O acordo com o banco de investimentos vem dois meses após a editora Penguin Random House fechar um acordo de US$ 65 milhões (R$ 188 milhões) com o ex-presidente e sua mulher, Michelle, para a publicação de dois livros sobre a vida de cada um.

O jornal The New York Post disse que o acordo com Castor Fitzgerald fez de Obama "o mais novo gato gordo de Wall Street".

Jonathan Westin, diretor-executivo da ONG New York Communities for Change, com base no bairro de Brooklyn em Nova York, disse que sentia desgosto por ver Obama "trocando favores com grandes bancos".

"Parece que estamos dependentes das mesmas táticas que nos levaram a este caos em primeiro lugar - se aproximar de Wall Street e se alienar completamente da base dos Democratas", disse.

Já o repórter de política Aaron Blake escreveu uma lista com "quatro motivos por que a palestra de US$ 400 mil de Obama é uma má ideia" no blog de política The Fix, do jornal The Washington Post. Segundo o jornalista, a decisão prejudica o Partido Democrata.

Mar e música

Obama parece estar aproveitando a vida, desde que deixou o cargo, em 20 de janeiro. Em fevereiro, passeou de kitesurf com o milionário britânico Richard Branson na ilha privada deste no Caribe.

Recentemente, ele e Michelle foram fotografados a bordo do iate de luxo do magnata da música David Geffen, na costa da Polinésia Francesa.

Segundo relatos, eles estavam curtindo férias com Bruce Springsteen, Tom Hanks e Oprah Winfrey.

Obama também foi visto em uma peça na Broadway, em Nova York, antes de jantar com Bono, do grupo U2.

Lava Jato

No Brasil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também é alvo de críticas por causa de palestras. Diferentemente de Obama, porém, as palestras foram pagas por uma empresa que é alvo de investigações na Justiça e Lula responde por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em contratos firmados entre a Petrobras e a Odebrecht.

Lula nega as acusações.

Em depoimento de delação premiada no âmbito das investigações da operação Lava Jato, o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Alexandrino de Alencar, disse que a empresa pagava, desde 2011, US$ 200 mil (R$ 627 mil) a Lula para fazer palestras no exterior.

Alencar disse que os pagamentos eram feitos a título de patrocínio com o objetivo de facilitar ou ampliar os negócios da Odebrecht em outros países.

O empresário Emílio Odebrecht disse também em delação premiada que a ideia era "atrelar a imagem da companhia ao carisma de Lula" e que a empreiteira custeava transportes em aviões fretados, hospedagem e outros gastos do ex-presidente durante tais eventos.

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