'Nos abraçamos e dançamos': a felicidade de um pai ao rever filha sequestrada por Boko Haram

  • BBC

    Yakubu Nkeke ficou quase três anos sem ver a filha, que foi sequestrada pelo Boko Haram em 2014

    Yakubu Nkeke ficou quase três anos sem ver a filha, que foi sequestrada pelo Boko Haram em 2014

Foram quase três anos sem poder encontrar a filha, sabendo que ela estava nas mãos de um grupo radical islâmico que atua na Nigéria.

Yakubu Nkeke viveu dias de desespero longe de sua menina, mas finalmente pode abraçá-la nesta semana, após ela ter sido libertada com outras 81 jovens que eram mantidas sob o domínio do Boko Haram.

Ele reencontrou a filha em uma visita à capital nigeriana, Abuja. "Quando a vi pela primeira vez, ela pulou em mim e me abraçou. Segurei-a e comecei a dançar com ela"; contou Nkeke, emocionado.

Nkeke é presidente da Associação dos Pais de Chibok - foi lá que 276 meninas foram sequestradas na escola em 2014 pelo grupo extremista.

O sequestro gerou comoção internacional e uma campanha global pela libertação das estudantes, envolvendo celebridades e altas autoridades.

As outras garotas reencontrarão seus pais na próxima semana, segundo o governo nigeriano. Ao todo, 103 delas foram libertadas até agora - houve 21 solturas em outubro de 2016 - e poderão voltar à escola em setembro.

"O povo de Chibok passou a noite cantando e louvando a Deus depois de saber da libertação delas", afirmou Nkeke.

"Todos em Chibok, não somente os pais biológicos, estão muito alegres com a notícia."

Fotos das meninas libertadas deverão ser exibidas aos pais no domingo como parte do processo de identificação.

Os que reconhecerem suas filhas serão levados à Abuja para reencontrá-las, segundo o governo do país.

Nkeke disse que as meninas sofreram muito no período em cativeiro - e chegaram até a passar alguns dias sem comida. O presidente da associação afirmou que algumas se casaram com militantes do Boko Haram - mas disseram, segundo ele, que não haviam sido forçadas a isso.

Um centro de reabilitação em Abuja, que abriga algumas das 21 garotas libertadas em outubro do ano passado, deve fechar as portas em setembro.

A ministra para assuntos das mulheres da Nigéria, Aisha Alhassan, disse a jornalistas que as meninas da nova leva de liberações já estavam psicologicamente preparadas para voltar à escola.

As jovens, segundo ela, estavam mais "estáveis" e "animadas" do que as outras 21 que foram libertadas antes.

BBC
Aisha Alhassan disse que o governo irá fechar o centro de reabilitação em setembro

"O estado psicológico delas é melhor do que quando essas outras (21 liberadas anteriormente) chegaram, então acredito que até setembro essas outras já estarão mais aptas a se estabelecer e conseguiremos levar todas à escola."

"Como uma pessoa leiga, não uma médica, eu sinto que a saúde física delas também não está tão debilitada", pontuou.

Alhassan também reforçou que o governo continuará buscando o aconselhamento de especialistas para o atendimento psicológico das meninas.

Segundo a ministra, um centro de apoio vocacional instalado para a reabilitação das jovens será fechado após o retorno delas à escola. Ela diz que as moças recebem apoio psicológico no local e "já não estão mais tendo pesadelos".

A ministra negou relatos sobre a suposta manutenção das jovens no centro contra a vontade delas. Disse que todas são livres para deixar o local quando quiserem.

Estima-se que os militantes do Boko Haram ainda estejam com mais de cem meninas das 276 que foram sequestradas em Chibok. Acredita-se que algumas das meninas sequestradas tenham se casado e tido filhos com integrantes do grupo extremista.

O grupo também já sequestrou milhares de outras pessoas durante sua insurgência na região.

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