'Diretas Já': Nas redes sociais, brasileiros reagem a caso JBS com indignação e pedido de eleições

Minutos após o jornal O Globo publicar em seu site reportagem dizendo de que os donos da gigante de alimentos JBS, Joesley e Wesley Batista, fizeram uma delação que implica diretamente o presidente Michel Temer, a expressão "Diretas Já" se tornou um dos assuntos mais comentados do Twitter brasileiro.

"Um Congresso de corruptos não pode decidir o futuro da nação", disse o deputado estadual do PSOL-RJ e ex-candidato à Prefeitura e ao governo do Rio Marcelo Freixo.

"Já tem coisa marcada pra amanhã, o povo que ir pra rua pedir Diretas Já, eu nunca pensei que passaríamos por isso novamente", afirmou outra participante do microblog.

O Movimento Brasil Livre, que pediu o impeachment de Dilma Rousseff, também pediu nas redes a renúncia do presidente Michel Temer.

Segundo o jornal, os irmãos Batista e outras cinco pessoas contaram à Procuradoria-Geral da República que Temer foi gravado dando o aval para compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha, que está preso em Curitiba.

Por meio de nota, o Palácio do Planalto admitiu o encontro de Temer com Joesley Batista em março, mas disse que o presidente "jamais solicitou pagamento para obter o silêncio" de Cunha e defende "ampla e profunda investigação para apurar as denúncias divulgadas pela imprensa".

A Procuradoria-Geral da República ainda não se pronunciou sobre o caso.

No Congresso, parlamentares de oposição se manifestaram a favor de possíveis eleições diretas caso a denúncia seja confirmada.

'Votar em quem?'

Os pedidos por diretas, no entanto, também foram criticados por participantes das redes sociais, justamente pelo impedimento constitucional.

"Esquerda delira e pede Diretas Já. A Constituição Federal não prevê isso mas sim eleições indiretas. Sinto cheiro de armação e tentativas de salvar Lula", disse uma participante.

Outros desconfiaram da aparente adesão à ideia no Congresso: "Se os deputados querem Diretas Já eu não quero. Realmente gostaria do impeachment de todo o quadro político brasileiro. Alguém concorda?"

A ideia de "impeachment" para todos também teve eco entre muitos usuários, que expressaram dúvidas sobre em que votar num possível novo pleito, em meio às acusações da Lava Jato.

O perfil em português da série House of Cards, da Netflix, também virou um dos assuntos mais comentados da rede ao aproveitar esse novo escândalo no cenário político brasileiro para fazer uma piada com os fãs, que frequentemente comparam a atração - sobre disputa de poder na Casa Branca - com o cenário atual no país: "Tá difícil competir".

"Pra que assistir House of Cards se tem coisa melhor em casa?", respondeu um participante do Twitter.

Grupos de oposição ao governo Temer foram para o vão do Masp, na avenida Paulista, em São Paulo, e convocam pessoas para manifestações por eleições diretas.

Relatos dizem que manifestantes também gritam palavras de ordem diante do Palácio do Planalto. No Rio de Janeiro, em Porto Alegre, em Florianópolis e outras capitais, ativistas convocam protestos para amanhã pelo Facebook.

Em seu perfil, o comediante Danilo Gentili criticou os manifestantes que apoiaram políticos do PT: "Não tô vendo ninguém defendendo o Aécio ou fazendo manifestação pró-Temer. Cada dia fica mais fácil entender quem é que ama bandido".

Caso Temer renuncie ou sofra impeachment, o país teria eleições indiretas, já que ele cumpriu mais da metade do mandato assumido em 2015 pela ex-presidente Dilma Rousseff, da qual era vice.

Segundo o jurista Oscar Vilhena Vieira, da FGV-SP, o Congresso poderia aprovar uma emenda constitucional que estabelecesse eleições diretas no caso de queda de Temer. Outra possibilidade seria o Tribunal Superior Eleitoral decidir cassar a chapa Dilma-Temer - assim, o Supremo Tribunal Federal poderia determinar eleições diretas.

Vale ou não vale?

A suposta delação dos irmãos Batista também foi questionada nas redes sociais por pessoas que levantaram a polêmica da divulgação de diálogos da ex-presidente Dilma Rousseff com o ex-presidente Lula em 2016, pelo juiz federal Sergio Moro.

Na época, apoiadores da petista disseram que gravar um diálogo da presidente em exercício sem autorização do STF não é permitido por lei. Os procuradores do Ministério Público Federal argumentaram, no entanto, que o ex-presidente Lula era quem estava sendo gravado, e por isso foi captada uma chamada entre ele e sua sucessora.

Desta vez, segundo O Globo, Joesley Batista teria gravado os diálogos com Temer e Aécio com o conhecimento da Polícia Federal, que rastreou as malas de dinheiro e filmou também a entrega.

Ainda não há informações, no entanto, sobre como a operação teria sido realizada nem se haveria autorização do STF. A Procuradoria-Geral da República ainda não se pronunciou a respeito.

"Ver petista retuitando notícia da Globo e aceitando delação premiada não tem preço", disse um usuário da rede social.

Opositores do governo Temer dizem, por sua vez, que esta seria uma delação válida porque teria sido apresentada com as gravações como provas.

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